quarta-feira, 29 de junho de 2011

Irritadíssima

Tenho cara de idiota?
Não, porque esse "papo" de "tal coisa não era p'ra ser, que não aconteceu porque algo melhor está reservado", p'ra mim, é coisa de conformista e acomodado, duas coisas que estou longe de ser!
Poxa, tá certo, referência de valores é algo personalíssimo; O que para mim é absolutamente irrisório, para outro, pode ser da maior importância e vice-versa.
Mas quando a minha perspectiva de algo para a realização pessoal é determinada por coisas e ocorrências simples, como por exemplo, minhas cachorrinhas não fazerem suas sujeirinhas fora do jornal e elas só fazem fora do jornal e da gradinha (e ai eu tenho de tirar gradinha, jornal - claro, estava perto e escorreu tudo, e então, não tenho um, mas dois tipos de limpezas diferentes pra fazer), ou o café da manhã, quentinho, perfumando a casa e a porcaria da cafeteira joga café pra todo lado, menos dentro da jarra, fazendo uma sujeira desnecessária, manchando tudo que é toalha, tapete, esponja, pano de pia, enfim... o que era para ser um lindo dia de inverno, se transforma imediatamente no dia dos infernos!!!
Ainda sonada, pela manhã, sou um desastre, porque meu cérebro não acorda, só meus olhos se abrem e, às vezes, até eles querem permanecer fechados, então, tudo ganha dimensões muito desproporcionais, onde só uma cafeteira derramando café pela cozinha, é suficiente para fazer do meu dia, uma catástofre e deixá-lo super infeliz!
Claro que não é uma dor, como a perda de um ente querido, ou de um bichinho de estimação, até por que, não se trata desse tipo de sentimento!
É aquela sensação de "sua burra, sua incompetente, nem pra fazer um simples café da manhã você presta!"
É isso o que me dá a sensação de que o dia acabou e que estou indo direito para o caldeirão fervilhante do diabo! 
Quando uma cama bem arrumada, uma casa limpa e roupas bem passadas, têm valor para que me sinta feliz e isso não acontece, fico desmotivada e infeliz. 
Ai, vem alguém dizer que é porque não era pra ser, porque (e é nessa parte que sempre colocam o coitado de D'us no meio - ele que é tão ocupado e com tandos problemas reais pra olhar), se tal coisa não aconteceu, é porque D'us está reservando algo muito melhor pra você!
Ah, me poupe! 
D'us não vai me fazer perder uma perna, se o meu café da manhã for sempre perfeito e também, não vai me dar um BMW, se todo dia a cafeteira me deixar irritada como estou agora! 
Nada a ver!!!

Bom dia, aff!


terça-feira, 28 de junho de 2011

Incondicional

Decidi seguir em frente, apesar da sua resitência.
Não falo por meus sonhos, mas antes pela conseqüência deles.
O que fomos, sempre seremos, mas o que nos move ao amanhã, é maior que nós dois.
A cada passo na sua direção, percebo o quão distantes ainda estamos um do outro e fico inquieta, com aquela sensação no estômago (porque nessa hora, a gente não sente com o coração), de que não teremos outra oportunidade.
A nossa volta, tudo conspira para o fim, mas estou absolutamente desinteressada no que sinto e persisto.
Por essa trilha, nunca dantes percorrida, vejo que você já não busca a minha mão, o meu corpo, a alegria que éramos juntos.
Antevejo a hora da separação e rejeito a possibilidade de fracassar, então, reconstruo nossos passos, refaço os caminhos e construo uma nova vida pra nós dois.
Apesar da sua resistência, o meu amor é maior.

Bom dia!
 

domingo, 26 de junho de 2011

Desabafo

Se longe de mim, não sei quem sou. Basta que se afaste, um pouquinho, para eu saber que fui esquecida.
Tenho certeza, que seus pensamentos não são para mim, mas insisto em manter-me na sua vida, por essencial a minha!
Me exaspera a sua fidelidade, só a si mesmo, e ainda assim, tenho dúvidas da sua capacidade para ser fiel a alguma coisa...
Quando está ao meu lado, é todo de si mesmo. Seu comportamento é sempre instável, o que me faz sentir como andando em areia movediça.
Não há estabilidade entre nós e, mesmo quando suas mãos me confortam, ainda o frio do abandono persiste.
Você tem a alma livre, e também o coração. Sua liberdade acaba, quando começa o meu cativeiro. Não aprendeu a amar, só a perder.
Perdeu muito, o tempo todo e sua busca eterna, não o resgata, não o redime.
Segue grandioso em seu valor, mas cheio de medos, enfrenta-os escudado pela insegurança da sua capacidade de se doar.
Enquanto isso, fico aqui, estagnada por deliberação, sem conseguir seguir em frente, certa de que jamais vou poder recuperá-lo de si mesmo.

Bom dia!

sábado, 25 de junho de 2011

Poema

Irreverente

Poderia caminhar aqui, 
Por estradas infinitas,
Contando cada passo 
Marcado pelo tempo escasso;
Poderia narrar aqui, 
Por horas perdidas,
Contando cada caso 
Marcado pela dor, pelo fracasso;
Poderia chorar aqui, 
Por perdas doloridas, 
Contando cada traço 
Marcado pelo cansaço.
Escolhi o meu destino.
Caminho só por tais estradas,
Velejando no tempo que ainda é meu,
Sentindo as horas soprarem o meu rosto.
De cada perda farei meu aprendizado.
Se eu chorar, 
Não será pela dor, ou pelo fracasso,
Ainda que esmoreça pelo cançasso,
Estarei firme, segurando o leme,
Pois a vida me deu,
Também me tomou - é verdade,
Mas não destruiu em mim
A coragem de prosseguir!
E é assim que caminharei,
Contando o tempo...
Marcando as horas...
Chorando as perdas...
Escolhendo o meu destino:
Amando!


Escrito por mim (aos 32 anos), em Uberaba-MG, 5 de setembro de 1989.


Eu não sou mais a mesma!  (Rss...)


Bom dia!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Poema

Exílio

Exílio?
Sim, o mais tenebroso abandono!
O expurgar de sonhos,
Qualquer ideal que espelhe a sombra 
De um futuro.
O abandono em si,
Onde se joga fora, se expele coração e alma.
Exílio?
Sim, tanto quanto a ausência de qualquer
Pedacinho do solo amado, sob os pés,
Os sonhos inacabados...
Como velas que se queimam ao léu,
O futuro desmembrado.
O ideal em si,
Onde todo castelo de areia vaga inerte...
De quem será?
Sim, tão sombrio e inacabado 
Como qualquer futuro,
Cuja morte prematura
Se resume, no troféu da vitória de quem
Nada amou, quão infinito,
Sem que por isso uma estrela a menos 
Brilhasse no céu. 
Exílio?
Sim... e por que não?

Escrito por mim (aos 28 anos), em Uberaba-MG, 15 de maio de 1985.

Espero que aprecie.

Bom dia!
 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cumplicidade

Mais que casados, amantes, companheiros, a meu ver, um casal precisa ser cúmplice.
P'ra mim, a cumplicidade é a essência do amor. 
É a medida que estabelece o quanto o casal vai se querer. 
Enquanto houver cumplicidade entre o casal, nada os separa. 
Quando um deixa de ser cúmplice do outro, a confiança dá lugar às desculpas e cobranças, então, está na hora de encerrar o relacionamento, porque a partir desse momento, o outro começa a buscar fora, alguém que o complemente, que o encha de amor pleno e com quem possa estabelecer nova parceria.
O amor, para sobreviver, há que ser em terreno fértil de cumplicidade, onde olhares, cheiros, pensamentos, são cultivados pela confiança no outro e daí o corpo responde com satisfação ao toque, à entrega, porque tudo dá prazer.
Onde encontra cumplicidade, encontra espelho, anuência, aprovação.
Necessariamente, não precisam permitir tudo e aceitar tudo, um no outro, para serem cúmplices... mas a própria definição da palavra, nos remete à parceria, sociedade. 
Quando meu homem me toca e, sem pudor me entrego a ele, me doando por inteiro para o seu prazer e ele busca o meu corpo, para nele se entregar sem reservas, estamos estabelecendo um grau de cumplicidade que ultrapassa o físico e abrange nossa energia periférica, nos confrontando além, e são nossas almas que se enriquecem com essa harmonia.
Nesse momento, quando nos afastamos, nossos corpos retém na memória de cada terminação nervosa, aquela sensação de segurança e a certeza de que estamos seguros, nos permite prosseguir.
Ai, sentimos saudades do outro, quando nos afastamos. 
Nos surpreendemos, várias vezes durante um dia, pensando naquela pessoa, em seus beijos, em seu toque, no seu cheiro, na pressão exata do seu abraço...
Nosso último pensamento é para o outro; Nosso primeiro pensamento é do outro.
Hoje em dia, penso, as pessoas têm pressa. Não permitem que esses vínculos se estabeleçam e então, ao fazer sexo antes que exista o mínimo de cumplicidade entre o casal, só pelas mensagens químicas emanadas de um para o outro, perdem a preciosa oportunidade de criar uma parceria essencial.
Claro que as excessões existem, mas ai, essa sociedade já estava firmada desde outros tempos, eu acredito!
De qualquer modo, é muito bom, quando me sinto como a folha de papel, onde o meu companheiro vai traçar o perfil da sua história na minha vida e vice versa, porque enquanto houver entre nós a troca de olhares que nos permita confiar e acreditar um no outro, estaremos cultivando a cumplicidade e então, nos sentimos plenos, felizes e o amor vai se construíndo. 
Se for consistente a nossa cumplicidade, ele se estabelecerá robusto e frondoso, caso contrário, em algum tempo vai se dissipar e deixará de ser o que hoje está.
Bom dia!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Frêmito

São sensações, é verdade, mas delas se torna refém o espírito que fica desassossegado.
É aquele aperto no peito, o ar que não chega e o peso da ausência dele.
O telefone tocou. Não era ele. 
Aumentou a pressão da ansiedade, principalmente por não saber o que acontece à distância. Incertezas...
Não consigo estabelecer vínculos maiores e isso atormenta pela impotência.
Nunca pesquei, mas me ocorreu agora, que esta deve ser a sensação do pescador: sabe que é uma questão de tempo e o peixe se renderá à isca, mas o problema é ter a paciência necessária para esperar que isso aconteça e ainda por cima, saber que pode não acontecer! Aff!!!
Meu cérebro fica pesado como uma massa compactada, um bloco cúbico, onde não há como o pensamento circular. Fica ali, sem fluir...
Se o coração pudesse entrar em coma (e acho que não pode), seria isso. 
Angústia, misturada à dúvida, insegurança, com jeito de vendaval que anuncia tempestade... tudo junto!
E daí se é só para ouvir a sua voz a me dar bom dia? E daí, se é só para saber que ele ainda me quer?
O telefone tocou e fui arrancada dos meus pensamentos com um susto. 
Era ele!
Agora meu coração desacelera, meu cérebro começa a descompactar e retoma lentamente à forma que deve ter, para que os pensamentos comecem a fluir sem bloqueio.
O dia já pode começar!
Bom dia!


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Namorado

A realização, não consiste simplesmente no êxito do seu projeto. Depende de uma série de fatores, passando inclusive pela aprovação das pessoas a quem se deseja impressionar.
Constantemente, as pessoas tentam me impressionar com o mal feito, ou o feito pela metade, esperando a minha aprovação e o meu apreço.
Não posso. Simplesmente, não consigo!
Não é da minha natureza, aceitar o pouco. Como diz o poeta (acho que Caetano), muito pra mim, é muito pouco!
É como quando eu sou boa, eu sou ótima, mas quando eu sou má, sou melhor ainda!
Sei que é perverso, mas não posso evitar!
Alguém que tenha a intensão de me impressionar e queira a minha aprovação, precisa de muito mais que mediocridade!
Eu 'tenho' um 'namorado' (vou chamar assim, na falta de uma definição menos complicada para a relação), que tem o perfil do homem a quem eu já teria mandado para o espaço há séculos! Aliás, nem teria me relacionado com ele!
É canastrão, mentiroso, vive assumindo mais compromissos do que os que pode administrar (que o impedem de estar comigo); diz que vai ligar e não liga; diz que virá e não vem; vive me "enrolando", tem relações mal resolvidas com um monte de mulheres... é, não leu errado, eu escrevi um monte de mulheres!
Não obstante, pasme: EU ACEITO!!!!
Ai todos afirmariam que estou apaixonada, ou fiquei realmente doente mental. 
Justo eu, tão exigente e radical com meus posicionamentos (e quem me conhece, sabe que uma vez que eu não aprove determinado comportamento em qualquer relacionamento - seja afetivo, familiar, de amizade ou profissional, jamais permito a menor possibilidade de eu me manter sócia da outra pessoa, na minha infelicidade), como posso, suportar alguém que faça tudo isso e ainda com o meu consentimento?
Tanto faz. Posso até estar apaixonada, ou louca, o que daria no mesmo, não fosse o senso lógico que tenho, para discernir absolutamente meus sentimentos.
Não pense que a permissão e "vistas grossas", para com a promiscuidade do 'meu namorado', seja por não gostar tanto dele ou gostar menos de mim! Passa bem longe disso.
Gosto muito do meu namorado, mas gosto muito mais de mim mesma, e explico porque consinto que ele faça e aja como descrevi, sem que eu reaja:
Ele não se encaixa em nada que se possa desenhar como padrão. Não está pronto. Não copia ninguém.
Não busca me impressionar com clichês, não se desculpa pelo atraso, por ter dito que viria e não veio, por ter dito que ia ligar e não ligou, por não saber que faltou, mas por ter bom senso e noção que o pedido de desculpas, não vai mudar o que já fez e nem minimizar o que ele vai fazer novamente.
Apesar da idade cronológica denotar maturidade, ele é uma criança. Hiperativo, inteligente e muito traquina, "levado", mesmo!
Homens e principalmente as mulheres se encantam, porque naturalmente, ele é único, envolvente e muito sedutor. 
Ah, com relação às mulheres, ele não tem atributos físicos como olhos azuis, ou barriga de tanquinho, e nem pode ser considerado rico, pois apesar de viver confortavelmente, trabalha muito.
No entanto, é senhor de um charme, um cérebro privilegiado, e conta histórias de fazer inveja a Xerazade (protagonista da famosa coletânea de contos traduzida e intitulada pelo orientalista francês, Antoine Galland (1645-1715), que manteve interessado o rei Xariar, por "Mil e uma noites", contando-lhe estórias para que ele não a mandasse matar. Ela ficaria com inveja! Risos...
Fonte inesgotável de criatividade, esse homem me tem mantido sua refém, por meses, pela minha curiosidade e sua capacidade de não se repetir, quando está comigo.
Ele não faz nada inusitado. Até mesmo eu diria que tem hábitos comuns e corriqueiros, mas são as atitudes, que o diferenciam. É como se justifica, sem jamais se justificar...
É a sua presença, mesmo na ausência e, em contra partida, quando está comigo, o mundo é só meu, desde que ele seja o mundo! Só rindo...
Mas ele não faz isso de modo pequeno, não! Ele faz em si mesmo, a apoteose.
Não se permite nada menor, porque sua grandiosidade consiste em ter plena convicção de quem é. 
Apesar de conhecer suas próprias limitações, não tem limites.
Consegue convencer todos a sua volta, com o olhar ingênuo, de quem tem a malícia e a sabedoria filosófica mais intrínseca a respeito de uma existência plena.
Em outras palavras, tenho ganas de lhe torcer o pescoço e lhe mandar às 'favas', mas no momento seguinte, lá estou eu, encantada, bebendo do seu conhecimento, da sua alegria e vontade de viver, do seu ânimo inesgotável, com a habilidade de um predador, cuja presa sabe que não terá a menor possibilidade de lhe escapar.
Claro, eu não faço ideia de quando esses seus atributos, tão ímpares, vão parar de me envolver e me manter cativa a esse homem que pertence só a si mesmo, mas até lá, sigo impotente, ou pelo menos, sem a menor iniciativa de encerrar essa relação que tem o condão de me manter enfurecida como um tornado e me deixa branda como a bonança após a tempestade, em troca de um único gesto seu em minha direção, mas o certo é que acredite ou não, sou plenamente consciente dessa concessão, que faço antes de tudo, a mim mesma, porque é impossível estar ao lado dele, sem me sentir lisonjeada.
Como sempre lhe digo, ele vai me "enrolar" sempre, ah, com certeza! 
A diferença, é que eu vou dar a ele, mais trabalho para fazer isto, do que qualquer outra mulher que lhe tenha obtido o mesmo privilégio da sua companhia, porque eu enxergo exatamente como são, os seus defeitos e suas qualidades e ele pode enganar a todos, mas como eu não me engano, a mim, sempre será mais difícil.
Não sei se este é o motivo que o move a seguir comigo, mas o fato é que nós dois nos divertimos quando estamos juntos e isso deve bastar por enquanto, tanto pra ele, quanto pra mim.
Por essas e outras, ontem, não comemoramos o dia dos namorados, já que para ele, convenções como natal, páscoa e dia dos namorados, não lhe merecem dedicação alguma, mas tenho certeza, quando está ao meu lado, sabe como ninguém me presentear a cada minuto, com algo mais valoroso que um anel de diamante, pois ele vem inteiro, sem restrições e cheio de meias verdades para contar, que não se pode distinguir onde termina a história e começa a estória, mas de um encantamento único, que só os grandiosos, os inteiros, podem conceder.
E é por esse motivo, que eu permito que ele fique na minha vida, enquanto me deleito da fonte de prazer que é a sua companhia.

Boa tarde!






sábado, 11 de junho de 2011

Incomum

Ser diferente e acima da média, ser mais obstinado, mais eficiente, enfim, ser mais que a maioria das pessoas, é algo que se precisa estar disposto a enfrentar.
Isso não tem a ver com sucesso material, financeiro ou estrelato em qualquer seguimento, mas com um traço da personalidade que se apresenta como algo irreverente que vai na contramão daqueles que fazem tudo igual o tempo todo, fazendo a vida parecer patética e sem sentido.
Muitos pensam em ser quem é mais em tudo, mas poucos têm cacife para arcar com o ônus disso.
Sim, porque custa caro, é difícil, machuca, isola das outras pessoas e o pior, o diferente nunca será visto como gostaria, será e se sentirá sempre um 'estranho no ninho'.
A fábula de "O Patinho Feio" (Hans Christian Andersen), retrata isso...
Pior ainda! A maioria dessas pessoas que excedem o padrão, é apontada, desdenhada, mal compreendida, porque sua ótica não tem a mesma perspectiva.
Poucos serão acolhidos e, quando isso acontece, na maioria das vezes é temporário, porque de algum modo a diferença incomoda. O que diverge, não agrega.
Invariavelmente, a pessoa que se sobressai, sempre é questionada se todo o mundo está errado e só ela certa, o que reflete o senso de mediocridade, onde se encontra a tendência do nivelamento por baixo e que a maioria das pessoas não consegue lidar com os incomuns, porque não é uma questão de estar certo ou errado, mas é uma proposta diferenciada, melhorada, apurada em detalhes que fogem ao senso comum.
Tem mais a ver com inteligência acima da média, e capacidade de exercê-la, do que postura petulante ou arrogante, mas a interpretação desse traço, sempre é confundida (porque não basta ser inteligente, mas é preciso ter consciência de que a possui)
Vez ou outra, receberá a compreensão e anuência de alguns que lhe darão razão, até porque, nunca esses indivíduos, entendem nada mesmo... mas não raro, o excepcional estará sozinho. Isolado, apartado.
Richard Bach, em Fernão Capelo Gaivota, falou com propriedade sobre isso, na trajetória de vida daquela gaivota que não queria simplesmente aprender a voar para buscar o peixe, mas para poder sentir o vento nas penas, poder ver de cima, a beleza da natureza e se encantar com o verde esmeralda do mar. Ela queria ir além e descobriu que podia, porque desenvolveu a capacidade de pensar e teve consciência disso. Era contra a natureza da gaivota, razão pela qual, Fernão Capelo, foi execrado, desprezado pelos seus iguais... banido.
Entre os humanos, não é diferente! Persiste a necessidade que todos só 'voem para buscar o peixe' e, em contrário, então que venha o 'penhasco', porque sua natureza assim determinou.
Gente que é mais, faz mais, se destaca, obriga os que estão a sua volta, para que se sintam razoáveis em alguma coisa, a ficar em guarda em tempo integral e isso gera confronto e desconforto, porque o habitual é que não seja permitido que esse "diferente", de alguma forma, se sobressaia...
O líder natural então, sofre ainda mais, porque normalmente é confundido com o tirano, já que determina, não pede. É seguro e não precisa de permissão para seguir em frente. Segurança no outro incomoda, porque dá ao mediano a impressão de ser uma ameba gigante que não tem capacidade para pensar. 
Eisten, não foi considerado "burro" em sala de aula, sendo obrigado pela professora a usar o chapéu que representava essa condição, por ser de fato desconstituído de inteligência! Ao contrário, foi assim "rotulado", como mais tarde o mundo constatou, por ser enormemente mais inteligente que a média - e até que a própria professora!
Quem excede, não vê as coisas assim. Tem noção da proporção e equivalência dos que estão a sua volta, com relação a si mesmo.
Sofre pela incompreensão, sente medo e abandono, mas também conhece sua força interior e por esse motivo, ainda que isolado, segue seu caminho e persiste na esperança de um dia receber o reconhecimento daqueles a quem só quis ver vencer os seus demônios e próprios desafios.
Se o mediano aprender a prestar atenção aos seus pensamentos, verá que também pode sair dessa condição e se destacar, mas isso importa em fazer escolhas que a maioria não se dispõe a arcar com o preço das consqüências, então, melhor continuar na média, sem correr riscos... é assim que caminha a humanidade...
Bom dia!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pensamento

Nessa viagem, levo comigo as frustrações, as angústias e o medo.
Claro que também carrego otimismo e sonhos, mas sempre em menor quantidade, pois são mais pesados, mais caros.
Pesa muito a bagagem e, na medida em que a estrada se torna íngreme, também encontro outros viajantes, que como eu, trazem consigo, seus fardos.
Alguns, mais leves, outros mais pesados que os meus.
Quando cooperamos, uns com os outros, na corrida pelo êxito, observamos que recebemos algumas compensações, como alegria, leveza de espírito, afetos preciosos...
Vez ou outra, me deparo com a traição, a mesquinharia, mas ao me desviar delas, encontro acolhida e aconchego em outro errante.
Com o passar do tempo, o pensamento viaja mais pesado, mais denso, mas também, adquire o dom de enxergar os atalhos e me nortear contra as intempéries.
É uma viagem só de ida. Até porque, não há como voltar atrás. 
A cada passo dado, me distancio do ponto de partida e o que foi, jamais será novamente.
Sigo em frente, perdida, consciente da minha impotência humana, limitada pelos meus receios e por todos os sofrimentos que acumulo ao longo do percurso.
Por outro lado, enquanto sigo persistente, consolido meus ideais e me permito aprender e ensinar.
É assim que se cresce nesta vida. 
Para uns, o caminho é mais longo e a reta final, mais suave, ou não; para outros, o caminho é leve, tranqüilo, mas a viagem é breve, sem muitos obstáculos, ou eivada de grandes desafios.
O fato, é que sempre é hora de partir, hora de seguir em frente, hora de chegar, mas tão somente o caminhar.
Bom dia!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ajuda

Quando eu preciso que alguém me ajude, eu peço ajuda.
Quando alguém toma a iniciativa de me ajudar, normalmente, me frustra e acaba machucado por mim, porque dificilmente eu aceito a ajuda espontânea e explico:
Sob o meu ponto de vista, a ajuda espontânea, na maioria das vezes, serve para atender a necessidade de quem está se dispondo a ajudar e raramente, em atender às verdadeiras necessidades do ajudado.
Quando alguém me diz que fez determinada coisa por mim, sempre olho com muitas reservas a iniciativa, pois não incomum, ela vem com a perspectiva de troca, quer pela minha gratidão e endividamento eternos ("... é, mas tal dia, fiz tal coisa por você..."), quer por meu reconhecimento ("fulano é uma ótima pessoa, fez aquilo por mim, sem que eu tivesse pedido nada. Devo tudo o que tenho a ele!").
Seja como for, entendo que a ajuda deve ser disponibilizada: "estou às ordens para o que você precisar, desde que minha capacidade para lhe atender, assim o permita."
Claro, no momento, uns R$ 500.000,00, na minha conta bancária, ajudaria muito e, se alguém se dispuser a me ajudar espontaneamente, será uma gratidão eterna, mas... (sempre tem um 'mas'), ainda assim, existe uma gama de pequenos favores, que podem parecer insignificantes, mas são de uma valia inestimável.
Se alguém me vê descer do carro com as mãos ocupadas, num dia de chuva, tentando abrir um guarda-chuva, vem em meu socorro, sem que eu peça ajuda, essa gentileza, não tem preço; Se ao colocar as compras do carrinho do supermercado, no portamalas do carro, aquele menino vem em auxílio, para ajudar transferir as sacolas de um para outro compartimento, também não se pode negar a valia; Se ao deixar cair as chaves de casa no portão, o vizinho se prontifica a se abaixar para pegar o chaveiro, realmente, não existe forma de agradecimento proporcional ao gesto de cortesia; Se ao ver um idoso entrar no ônibus lotado e você lhe cede o assento, isso já nem é favor algum, é obrigação.
Contudo, se tenho uma programação do meu dia e alguém me atravessa, tentando ajudar com tarefas simples, mas que não estavam no meu roteiro, certamente isso vai me tirar do eixo e vai me confundir a ordem anteriormente destinada a concentrar meus esforços em outras coisas que, num primeiro momento, eram mais importantes p'ra mim, por exemplo, recolher a roupa do varal, ou passar um pano na casa, quando eu preciso muito mais que tal ajuda se manifeste em outra atividade, que seja ir na padaria comprar pão, ou molhar as minhas plantas.
Desse modo, entendo que a pessoa que está pensando em me ajudar, precisa primeiro, me perguntar o que eu preciso que seja feito, para que a ajuda tenha valor, tenha objetivo, pois se fizer algo que eu não preciso no momento, em vez de ajudar, estará me angustiando e atrapalhando o meu ordenamento mental, com relação ao que é prioridade para mim, naquela circunstância.
Estou hospedando um amigo de longuíssima data, que veio me visitar, para descansar e resolver conflitos de ordem pessoal. Ele é um verdadeiro cavalheiro, mas (como eu disse, sempre tem um 'mas'), por se sentir na obrigação de fazer algo por mim (sendo que só a presença dele, neste momento da minha vida, por si só, é um presente dos céus), já que pensa que eu o estou ajudando, sempre acaba me atropelando e me deixando angustiada, pois me torno indelicada, já que ao tirar a mesa do café, levar a louça para a máquina de lavar, sem a menor sistematização, acaba por me tirar da minha programação e me fazer afastar do objetivo inicial, me obrigando a tirar de suas mãos a louça, por estar colocando-as de forma totalmente desordenada dentro da máquina, me impondo duas, e não uma tarefa, pois tenho que retirar toda a louça colocada inadequadamente, para recolocá-la em seguida, quando bastaria retirar os pratos e canecas da mesa, para colocar diretamente para lavar; Se ele me perguntasse o que poderia fazer para me ajudar, com certeza, eu seria muito feliz com a ajuda dele, em somente abrir as janelas da casa, para ventilar...
Parece banal, mas são exemplos que estou dando para mostrar, que nem sempre a ajuda é algo que de fato vem de encontro com as necessidades do ajudado; Antes, a ajuda vem para aplacar a ansiedade do ajudante e, em sua enorme necessidade de ser útil, quando a sua presença, já é a melhor coisa da vida, aos meus olhos.
Deste modo, quando for me ajudar, por favor, primeiro, pergunte o que eu preciso; Depois, me informe a sua disponibilidade: 
"O que posso fazer para te ajudar, menos lavar banheiro?" E eu vou dizer que só o seu carinho em perguntar, já aqueceu o meu coração de tal modo, que não será necessário que faça nada, pois já fez tudo o que eu precisava: me deu carinho!

Boa noite!