quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sutileza

Assistindo a um filme, fiquei surpresa com o que vi. Na cena, a babá ia saindo, quando o patrão a chamou e, tirando o seu suéter, entregou à moça e lhe disse para vesti-lo, pois estava muito frio.
Ele a ajudou a vestir o agasalho e ela que estava apaixonada pelo patrão, ficou ali, olhando para ele enquanto ele a vestia.
A cena foi de uma sensualidade surpreendente, de onde conclui que às vezes, o ato de vestir, pode ser tão sensual quanto o de despir, ou até mais, porque requer a delicadeza quase paternal/ maternal, mas ao mesmo tempo, cogita a cumplicidade que só pode existir entre pessoas apaixonadas e que cuidam uma da outra.
Enquanto o despir desarma o corpo, o vestir desnuda a alma!
O vestir faz com que a gente se entregue ao outro, pelo olhar, pela cumplicidade, pela entrega e confiança mútua.
Não raro, vejo o casal competindo entre si, quando deveria somar esforços. Enfrentar a vida, as dificuldades e adversidades juntos, cuidando um do outro, zelando, de modo que o vestir tenha a mesma qualidade que o despir, sendo contudo, que o vestir pode se repetir muitas e muitas vezes ao dia, sem importar a hora e o lugar, mas ao acontecer, será sempre mágico entre o par.
Vestir, pode ser tão sensual quanto despir, ou até mais, então, usando esse parâmetro, faça ai uma experiência com o seu companheiro/ companheira, cuide do outro, exerça o carinho ao outro, de tal modo que ele (ou ela) se sinta protegido, acolhido.
A sutileza no olhar, ou até o servir uma xícara de café, pode mudar o resultado do seu dia. Acredite!
Não sufoque! Apenas cuide com carinho.

Bom dia!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Natureza

Sem perceber, assim como a chuva, vou caindo de mim, escorrendo pela vida, que escoa minhas ambições e meus projetos.
Claro que posso mudar o curso do meu rio, mas nem sempre o tempo favorece uma decisão como essa.
Requer projeto e estratégia de grande impacto ambiental nas minhas estruturas.
Quem não pensou em represar os amores vividos de tal modo que eles ali permanecessem avolumados por diques que jamais precisariam que as comportas fossem abertas e toda a energia acumulada, só tivesse o propósito de iluminar o coração e a alma de cada um?
Alguns relacionamentos têm o poder de evaporar o sangue da gente... e ai, nos secam e a erosão corrói em forma de mágoa e ressentimento. Outros contudo, nos florescem a vida como a mata ribeirinha, deixando a leveza por onde caminha, sem que seja necessário que façamos nada, a não ser permitir que floresça e espalhe as sementes do amor.
Ah, se chovesse assim, todos os dias na minha vida, minha natureza seria mais generosa, mais abundante e certamente, meus amores mais ricos e profícuos, como aliás, acredito que seja inerente a todo ser humano.
O mar, na sua imensidão, é fonte de vida e de morte também, mas acolhe todo aquele que o enfrenta, seja para uma ou outra.
Curioso, é que depois de toda tempestade, vem a bonança, mas algumas são mais intensas e demoram mais deixando sua ira sobre a terra...


Boa tarde!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Cotidiano

Não sei o que fazer do meu dia. 
Não que não tenha o que fazer, mas estou desmotivada, sem algo que me impulsione para restaurar minhas forças e me devolver a confiança em mim mesma.
Acho que isso é envelhecer...
Estou conformada que a beleza física tenha ido embora, que o sorriso não seja mais o mesmo, que os cabelos não tenham mais o mesmo brilho...
Ou seria acomodada?
Não me importa mais, a falta de perspectiva, mas não que eu tenha desistido de mim... longe disso!
Apenas não está acontecendo nenhum fator externo que me motive e inspire. E não estou disposta a mudar isso no momento, ainda que esteja atenta a tudo a minha volta.
Pensei em fazer um curso de pintura em tela, mas não me vejo manejando telas, tintas e pincéis...
Também tenho pensado em voltar a trabalhar, mas ainda tenho tanta coisa para organizar na minha casa, onde preciso que esteja tudo em ordem para poder me encontrar e situar...
Claro que é passageiro, mas até quando? Preciso me mexer!
Precisar, preciso, mas cadê coragem? Risos...
Não é preguiça, que não sou afeita a isso... 
É anestesia mental, mesmo... estou improdutiva mentalmente... nada que eu faça, me tira desse torpor...
Todas as vezes que eu sofri um baque, logo me reergui e segui em frente, mas desta vez, está demorando mais... está mais difícil... acho que é a idade, ou a mudança não me fez bem!
Mudar de Florianópolis, mexeu muito comigo, mas a bem da verdade, lá também eu já me encontrava assim, sem ver a luz no fim do túnel.
O momento político (que é um assunto que me fascina), também tem me deixado apreensiva, mas nem isso me conecta com o mundo real... estou sem conexão com a vida...
Mais um dia, mais um desafio e, como tem que ser, vou buscando caminhos alternativos para me reencontrar. 
Vou conseguir, porque sempre consegui e agora não vai ser diferente, porque sou positivista e sei que é questão de tempo para retomar meu ritmo.


Bom dia!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Existência

Enfim, o ano começa e descubro que tudo está exatamente como deve ser.
Fiquei sabendo que ele estava com outra pessoa, mas que ela não aguentou a sua infantilidade, apesar dos seus 80 anos e o deixou.
Pensou que fosse fácil? Acreditou mesmo que qualquer uma teria a paciência que eu tive, por todo o tempo que passamos juntos?
Tenho certeza que era feliz ao meu lado, mas não sabia... ou, se sabia, não valorizou...
Agora, sigo com meu coração em paz, refeita das angústias que ele me impunha, com suas mentiras e sua falta de caráter.
Não tenho planos e gosto que seja assim, prefiro que a vida me surpreenda...
Sonhos e projetos me motivam, mas nada que valha o esforço de tentar conduzir o destino. Tudo acontece na hora certa.
Vou seguindo, porque a vida continua e é bom saber que hoje vou fazer sorvete de chocolate para o meu neto.
Meus "filhotes", Anastácia, Belizária e Claudionor, estão estirados na sombra do quintal, para tentar minimizar o calor, que aqui é infernal, e o silêncio da casa me deixa preguiçosa, mas sem ansiedade, a vida se torna mais leve.
Me supero a cada dia e reinvento a vontade de viver, mesmo sem muitas aventuras, afinal, a vida por si só, já é uma caixinha de surpresas...
O que será que este ano me reserva? Não penso muito nisso e vou seguindo em frente, porque isso é bom. Viver é bom!

Boa tarde!


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Poema

Carinhos (escrito em Florianópolis, em 27 de agosto de 2002).

São carinhos,
caminhos e flores,
cores, cheiros e amores.
São carinhos,
o colo e o abraço
o beijo e o aconchego...

Carinhos são sorrisos,
olhares comprometidos,
confidências...

Cúmplices, são os carinhos.
Ouvidos, cantados, encantados,
mágicos sons.

E o rochedo recebe o mar,
num afã de carícias únicas,
onde são testemunhas,
sol, terra, estrelas e lua.

Carinhos são o céu,
coalhado de flores, 
o solo cravejado de estrelas
e os homens, colhendo amores...


Boa noite!

Ciúme

Ele os apresentou. Então, ela ficou ali, conversando e dando atenção exclusiva ao amigo, porque vinha da parte dele.
Por sua vez, ele tinha mesmo muitos convidados para atender e nem passava pela cabeça dela, que ele lhe desse atenção, a menor que fosse.
Como são sedutores os homens inteligentes!
Em poucos minutos, o amigo fez com que se sentisse à vontade, mesmo com a barreira dos seus idiomas.
Seu vocabulário italiano era muito limitado, e ele não falava uma única palavra em português, então, lhes sobraram as mãos, o sorriso, o olhar...
Quanta cumplicidade pode existir entre dois desconhecidos que não falam a mesma lingüa!
O assunto, apesar de tudo, era ameno, agradável e discutiam a justiça no Brasil, sem maiores pretensões.
Ele, por sua vez, estava atento, mas distante e ocupado com os demais convidados, sofria impossibilitado de vir participar da conversa alegre.
Pediu a ele, que servisse vinho ao amigo, mas se fez de desentendido e não serviu. O amigo, por iniciativa própria buscou as taças e os serviu do vinho gelado, que, abundante, trazia descontração ao ambiente.
Uma amiga contou, que ele não descuidava e, quando o amigo lhe entregou o cartão de visita, ele ficou angustiado, mas ainda assim, não podia do nada, interceder, enquanto aumentava o seu desconforto.
Num rompante, ele informou aos convidados que a reunião tinha acabado e que todos poderiam se retirar! 
Ela não tinha como transmitir a ideia, do clima constrangedor, quando o anfitrião, sempre tão polido e simpático, colocou as pessoas porta à fora, sem maiores justificativas...
Enquanto o amigo ainda tentava estabelecer vínculos, ele praticamente o tomava pelo braço e indicava a saída.
Ela buscou pela amiga, para se retirarem, mas enquanto ele recolhia as taças, ela se aproximou e tocou seu braço, sussurrando que tinha a intenção de ficar ainda um pouco com ele, quando num passe de mágica, ele quedou doce outra vez e disse que ela podia ficar.
Ele estava mortificado pelo ciúme!
Ela nunca mais soube do amigo...

Bom dia!

Avaliação

Esse texto foi escrito no final de janeiro de 2013, mas na época, fiquei na dúvida se publicava ou não, para evitar minha exposição ou possível conclusão por parte do protagonista, razão pela qual, só agora eu publico.

Louca, eu? 
Incrível, como quando a gente pensa, faz escolhas, assume riscos e se atira na vida, de cabeça, as pessoas desconversam, não é com elas!
Tive um relacionamento de dois anos e pouco, com um homem bem mais velho, que era mentiroso contumaz e habitual, porque ele precisa mentir, para sobreviver, com tantas mulheres que ele envolve, enreda e engana.
Na minha terra, isso tem o nome de 'mau caráter', mas enfim, para ele, é um modo de vida!
O que o leva a uma vida de mentiras, são diversos fatores, mas a mim, não chegavam a incomodar, porque na verdade, eram tão infantis e imaturas, as suas mentiras, que eu acabava descobrindo a grande maioria delas, e isso, só contribuía para que eu fosse me desencantando a cada nova mentira.
Durante todo o tempo do relacionamento, em que ele me jurava amor exclusivo (como fazia com as outras), eu ia surpreendendo suas mentiras, suas desculpas esfarrapadas e, por algum motivo, ia perdoando, ia passando por cima... ficava na bronca básica, e mostrava que ele não tinha me enganado, e tocava o barco, mas sempre avisando a ele, que se me desrespeitasse, eu não reagiria com tanta benevolência.
Ele me desrespeitou a primeira vez, fazendo pouco da minha pessoa, num almoço, repleto de amigos dele, com jornalistas de todo lugar do mundo, e então, eu analisei o contexto, levei tudo na brincadeira e, chegando em casa, avisei que não deveria repetir o que tinha feito, porque corria o risco de eu revidar e teríamos um espetáculo, que hoje entendo, para sua cara de pau, não faria a menor diferença!
Me desrespeitou a segunda vez, na ceia de Natal, na presença de amigos meus, quando passou a noite, a desfiar meus defeitos e me criticar, em coisas que não tinham a menor importância, mas ainda assim, tentava me diminuir, aos olhos dos meu amigos e na minha casa!
Quando nos encontramos, alguns dias depois, porque entre o Natal e o Ano Novo, ele teve tantas reuniões (mentirosas), tantos compromissos com amigos (mulheres outras que ele enganava igualmente), que só nos vimos no dia 9 de janeiro, quando eu disse que não haveria a terceira vez e, quarenta minutos depois da nossa conversa, lá estava ele, fazendo a mesma coisa, na casa de amigos meus, como se eu não tivesse a menor importância, no seu conceito - e, claro que eu não tinha, senão, ele teria mudado sua postura e conduta.
Brigamos e ele saiu sozinho, o que me levou a pensar se eu precisava disso... quando cheguei em casa, mandei uma mensagem para ele e o deletei de todos os meus contatos virtuais e pessoais, pois dei o caso por encerrado e resolvido.
Para minha surpresa, dei de cara acidentalmente, com uma troca de correspondência entre ele e uma amiga minha, onde ele, que não é psiquiatra, nem psicólogo, portanto não tem competência para me avaliar, afirmava que eu era louca, mentirosa e que não me encontrava bem emocionalmente!
O que mais me deixou irritada, não foi a sua opinião sobre mim, porque não dou importância ao que não tem importância, mas ao fato da minha amiga, concordar com ele (segundo ela, para não esticar o assunto), quando tanto quanto eu, ela sabe que eu não minto e o mentiroso é ele e, que de louca, eu não tenho nada, exceto o fato de ter dado a esse homem, dois anos da minha vida, investindo num relacionamento que ele não fez a menor questão de cultivar e respeitar.
Se olho agora para o fato, é que isso tem me incomodado, de algum modo, porque realmente, eu fui louca! Louca por me doar tanto! Louca, por ter tido tanta paciência! Louca, por ter investido em alguém que não me merece!
Quanto a ser mentirosa, isso chega a ser hilário, vindo de um mentiroso patológico, porque ele mente para tudo e para todos, e, tentando mais uma vez me desacreditar, porque é disso que vivem os mentirosos, fazer com que as pessoas a sua volta percam a credibilidade, aos olhos de sua platéia, com o fito de se sobrepor e fazer com que seus ouvintes acreditem no mentiroso e não em quem fala a verdade, que não chegou sequer a me deixar com raiva, porque ele e eu sabemos, que o mentiroso é ele!
Na condição de não estar bem emocionalmente, devo admitir, ele estava certo, pois o meu convívio com ele, me adoeceu, tanto que me entorpeceu, a ponto de eu permitir que chegasse tão longe!
Então, agora, estou curada de todos os males! Terminei esse relacionamento mentiroso, com esse homem doente, que me deixava louca! Risos... 

Bom dia!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Trajetória

E dormindo eu sonhei.
Sonhei que caminhava pela praia, enquanto o sol me perseguia. Sob os meus pés, a areia úmida e eu não plantava nada, mas ainda assim, colhia o que encontrava pelo caminho.
Não sabia exatamente porque estava fazendo aquilo, mas não podia parar.
Colhia folhas secas trazidas pelo vento, conchas, pedrinhas e até tampinhas de garrafas. Nada era bastante bom, mas era o que eu tinha para colher.
Quando acordei, senti que tinha perdido muito de mim mesma por aquele caminho. 
Envelheci.
O tempo não foi muito generoso, porque me senti judiada, mal tratada... ingrato o tempo!
Não posso me sentir plena, quando o vazio é maior que eu. Não posso perseverar na caminhada árida, quando o solo me rejeita e quando me vejo nessas cercanias, sei que fiz o meu melhor, mas de nada valeu, pois não colhi os frutos que pensava serem bons.
Reflito sobre o sonho e sei que não foi bom, porque faltaram elementos que talvez estivessem lá, mas não podiam ser vistos por mim e só pude colher o que a natureza me permitia, isto é, só pedrinhas, folhas secas, tampinhas de garrafas e algumas conchinhas quebradas...
Esse é o meu legado.  
Não tenho do que reclamar, porque pelo menos eu fiz a caminhada, mesmo que a trajetória não fosse a melhor. 
Assim, prefiro seguir no meu silêncio para não confundir aqueles que por ventura tenham sonhos melhores que os meus.

Boa tarde!