sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Poema

Carinhos (escrito em Florianópolis, em 27 de agosto de 2002).

São carinhos,
caminhos e flores,
cores, cheiros e amores.
São carinhos,
o colo e o abraço
o beijo e o aconchego...

Carinhos são sorrisos,
olhares comprometidos,
confidências...

Cúmplices, são os carinhos.
Ouvidos, cantados, encantados,
mágicos sons.

E o rochedo recebe o mar,
num afã de carícias únicas,
onde são testemunhas,
sol, terra, estrelas e lua.

Carinhos são o céu,
coalhado de flores, 
o solo cravejado de estrelas
e os homens, colhendo amores...


Boa noite!

Ciúme

Ele os apresentou. Então, ela ficou ali, conversando e dando atenção exclusiva ao amigo, porque vinha da parte dele.
Por sua vez, ele tinha mesmo muitos convidados para atender e nem passava pela cabeça dela, que ele lhe desse atenção, a menor que fosse.
Como são sedutores os homens inteligentes!
Em poucos minutos, o amigo fez com que se sentisse à vontade, mesmo com a barreira dos seus idiomas.
Seu vocabulário italiano era muito limitado, e ele não falava uma única palavra em português, então, lhes sobraram as mãos, o sorriso, o olhar...
Quanta cumplicidade pode existir entre dois desconhecidos que não falam a mesma lingüa!
O assunto, apesar de tudo, era ameno, agradável e discutiam a justiça no Brasil, sem maiores pretensões.
Ele, por sua vez, estava atento, mas distante e ocupado com os demais convidados, sofria impossibilitado de vir participar da conversa alegre.
Pediu a ele, que servisse vinho ao amigo, mas se fez de desentendido e não serviu. O amigo, por iniciativa própria buscou as taças e os serviu do vinho gelado, que, abundante, trazia descontração ao ambiente.
Uma amiga contou, que ele não descuidava e, quando o amigo lhe entregou o cartão de visita, ele ficou angustiado, mas ainda assim, não podia do nada, interceder, enquanto aumentava o seu desconforto.
Num rompante, ele informou aos convidados que a reunião tinha acabado e que todos poderiam se retirar! 
Ela não tinha como transmitir a ideia, do clima constrangedor, quando o anfitrião, sempre tão polido e simpático, colocou as pessoas porta à fora, sem maiores justificativas...
Enquanto o amigo ainda tentava estabelecer vínculos, ele praticamente o tomava pelo braço e indicava a saída.
Ela buscou pela amiga, para se retirarem, mas enquanto ele recolhia as taças, ela se aproximou e tocou seu braço, sussurrando que tinha a intenção de ficar ainda um pouco com ele, quando num passe de mágica, ele quedou doce outra vez e disse que ela podia ficar.
Ele estava mortificado pelo ciúme!
Ela nunca mais soube do amigo...

Bom dia!

Avaliação

Esse texto foi escrito no final de janeiro de 2013, mas na época, fiquei na dúvida se publicava ou não, para evitar minha exposição ou possível conclusão por parte do protagonista, razão pela qual, só agora eu publico.

Louca, eu? 
Incrível, como quando a gente pensa, faz escolhas, assume riscos e se atira na vida, de cabeça, as pessoas desconversam, não é com elas!
Tive um relacionamento de dois anos e pouco, com um homem bem mais velho, que era mentiroso contumaz e habitual, porque ele precisa mentir, para sobreviver, com tantas mulheres que ele envolve, enreda e engana.
Na minha terra, isso tem o nome de 'mau caráter', mas enfim, para ele, é um modo de vida!
O que o leva a uma vida de mentiras, são diversos fatores, mas a mim, não chegavam a incomodar, porque na verdade, eram tão infantis e imaturas, as suas mentiras, que eu acabava descobrindo a grande maioria delas, e isso, só contribuía para que eu fosse me desencantando a cada nova mentira.
Durante todo o tempo do relacionamento, em que ele me jurava amor exclusivo (como fazia com as outras), eu ia surpreendendo suas mentiras, suas desculpas esfarrapadas e, por algum motivo, ia perdoando, ia passando por cima... ficava na bronca básica, e mostrava que ele não tinha me enganado, e tocava o barco, mas sempre avisando a ele, que se me desrespeitasse, eu não reagiria com tanta benevolência.
Ele me desrespeitou a primeira vez, fazendo pouco da minha pessoa, num almoço, repleto de amigos dele, com jornalistas de todo lugar do mundo, e então, eu analisei o contexto, levei tudo na brincadeira e, chegando em casa, avisei que não deveria repetir o que tinha feito, porque corria o risco de eu revidar e teríamos um espetáculo, que hoje entendo, para sua cara de pau, não faria a menor diferença!
Me desrespeitou a segunda vez, na ceia de Natal, na presença de amigos meus, quando passou a noite, a desfiar meus defeitos e me criticar, em coisas que não tinham a menor importância, mas ainda assim, tentava me diminuir, aos olhos dos meu amigos e na minha casa!
Quando nos encontramos, alguns dias depois, porque entre o Natal e o Ano Novo, ele teve tantas reuniões (mentirosas), tantos compromissos com amigos (mulheres outras que ele enganava igualmente), que só nos vimos no dia 9 de janeiro, quando eu disse que não haveria a terceira vez e, quarenta minutos depois da nossa conversa, lá estava ele, fazendo a mesma coisa, na casa de amigos meus, como se eu não tivesse a menor importância, no seu conceito - e, claro que eu não tinha, senão, ele teria mudado sua postura e conduta.
Brigamos e ele saiu sozinho, o que me levou a pensar se eu precisava disso... quando cheguei em casa, mandei uma mensagem para ele e o deletei de todos os meus contatos virtuais e pessoais, pois dei o caso por encerrado e resolvido.
Para minha surpresa, dei de cara acidentalmente, com uma troca de correspondência entre ele e uma amiga minha, onde ele, que não é psiquiatra, nem psicólogo, portanto não tem competência para me avaliar, afirmava que eu era louca, mentirosa e que não me encontrava bem emocionalmente!
O que mais me deixou irritada, não foi a sua opinião sobre mim, porque não dou importância ao que não tem importância, mas ao fato da minha amiga, concordar com ele (segundo ela, para não esticar o assunto), quando tanto quanto eu, ela sabe que eu não minto e o mentiroso é ele e, que de louca, eu não tenho nada, exceto o fato de ter dado a esse homem, dois anos da minha vida, investindo num relacionamento que ele não fez a menor questão de cultivar e respeitar.
Se olho agora para o fato, é que isso tem me incomodado, de algum modo, porque realmente, eu fui louca! Louca por me doar tanto! Louca, por ter tido tanta paciência! Louca, por ter investido em alguém que não me merece!
Quanto a ser mentirosa, isso chega a ser hilário, vindo de um mentiroso patológico, porque ele mente para tudo e para todos, e, tentando mais uma vez me desacreditar, porque é disso que vivem os mentirosos, fazer com que as pessoas a sua volta percam a credibilidade, aos olhos de sua platéia, com o fito de se sobrepor e fazer com que seus ouvintes acreditem no mentiroso e não em quem fala a verdade, que não chegou sequer a me deixar com raiva, porque ele e eu sabemos, que o mentiroso é ele!
Na condição de não estar bem emocionalmente, devo admitir, ele estava certo, pois o meu convívio com ele, me adoeceu, tanto que me entorpeceu, a ponto de eu permitir que chegasse tão longe!
Então, agora, estou curada de todos os males! Terminei esse relacionamento mentiroso, com esse homem doente, que me deixava louca! Risos... 

Bom dia!