terça-feira, 20 de junho de 2017

A Bagagem

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O pai era pedreiro e desde muito cedo, o levava para o trabalho e lhe ensinava o ofício.
Era o mais velho de cinco irmãos e filho obediente, mesmo contrariado, sempre ajudava o pai a preparar a massa de cimento e cal, e fazer os rebocos, mas no íntimo sabia que não era a vida que queria pra si.
Ele via os aviões taxiarem na cidade onde morava e queria ser pássaro. 
Na adolescência, voou. Saiu do ninho, abrindo suas asas majestosas e na bagagem, apenas os sonhos de menino pobre mas muito inteligente e determinado.
Entrou para a escola da Aeronáutica e de lá, ganhou o mundo.
Enfrentou desafios dignos de Hércules e mesmo quando não os podia vencer, persistia até que encontrasse um bom caminho.
Adquiriu sabedoria, com o passar dos anos, mas nunca deixou que os ensinamentos do pai, fossem negligenciados e lutou com seus demônios íntimos, até vencê-los, um a um.
Hoje, aos noventa e dois anos, ainda constrói torres para navegar os céus.
Tornou-se uma lenda viva da escola da aviação brasileira, mas sempre manteve o mancho de seus princípios.
Tornou-se exemplo, referência, mas jamais deixou a simplicidade de ser.
E aquele menino que sonhava voar, voou tão alto quanto pode, mantendo sempre seus pés no chão, realizando todos os seus projetos de vida.
A alma aventureira, jamais esmoreceu e ele segue de marreta em punho, quebrando as pedras que lhe surgem no caminho.
Ama e é amado, tal o modo como edificou as pontes aéreas entre ele e os que lhe cercam.
Minha admiração pelo Micoca (como é conhecido entre os familiares e amigos mais próximos), vem das histórias que ele me contava, desde quando eu era menina. Ele me fez entender o que fazem os homens que sonham voar.
Este homem, meu tio, é pra mim, um baluarte na família. É o meu queridão.
Merece que eu o venere, por ser o que é, autêntico e possuidor de uma clareza de atitudes que me transmite segurança através dos seus não conselhos. É isso mesmo, ele não se acha digno de dar conselhos a ninguém, tamanha sapiência.
Jamais encontrei alguém tão ímpar e ao mesmo tempo, capaz de se multiplicar em sorrisos e demonstração de afeto a quem se acerque dele.
Dono de olhos azuis magníficos, nos penetra o coração sem que barreiras o detenham e sua alegria de viver contagia.
Meu apreço é enorme, por este gigante que ainda sonha ser pássaro e eu não duvido que ele seguirá voando e singrando os céus da existência, nos deixando um legado único de amor.

Boa tarde!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

EU E O TEMPO: Midiático

EU E O TEMPO: Midiático
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Midiático

Midiático ou não, fato é que todos os dias, ao nos inteirarmos das notícias nos deparamos com a Polícia Federal cumprindo mandados de busca e apreensão de documentos e outros, bem como de condução coercitiva a políticos e seus familiares, ou aqueles colaboradores mais próximos e até a prisão de políticos e empresários, por crimes de desvio e lavagem de dinheiro, de norte a sul do país.
Sem exagero, diariamente nos deparamos com empresários brasileiros comprando privilégios, ajeitando projetos de leis que os beneficia e em troca disto, o dinheiro que cada contrato desvia para os bolsos dos políticos.
E quando se fala em desvios de verbas, nunca são nada menores que muitos dígitos zeros, na frente de um numeral. Eles falam em bilhões, como se fosse troco de bala!
No epicentro de tudo isto, o povo.
Ah, o povo que não tem educação, saúde, segurança, vias públicas condicentes, portos, ferrovias, aeroportos, salários decentes, seguro social e empregos para manter suas famílias.
Na capital do país, vemos o tear de manobras onde os Três Poderes (administrativo, legislativo e judiciário), se entrelaçam com o fito de se blindarem para que não sejam presos aqueles envolvidos em escândalos dessa monta, que estão destruindo o país.
Até a merenda das criancinhas eles roubam!
E o povo assiste revoltado e impotente, mas também acomodado, aos rumos que essas práticas vão avançando, como uma nuvem de gafanhotos nas lavouras, que só para quando tudo já foi consumido.
Alguns pedem intervenção militar, porque não vislumbram alternativas. Outros pedem para que se passe sobre a nossa Carta Magna, a Constituição Federal, mas que sejam estabelecidas novas eleições, como se num passe de mágica isto fosse resolver todo o mal que essa mafia produz à Nação.
De tudo isto, tiramos que o país vem sendo saqueado há muito tempo, sem que o povo tivesse se dado conta da desonestidade daqueles a quem elegeram, dando seu voto de confiança, para que o representasse nas casas que governam o Brasil.
A lógica é muito simples.
Se os empresários corrompem, eles também são a sociedade e é dela que os políticos são içados para os poderes e, essa mesma sociedade que elege políticos, também é corrupta, porque aceita barganhar o seu voto em troca de alguns pequenos favores.
Concluo que o Brasil é um país de pessoas moralmente comprometidas, onde a prática de pequenos deslizes ou furtos, como a pessoa que leva pra casa um clips ou uma caneta, que pertencem à empresa onde trabalha, ou o representante comercial que pede no restaurante uma nota fiscal maior que o valor da refeição consumida para ser ressarcido com lucro indevido, também é corrupto. 
Certamente, a corrupção é um mal que está introjetada no DNA do povo. Se não mudarmos nosso comportamento individual, jamais veremos políticos e servidores públicos honestos, porque é do povo que eles surgem.
Uma coisa leva a outra!
Aqueles que buscam ser corretos em todas as suas atitudes, sabem que não é nada além de obrigação e, por isto, prostram pasmados diante de todos os escândalos que estão assistindo nos noticiários, porque o número de corruptos, corruptores e corrompidos é elevadíssimo e a morosidade da justiça em nada colabora para que a impunidade seja afastada.
Para limparmos a Nação desse lixo de caráter que a assola, temos também que faxinarmos nossos hábitos e nosso comportamento. Mister que nos insurjamos contra a impunidade de todos os envolvidos em crimes que estão ferindo de morte ao povo brasileiro, se não quisermos a derrocada.
O povo que elege corrupto, é responsável, sem dúvida, mas também é vítima daquele em quem depositou o voto, a confiança, e foi traído frente a interesses escusos e pessoais.
O momento é de crise, sem dúvida, mas como não há mal que sempre dure e nem bem que nunca acabe, precisamos acreditar num futuro mais digno para o povo brasileiro, sempre tão festeiro e amistoso, porque não é nosso perfil um comportamento diferente do cortês. 

Bom dia!