terça-feira, 20 de junho de 2017

A Bagagem

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O pai era pedreiro e desde muito cedo, o levava para o trabalho e lhe ensinava o ofício.
Era o mais velho de cinco irmãos e filho obediente, mesmo contrariado, sempre ajudava o pai a preparar a massa de cimento e cal, e fazer os rebocos, mas no íntimo sabia que não era a vida que queria pra si.
Ele via os aviões taxiarem na cidade onde morava e queria ser pássaro. 
Na adolescência, voou. Saiu do ninho, abrindo suas asas majestosas e na bagagem, apenas os sonhos de menino pobre mas muito inteligente e determinado.
Entrou para a escola da Aeronáutica e de lá, ganhou o mundo.
Enfrentou desafios dignos de Hércules e mesmo quando não os podia vencer, persistia até que encontrasse um bom caminho.
Adquiriu sabedoria, com o passar dos anos, mas nunca deixou que os ensinamentos do pai, fossem negligenciados e lutou com seus demônios íntimos, até vencê-los, um a um.
Hoje, aos noventa e dois anos, ainda constrói torres para navegar os céus.
Tornou-se uma lenda viva da escola da aviação brasileira, mas sempre manteve o mancho de seus princípios.
Tornou-se exemplo, referência, mas jamais deixou a simplicidade de ser.
E aquele menino que sonhava voar, voou tão alto quanto pode, mantendo sempre seus pés no chão, realizando todos os seus projetos de vida.
A alma aventureira, jamais esmoreceu e ele segue de marreta em punho, quebrando as pedras que lhe surgem no caminho.
Ama e é amado, tal o modo como edificou as pontes aéreas entre ele e os que lhe cercam.
Minha admiração pelo Micoca (como é conhecido entre os familiares e amigos mais próximos), vem das histórias que ele me contava, desde quando eu era menina. Ele me fez entender o que fazem os homens que sonham voar.
Este homem, meu tio, é pra mim, um baluarte na família. É o meu queridão.
Merece que eu o venere, por ser o que é, autêntico e possuidor de uma clareza de atitudes que me transmite segurança através dos seus não conselhos. É isso mesmo, ele não se acha digno de dar conselhos a ninguém, tamanha sapiência.
Jamais encontrei alguém tão ímpar e ao mesmo tempo, capaz de se multiplicar em sorrisos e demonstração de afeto a quem se acerque dele.
Dono de olhos azuis magníficos, nos penetra o coração sem que barreiras o detenham e sua alegria de viver contagia.
Meu apreço é enorme, por este gigante que ainda sonha ser pássaro e eu não duvido que ele seguirá voando e singrando os céus da existência, nos deixando um legado único de amor.

Boa tarde!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

EU E O TEMPO: Midiático

EU E O TEMPO: Midiático
Por favor, deixe seu nome no final do comentário para que eu possa agradecer!

Midiático

Midiático ou não, fato é que todos os dias, ao nos inteirarmos das notícias nos deparamos com a Polícia Federal cumprindo mandados de busca e apreensão de documentos e outros, bem como de condução coercitiva a políticos e seus familiares, ou aqueles colaboradores mais próximos e até a prisão de políticos e empresários, por crimes de desvio e lavagem de dinheiro, de norte a sul do país.
Sem exagero, diariamente nos deparamos com empresários brasileiros comprando privilégios, ajeitando projetos de leis que os beneficia e em troca disto, o dinheiro que cada contrato desvia para os bolsos dos políticos.
E quando se fala em desvios de verbas, nunca são nada menores que muitos dígitos zeros, na frente de um numeral. Eles falam em bilhões, como se fosse troco de bala!
No epicentro de tudo isto, o povo.
Ah, o povo que não tem educação, saúde, segurança, vias públicas condicentes, portos, ferrovias, aeroportos, salários decentes, seguro social e empregos para manter suas famílias.
Na capital do país, vemos o tear de manobras onde os Três Poderes (administrativo, legislativo e judiciário), se entrelaçam com o fito de se blindarem para que não sejam presos aqueles envolvidos em escândalos dessa monta, que estão destruindo o país.
Até a merenda das criancinhas eles roubam!
E o povo assiste revoltado e impotente, mas também acomodado, aos rumos que essas práticas vão avançando, como uma nuvem de gafanhotos nas lavouras, que só para quando tudo já foi consumido.
Alguns pedem intervenção militar, porque não vislumbram alternativas. Outros pedem para que se passe sobre a nossa Carta Magna, a Constituição Federal, mas que sejam estabelecidas novas eleições, como se num passe de mágica isto fosse resolver todo o mal que essa mafia produz à Nação.
De tudo isto, tiramos que o país vem sendo saqueado há muito tempo, sem que o povo tivesse se dado conta da desonestidade daqueles a quem elegeram, dando seu voto de confiança, para que o representasse nas casas que governam o Brasil.
A lógica é muito simples.
Se os empresários corrompem, eles também são a sociedade e é dela que os políticos são içados para os poderes e, essa mesma sociedade que elege políticos, também é corrupta, porque aceita barganhar o seu voto em troca de alguns pequenos favores.
Concluo que o Brasil é um país de pessoas moralmente comprometidas, onde a prática de pequenos deslizes ou furtos, como a pessoa que leva pra casa um clips ou uma caneta, que pertencem à empresa onde trabalha, ou o representante comercial que pede no restaurante uma nota fiscal maior que o valor da refeição consumida para ser ressarcido com lucro indevido, também é corrupto. 
Certamente, a corrupção é um mal que está introjetada no DNA do povo. Se não mudarmos nosso comportamento individual, jamais veremos políticos e servidores públicos honestos, porque é do povo que eles surgem.
Uma coisa leva a outra!
Aqueles que buscam ser corretos em todas as suas atitudes, sabem que não é nada além de obrigação e, por isto, prostram pasmados diante de todos os escândalos que estão assistindo nos noticiários, porque o número de corruptos, corruptores e corrompidos é elevadíssimo e a morosidade da justiça em nada colabora para que a impunidade seja afastada.
Para limparmos a Nação desse lixo de caráter que a assola, temos também que faxinarmos nossos hábitos e nosso comportamento. Mister que nos insurjamos contra a impunidade de todos os envolvidos em crimes que estão ferindo de morte ao povo brasileiro, se não quisermos a derrocada.
O povo que elege corrupto, é responsável, sem dúvida, mas também é vítima daquele em quem depositou o voto, a confiança, e foi traído frente a interesses escusos e pessoais.
O momento é de crise, sem dúvida, mas como não há mal que sempre dure e nem bem que nunca acabe, precisamos acreditar num futuro mais digno para o povo brasileiro, sempre tão festeiro e amistoso, porque não é nosso perfil um comportamento diferente do cortês. 

Bom dia!

sábado, 29 de abril de 2017

A minha mãe

Ontem fez sete anos que você nos deixou!
Sinto a sua falta!
Falamos sempre em você, em como agora, com a chegada do Enzo, o primogênito de Larissa (quem diria, a nossa princesa é mamãe), deixou Célia abobada! Ela agora saberá o que é ser avó de menino! Risos...
Em breve o nascimento da Maria, você estaria feliz... mas então será a minha vez de ser avó de menina. Você riria de mim, certamente... não sei se saberei lidar com isso... eu não sou boa com meninas, né? A madrinha da Maria será a Talita. Ela está se revelando uma madrinha atenciosa e muito carinhosa desde já. O Marcus está todo emocionado, dizendo que pelo menos esta madrinha será presente na vida da filha dele.
O Antonio é maravilhoso! Você se encantaria com ele e certamente, veria nele a repetição de muitas atitudes do Marcus. Ele é desafiador, mã! Me diverte muito e o amo mais a cada dia. No meu relacionamento com ele, vejo você e o Marcus e compreendo agora, a cumplicidade entre vovó e netinho! Você deixou muitos bons exemplos em como ser avó.
A Bruna, filha de Jefferson e Lívia, está se tornando uma mocinha linda!
A Valentina, filha do Rodrigo e Angélica, tem olhos azuis enormes e se parece com a Lili.
O Lorenzo, a gente quase não vê por aqui, mas é lindo também e se parece muito com o Michael.
Mateus está na faculdade e Victor Hugo é uma graça de menino.
Ainda lamento não poder tê-la aqui para te contar as novidades.
Estou arrumando a casa do Marcus e já não advogo mais. Cansei! 
Minha vinda para Uberaba, trouxe muitas transformações na minha vida, mas estou bem e feliz com o meu filho.
Ah, mã, a Anastácia nos deixou em dezembro e o Magrela me ajudou muito. O Marcus teve toda paciência com o meu sofrimento, porque deixá-la partir doeu muito. Você a tem visto por ai? 
O Claudionor e a Belizária se adaptaram e ele é parceiro do Marcus. Onde um vai, o outro está. Belizária, já velhinha, não deixou de ser a "menina" levada que era, mas agora mais contida. Os anos pesam pra todos!
Tenho falado muito com o Micoca, que sempre se recorda e salienta que você era a melhor cunhada que ele poderia ter, e antes que eu me esqueça, a Cleise agora é vovó também, da Maysa. Ela é filha do Fabinho, e acho que você chegou a conhecer a Valentina, filha de Carol, que é neta do Clayton e Silma, não? Tia Ruth continua firme e forte, mas com a tia Zeneide e o padrinho, não tenho muita ligação. Fico sabendo deles pelo Micoca e Serrate.
São tantas as novidades na família... como seria bom se estivesse aqui com a gente...
Estamos em contato constante com a turma de Campinas. Tia Zéza continua linda e firme, aos noventa e seis anos e todas as noites, como fazia quando eu era menina, o Júnior me manda um "Mentex" virtual! Ele é uma graça de primo! E sabia que todos os de lá se lembram com muito carinho de você? Marli também está em contato frequente conosco. Você adoraria fazer parte deste grupo e rever as fotos antigas que postamos lá.
Ah... como eu queria que você recebesse esta carta! Fico me perguntando como seria a sua resposta e choro de saudades...
Se tiver contato com o Kokão e os nossos entes queridos, dê a eles o meu beijo saudoso.
A você mamãe, desejo que esteja nos vendo a todos e que possa se felicitar pela família que construiu. 
Esteja onde estiver, desejo que esteja bem e feliz.
Com amor e muita saudade, sua filha mais velha,

boa tarde! 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Enzo

O futuro nasceu ontem, às quatorze horas, pesando pouco mais que três quilos e medindo pouco menos que meio metro.
A família o recebeu com alegria e muita esperança de que sua vida seja plena e saudável.
A mamãe, tranquila, vela seu sono e garante sua alimentação, amamentando.
Poucas horas depois ele já era o centro de todas as atenções e a alegria radiava dentre aqueles que o visitaram, contaminando-os com a fragilidade de seus traços e a compensação pelos nove meses que o aguardaram.
Em pouco tempo ele estará falando, correndo pela casa, tomando para si, o dever de tirar da zona de conforto os pais, os avós, os tios e primos.
É isto o que uma criança quando nasce faz com o mundo dos adultos. Traz esperança, renova forças, destrói paradigmas mas acima de tudo, tem o poder de concentrar o amor.
De longe observo, querendo participar também, mas impossibilitada pela distância, só me resta demonstrar aqui o mesmo desejo dos que têm o  privilégio de tomá-lo nos braços, de que ele seja feliz e tenha saúde.
Tenho cinco sobrinhos netos e o Enzo, sem dúvida, é muito querido porque é filho da minha sobrinha Larissa, a quem eu amo e tenho apreço especial. Foi a primeira menina na família, tem o status de princesa e a coragem de uma rainha.
Então, se o futuro chegou para nós através dele, que nós saibamos retribuir, cuidando e amando incondicionalmente.
Se vai ser médico, advogado, engenheiro, dentista, ainda não sabemos, mas investiremos a cada dia na sua formação de modo que ele seja o melhor em tudo o que veio para realizar.
Ainda tão pequenino, já imensamente amado, Enzo, a "tivó" te deseja tudo o que a vida puder lhe proporcionar de mágico. Seja feliz!

Boa tarde!

quinta-feira, 30 de março de 2017

Sessenta

Sessenta segundos, sessenta minutos, sessenta horas, sessenta dias, sessenta semanas, sessenta meses e já são sessenta anos!
Não que envelhecer seja algo fácil de se encarar. Não é. 
Tem algumas vantagens... a sabedoria, a forma como a gente passa a encarar a vida e os netos.
Ah, os netos! Eles são uma espécie de compensação. Você envelhece para recebê-los, como se fosse uma troca: a artrose pelos sorrisos deles; os cabelos brancos pelas perguntas mais incríveis que já te fizeram na vida; as rugas pelos abraços...
É muito bom ter netos! São a nossa renovação, nossa inspiração, nossa alegria no inverno da vida.
Eu queria falar sobre envelhecer, sobre as frustrações e o esmaecer do espírito, o vigor que aos poucos nos abandona, mas como posso pensar na velhice, quando a vida se refaz e se rejuvenesce a cada ano, através dos netos?
Há sete anos, ganhei meu neto Antonio.
A juventude ressurge intensa através dele! A inspiração dessa força e desse brilho que ele traz para minha existência afasta a rabugice pela falta de paciência com gente burra e teimosa. Netos são o sol, o brilho da vida na terceira idade.
Ao contrário dos filhos, que são nosso desafio, nosso descobrir, os netos são motivadores para que a gente se reinvente.
Quando se envelhece, descobre-se que os filhos são o seu legado e deles dependerá o seu conforto, ou o desafio de enfrentar o abandono. Eu creio ter feito um bom trabalho, porque meu filho é meu provedor, meu companheiro de toda a minha vida desde que nasceu e sou grata a ele por tudo o que me ensinou.
Envelhecer é como um compartimento construído de experiências boas e más, que consiste na nossa edificação. É o guardar lembranças desde a mais tenra idade, até o dia de ontem. 
Quando se envelhece, se dá de cara com tudo o que fizemos durante a vida e nos deparamos com a consciência de que não podemos nos lamentar, porque o tempo já passou e tudo mudou, mesmo sem a nossa participação. É isto! Descobrimos que não participamos de nada e a vida seguiu seu curso, distinta a nossa vontade. 
Pensamos que fizemos escolhas, mas na verdade, fomos levados ao sabor dos ventos. Acreditamos que tínhamos o poder de mudar as coisas, mas só o que fizemos foi nos acomodar diante de cada situação que se nos apresentou.
A diferença, quando se é jovem, é que nos empenhamos em lutar para modificar o que surge pela frente e, quando se envelhece, não nos damos o trabalho, porque já sabemos que o que tem que ser, será.
Na juventude, sonhamos com grandes realizações, mas quando envelhecemos, sonhamos com uma boa noite de sono, sem dor e sem termos que nos levantar várias vezes para ir ao banheiro. 
Na velhice, nossos parâmetros e exigências são totalmente modificados.
Quando se chega nesta fase da vida, a gente descobre que só fez costurar uma enorme colcha de retalhos e se passa a perguntar se ela foi bem costurada e se te servirá de alento e agasalho, ou se vai descosturar na primeira vez que você a estender sobre si.
Todas as incertezas que você tinha quando era jovem, se transformaram em certezas, no entanto, você passa a não ter convicção de mais nada, porque também aprendeu que tudo na vida é relativo.
Com o passar dos anos, amealhou segredos, amigos, inimigos, mas se teve a família como esteio, vai constatar que todos também envelheceram e cada um enfrenta seus próprios demônios interiores.
A beleza e o vigor da juventude se afastam definitivamente para dar lugar a um corpo que não é o ideal, mas você aprende a respeitar seus sinais.
Envelhecer é uma arte, sem dúvida! A arte da aceitação, da busca pela acomodação, porque já não tem mais tempo para mudar e, ainda que tivesse, você sempre se perguntará pra que?
Enfim, cheguei na terceira idade e olhando pra trás vejo que não sou autora de nenhum grande feito, mas sou uma mulher cansada das batalhas que vivi. Algumas eu ganhei, outras eu perdi, mas todas foram encaradas de frente e paguei cada preço que me foi cobrado por elas. Não me acovardei.
Agora, inicio nova fase na vida e espero que eu tenha discernimento e lucidez até o final dos meus dias. O resto administra-se!

Bom dia!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Mulher Insegura

Mulher insegura, não importa a idade, ama de forma patética.
Sempre se comporta como se fosse adolescente e faz beicinho e lacrimeja por tudo, para chamar a atenção de seu amado.
Invariavelmente, é chata dentro da relação, faz marcação cerrada (como se isto fosse impedir que seu parceiro, companheiro, marido, namorado, ou "cacho" se interessasse por outra mulher).
Seja o que for que o homem diga, ela distorce a frase para tomar para si, um "indício" de que ele não a ama mais! 
Está sempre implorando por atenção e se desculpa o tempo todo, como se todas as mazelas do mundo fossem por sua culpa, mas no momento seguinte, está repetindo a mesma frase, ou a mesma cobrança em situação análoga.
Se uma outra mulher se aproxima, ela logo joga na cara do parceiro, que ele está interessado na outra, que já não a ama mais como antes e aí começa o dramalhão mexicano!
"Vou sair da sua vida! Vou deixar o caminho livre, se é isto o que você quer! Tudo o que eu quero é que você seja feliz, mesmo que não seja ao meu lado, porque eu sei que não mereço o seu amor e seu pensamento agora é para ela! Você deseja estar com ela e não comigo"! 
E não importa quanto o homem tenha paciência e lhe jure que não está interessado na outra (a quem na maioria das vezes ele realmente nem pensa em qualquer aproximação), ela faz questão de lembrar a existência da outra a cada segundo.
Teme que seu homem se apaixone por outra e com isto, em vez de viver o momento e aproveitar as coisas boas da relação com leveza, perde tempo precioso, cobrando e se achando menos do que de fato representa para o companheiro, porque acredita que desse modo, fazendo esse joguinho, vai prender o seu amor no pé da cama.
Mulher que ama mais ao outro do que a si mesma, via de regra, é fadada a ser maltratada por seu homem, porque não se dá o respeito. 
Transforma a relação num jogo, onde cada frase é escolhida para cobrar, alfinetar e não raro, se apressa a dizer que estava brincando, que não foi o que quis dizer, que o outro entendeu do modo equivocado a frase dita por ela, e que confia nele e é na outra que não confia, como se a relação já fosse a três e não só entre os dois, pois com a "suposta outra" que ela traz para a relação, esse tipo de mulher sempre passa atestado de incompetência, insegurança e falta de amor próprio.
Se o homem dá o aviso, que ela está minando a relação, logo ela volta à novela mexicana e jura que não vai mais cobrar, que ele está certo, que ela é mesmo uma tola, que faz tudo errado, mas que vai melhorar e que será outra pessoa dali para a frente, até duas horas mais tarde, ela dar outro "show", por conta de um cometário que ele possa ter feito sobre a comadre da tia da avó da vizinha. 
Pronto! Ela começa a fantasiar que essa pessoa tem uma amiga que tem uma prima que tem uma filha e que seu namorado está interessado nessa criatura. E lá vai ela, alfinetar, cobrar e choramingar novamente, dizendo que sabe (porque ela sempre sabe), que ele já não a ama mais!
Normalmente, esse tipo de mulher, esperneia e sapateia, alardeando que não tolera traição, mas quando de fato o companheiro deixa um rastro com um encontro casual e fortuito, ela não faz nada! Não o deixa como o ameaçado! Chora, se descabela, implora que ele não a deixe, que não sabe mais viver sem ele.
Patética, ridícula!
Não importa o quanto o homem demonstre que esteja a seu lado por inteiro, ela sempre vai dizer que ele tem vergonha dela, que não quer que os amigos dele a conheçam, porque ela (como sempre), sabe que não é digna dele. E mais novela mexicana!
Sem dúvida, esse tipo de mulher (ou homem), cansa qualquer cristão. Não mede esforços para se depreciar aos olhos do parceiro e nunca perde a oportunidade de demonstrar o quanto se magoa por nada. Um porre!
Mulher que age assim, está sempre pedindo permissão para existir e vive dizendo que não quer atrapalhar ou envergonhar o seu homem e que se ele não quiser que ela o acompanhe, ela sempre vai compreender, mas morre, se isto acontece e dá-lhe novela mexicana!
Não é incomum, mulher que tem esse comportamento (e homem também), ser dramática e demonstrar imaturidade em tudo o que fala ou faz.
Essa mulher, sempre tem ciúme, e mesmo que o seu marido, ou namorado, esteja a seu lado, ela inventa do nada, uma outra mulher na vida dele, para cobrar e alfinetar, sem se dar conta que isto desgasta a relação e com esse comportamento, ai sim, ela cava a própria cova, até o dia em que o homem (ou a mulher) se cansa e de fato começa a se interessar por outra pessoa, porque ninguém aguenta gente insegura o tempo todo.
E isto também serve para homem inseguro!
Mulher ou homem que se dá valor e se respeita, ama com segurança e transforma a relação em algo bom! Atrai o outro para perto de si, porque é prazeroso estar com aquela pessoa e não importa quem possa aparecer na vida, bom mesmo é estar com o seu amor, porque é com quem a pessoa tem cumplicidade, e em quem confia.
Mulher (ou homem) insegura, cansa. Pense nisso e procure ser divertida ao lado do seu amor. Te garanto que isto o deixará muito mais interessado em você do que em qualquer outro ser na face da terra.

Boa tarde!  



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Fraterna

A primeira e melhor amiga de infância.
Depois, vêm as diferenças, os ciúmes, as competições, as brigas, as pazes, mas ela sempre estará lá, porque mesmo que não esteja, os laços sanguíneos estarão.
São os mesmos pais, os mesmos irmãos e até os mesmos amigos. 
Tudo é comum entre duas irmãs de sangue e de vida.
Vivemos juntas as mesmas histórias de família, nos descabelamos pelos mesmos brinquedos, mas claro, nunca (porque é sagrado), disputamos os mesmos namorados, até porque, para isto, felizmente no nosso caso, os gostos são diferentes.
Depois vieram os casamentos, os filhos e lá estavam eles, crescendo como irmãos, sendo primos, mas eram nossa contribuição para a continuidade dos laços.
E pelos netos e sobrinhos, temos ambas o mesmo apreço e amor.
Brigas mais sérias houveram, mas ainda assim, por mais que tenham durado, o afeto natural entre irmãs, felizmente sempre falou mais alto.
Hoje é o dia do aniversário da minha irmã.
Como eu, ela tem personalidade, é mulher de atitude, guerreira, mas somos totalmente diferentes, mesmo sendo iguais.
Amamos a nossa família e fazemos de tudo para protegê-la, cada uma a seu modo.
Queremos sempre o melhor para todos, nem que para isto, tenhamos que pisar em ovos, uma com a outra, porque ambas somos sensíveis.
Fato é que eu a amo!
Desejo a você, Célia (ou Dinha para os irmãos), toda a felicidade que você puder sentir na vida; que tenha saúde para viver plenamente toda a vida que lhe estiver reservada; que você seja realizada em todos os seus empreendimentos e principalmente que seja muito amada como merece, por todos os que a cercam e lhe são caros.
Parabéns, minha irmã!
Feliz aniversário!

Boa tarde!


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Anastácia

Olhando para ela, vejo o quanto é resignada. Verdadeiramente nobre.
Está paralisada. O processo não começou agora. Vem de algum tempo, mas se agravou há umas duas semanas.
Ela não sente dor e isto me conforta, mas seus rins estão deixando de funcionar e até para mastigar, ela tem dificuldade, o que a fez perder muito peso rapidamente. Hoje ela come cerca de duas colheres de sopa de comida por dia, às vezes até menos, mas ela já foi a "minha gorda"...
Sempre se comunicou comigo. Anastácia sabia me chamar latindo diferente, mais rouco, para obter a minha atenção para o que quisesse e mesmo diante de todas as suas dificuldades atuais, ela ainda se comunica, com olhares, ronronados e até um arremedo do que foi aquele latido tão peculiar.
Está definhando a cada dia. Não ouso me perguntar por que uma criatura tão maravilhosa, gentil, doce e suave tem que passar por isto, até porque não teria a resposta. Não posso compreender, ou alcançar o entendimento disso e choro.
Chego a pensar que é para eu aprender a me portar quando chegar a minha vez... como se eu pudesse ter a dignidade dela...
Assisto aos vídeos que fiz dela e vejo as fotos, desde que era bebê e relembro seus anos de glória, sempre marcados por sua meiguice e delicadeza.
Agora, chegando ao fim, com quase catorze anos de vida tranquila, assisto com o coração apertado e entre lágrimas a hora derradeira se aproximar. Eu sofro. Ela não sei, mas acredito que saiba da minha dor, porque eles sempre sabem...
Não me atrevo a pedir que ela lute para viver. Seria muito egoísmo da minha parte, porque tenho certeza que ela o faria, não importando o quanto isso representasse de mais sofrimento. Sei disto, porque eu ofereço água e ela reluta, com dificuldade para engolir, então eu digo pra ela obedecer a mamãe e na hora, num esforço descomunal, ela me olha e dá umas lambidinhas na água e eu choro.
Não sei se quero abreviar o sofrimento dela, ou o meu, mas tenho cogitado por um fim a essa condição e não sei lidar com essa hipótese. Tenho medo. 
Temo o remorso, temo a dor da partida dela e principalmente, tenho pavor de pensar no sofrimento dela para deixar a vida, porque morrer não é tão simples quanto parece e me assusta pensar que ela possa querer lutar mais um pouco e eu talvez esteja lhe tirando essa possibilidade.
Não quero que nada a agrida, nem a minha dor que é mínima, perto da gigante guerreira que já pesou oito quilos e agora está com menos de três quilos. Um saquinho de pele e ossos, com os mesmos olhos expressivos que sempre brilharam ao me ver. E continuo chorando...
Quero que ela vá em paz, mas não consigo pensar nela partindo sem que também sinta medo, ou tente desistir para me poupar. Penso em sussurrar em seus ouvidos, para que ela se encha de coragem e faça a sua viagem, mas quando a tomo tão pequenina em meus braços e ela olha pra mim, com tristeza, eu desisto e apenas digo que a amo. Agora entre soluços... e sei que ela pressente todos os meus sentimentos, porque seus olhos se iluminam num lampejo, como quem ainda se sente no dever de fazer por mim o que eu jamais poderei retribuir, porque este amor por mais que a gente tente, nunca pode ser retribuído, porque o ser humano não sabe amar como um cão.
Penso nas crianças e em todas as pessoas terminais e sinto constrangimento, por saber como é a dor dos entes queridos em seus sofrimentos e daqueles que ficam, mas não posso evitar, porque também ela é um ente querido para mim.
E eu olho pra ela, agora deitadinha ao meu lado e me olhando de volta, sinto meu coração diminuir ainda mais dentro do peito, mas também sinto esperança de que ela amanhã acorde bem e recuperada desse pesadelo, seja aqui, ou no lugar mais lindo que se possa imaginar, para que seus amiguinhos a recebam em festa, como ela merece.

Eu te amo minha gorda!

Boa tarde!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Silenciosamente

Ela tinha sonhos, fazia projetos, perseguia seus objetivos e tinha muita alegria de viver.
Mesmo quando caía, sacudia a poeira e seguia em frente. Recomeçar nunca tinha sido um problema e o fazia com muita energia.
Tinha um namorado, se divertiam juntos e gostavam das mesmas coisas. A vida era boa.
Então, sua mãe morreu. Ela ficou triste, sentiu muito a morte dela, mas seguiu em frente, como sempre fazia, pois ainda precisava cuidar do velho pai.
Continuou seus projetos, continuou o namoro, e, apesar da tristeza e da falta que a mãe fazia, ainda tinha muita alegria de viver e a vida não chegou a ser difícil, mas era menos colorida.
Então seu pai morreu. O chão ruiu sob seus pés. Ele era seu porto seguro, seu confidente, seu amigo, mas como sempre tinha sido provedor, não lhe tinha ensinado a viver sem ele.
Sentiu dor. Entristeceu. Perdeu a alegria de viver. Rompeu com o namorado, que afinal, não foi o parceiro que ela precisava que fosse e desse modo, não tinha porque continuar.
Tudo ficou cinza, mas ela continuou trabalhando, só que não tinha mais o mesmo entusiasmo.
Recomeçar agora era um fardo. 
Os projetos foram deixados de lado e pouco a pouco, ela foi desistindo. Não fazia mais diferença, se estava engordando (e muito), ou se estava emagrecendo (o que não acontecia). 
Se alguém a chamava para sair, arranjava uma desculpa para não ter que se arrumar e sair de casa.
Fazia o básico, mas até isto lhe custava muito. Aos poucos foi deixando também de lado o trabalho.
Ficou prostrada, porque na verdade, apesar de ser adulta, não sabia que a perda do pai lhe causaria um dano tão grande e aos poucos, afastou-se dos amigos e deixou de sentir alegria.
A depressão se instalou silenciosamente e ninguém percebia. Ela sabia, mas não tinha ânimo para lutar contra, porque não tinha mais motivação alguma.
Engordou muito, deixou de se cuidar também e esqueceu que precisava viver.
Aos poucos, a erva daninha cresceu no quintal e dentro dela.
Em pouco tempo, deixou de procurar a si mesma e foi se esquecendo das coisas...
Foi ficando cada vez mais acabrunhada, cada vez mais triste e foi se tornando opaca, sem nenhum brilho.
Enquanto isto, as pessoas também foram se esquecendo dela e as sombras foram tomando os cantos da casa.
A única amiga que ainda mantinha contato por telefone teve uma discussão com ela, porque sempre que conversavam ela dizia que estava bem e ouvia com interesse sobre a vida da outra, mas nessa discussão a amiga que não podia avaliar sua dor (porque ela nunca falava de como se sentia), ficou magoada com o rumo da conversa e rompeu com ela.
Agora estava definitivamente só.
E foi para o quarto, chorou e dormiu. 
Quando o telefone tocou, não se levantou para atender, porque certamente era alguém para cobrar as contas atrasadas e não precisava mais pagar nenhuma conta.
Voltou a dormir profundamente.
E mais um dia se fez, mas ela não se lembrava se precisava se levantar e não se levantou.
E continuou dormindo, até que um dia, algum vizinho percebeu o silêncio sepulcral e chamou a polícia.
Quando forçaram a porta, ela estava morta há muito.
Silenciosamente deixou o mundo, porque sua única companheira a depressão, não a deixou um minuto sequer depois que se instalou.
Esta doença é um perigo, porque ninguém percebe quando ela se instala.
Cuide das pessoas a quem você ama, porque nem sempre se consegue perceber os sinais.

Boa noite!