sexta-feira, 21 de outubro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Errante
Caminho a esmo, pelos caminhos que você sopesou.
Procuro nas flores, nas cores, o amor que você pintou em branco e preto, onde os carinhos trocados, ficaram perdidos e sem sentido.
O seu colo, o seu abraço, agora não me amparam, mas ainda sinto o gosto do seu gosto, com desesperada saudade do que jamais terá a mesma magia...O seu sorriso, esmoreceu na minha lembrança, mas não o som da sua voz.
O seu toque, não posso mais esperar, mas ainda sinto a pressão dos seus dedos entre os meus, na hora do amor.
As confidências que fizemos, não fazem mais sentido aos meus ouvidos, e não sei se você sequer prestou atenção nos meus segredos.
Éramos cúmplices, ou antes, eu era a sua cúmplice, mas você, nunca se comprometeu o bastante. Ironia, porque tudo o que pretendia em mim, era o meu consentimento.
Como a rocha, que recebe toda a força do mar, eu ficava ali, esperando que viesse contra mim, para me envolver e tomar, sem que eu pudesse me esquivar!
Nossas carícias, únicas que eram em cada encontro, se perderam sem sentido, inerte nos lençóis que testemunharam tanto amor...
O que você fez de nós? Por que desistiu tão fácil?
Como pode, não lutar por nós?
Segue agora errante, buscando entre outros, o meu sorriso, vagando entre braços e regaços que não têm o meu cheiro, que não podem o que eu podia...
Busca em cada olhar, o meu olhar que refletia o brilho do seu, mas encontra só a ausência da luz, porque sem o meu amor, no que você se transformou?
Andarilho, perdido, solitário...
Eu em você, era a vida. Você em mim, era a fome.
Hoje, somos nada, porque aliás, não somos mais!
Boa noite!
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Guardados
Se você não me tem no seu coração, natural que não me tenha nas suas lembranças.
Leva com você, os grilhões que me atrelam a sua existência, pois de nada lhe servirão, quando é só o amor que tem esse condão.
Desarrumou a minha vida, com que verdade, se o que fala, não se pode escrever?
Qual propósito lhe conduz, se não pode sustentar meus sentimentos?
Guarda o que puder desse tempo, pois outro não virá.
Sinto a sua ausência, mas não o bastante para desistir de mim e dos meus sonhos.
Posso esperar que se vá, quando penso que aqui, você nunca esteve.
Vislumbro outro inverno, mas também posso antever outra primavera, outro verão e outro outono...
O ciclo da vida, continua, ainda que você não possa participar dela em mim.
Lutei, com todas as minhas forças, para me fazer presente, entre suas quinquilharias, mas a insignificância não me cabe. Sou mais que isso!
Agora, me compete juntar os cacos, computar os prejuízos causados pelo tempo perdido e retomar a caminhada.
Cada passo que dou no sentido oposto a você, me liberta das angústias que me eram impostas pela espera interminável, por um gesto seu.
Não quero mais essa vontade, que me reduzia a algo que não sou. Não posso mais essa inércia, que me propunha sem razão.
Vai agora, enquanto tenho sanidade para vê-lo sair.
Enlouquecer, não está nos meus planos!
Dispõe dos meus erros, porque dos meus acertos disponho eu.
Volta pra solidão a que está acostumado, pois foi nela que construiu o seu castelo.
Eu volto para o meu mundo seguro, distante do seu alcance, pois nele, você não pode interferir.
Não guardo mágoa, nem rancor por nenhum mal que me tenha feito, pois com eles cresci e me tornei ainda melhor.
Quem sabe, o destino não me tenha um amor maior, que seja capaz de me envolver e tomar como eu preciso, pois você não tem essa capacidade.
Está acostumado aos descasos da vida, eu não.
Preciso da estrada firme sob meus pés, enquanto você, areia movediça, não me sustenta ou guarda na segurança da consideração.
E, por falar nisso, você já considerou alguém na sua vida, que não a si mesmo? Duvido!
Se é das lembranças que você se alimenta, então, pelo menos, serei por algum tempo, fonte de vida, porque certamente, mesmo esquecida, em algum momento você vai lembrar...
Pode ser tarde pra nós, mas nunca será tarde para o amor.
Espero que você aprenda a amar. Se permita a generosidade desse sentimento que por mais que o negue, ainda é maior que você.
Não pretendo sofrer mais que o necessário para me recompor, mas estimo que a sua dor, lhe queime e torture, como ferro em brasa, toda vez que olhar na minha direção e, ai sim, lembrar que um dia, me teve em seus braços, que hoje não me abraçam mais.
Desejo a liberdade agora, como desejei a prisão dos seus beijos, mas não guardo no meu corpo, a vontade do seu, que nunca me pertenceu.
Aprendi que só posso ter o que me tem. Entendi, que não tive você, porque você nunca me quis.
Leva com você as minhas esperas, pois não posso viver delas. Eu fui a sua última chance de felicidade e isto, é meu maior consolo.
Depois de mim, outras virão. Nenhuma terá a minha boca. Nenhuma terá o meu olhar. Ninguém lhe dará maior amor...
Então, você que hoje esquece, vai lembrar e sentir saudade, mas será tarde demais...
Pode sair agora, e não se dê o trabalho de olhar pra trás, até porque, estarei à frente, porque já parti.
A mim, você não pode mais guardar no esquecimento, pois doravante, só me terá na lembrança. Essa mesma lembrança que hoje lhe faz esquecer, será o seu maior tormento, porque sem mim, a sua vida se apagará, porque eu sou a sua luz!
Bom dia!
domingo, 9 de outubro de 2011
Medo
Fiquei pensando, em quanto o medo nos impede de fazer o que temos de fazer!
Ele, o medo, nos move em situação de risco, mas nos paraliza, em momentos em que devemos tomar atitudes.
Sentir medo, normalmente, é algo que nos protege, evitando que a gente se exponha, em condições extremadas, como por exemplo num assalto, em que a gente não deve reagir, para não acabar sendo morta pelo assaltante, que não tem nada a perder.
Mas o mesmo medo, nos impede de mudar de vida, jogar tudo para o alto e seguir em frente!
O medo, transforma e limita as pessoas. Condiciona animais, e impede que a criança dê seus primeiros passos...
O medo de não passar nos exames finais, por exemplo, leva o aluno ao famoso "branco", que o faz esquecer tudo o que sabe, na hora da prova.
E, o mesmo medo, faz com que a gente continue num emprego, infeliz e sem perspectiva de prosperar, porque nos lembra que lá fora, o desemprego é cruel!
Enquanto o medo nos limita, cerceando nossos vôos mais ousados, também nos faz acordar todos os dias e fazer sempre tudo igual, para não nos perdermos de nós mesmos...
Ah, como é poderoso esse senhor!!!
Curiosamente, numa caverna escura, gélida, cheia de morcegos, é o medo que nos faz sair disparados para a luz, porque se ficarmos ali, podemos ser atacados.
Também é irônico, porque o mesmo sentimento, é contraditório, nos fazendo pensar duas, até dez vezes, antes de fazermos ou falarmos alguma coisa e, ao mesmo tempo, é por medo, que a gente grita com toda a força dos nossos pulmões, quando nos sentimos em perigo.
Falar do medo, é algo fácil, porque todos conhecemos essa sensação, mas como é tipicamente inerente a sua condição, torna-se difícil falar desse mesmo sentimento, porque o medo é personalíssimo.
Por medo, uma pessoa pode reagir a um assalto e, se dar bem, ou morrer e, pelo mesmo medo, uma pessoa pode não fazer absolutamente nada, enquanto outra é espancada até a morte...
Vai entender?
O medo de perder, me impede de investir;
O medo de me tornar apática, me faz investir e continuar lutando;
O medo, move o mundo, gera guerras, promove a paz!
O medo, me faz levantar à noite, olhar toda a casa, para ver se está tudo em ordem, enquanto ele mesmo, me faz ficar quietinha, sem respirar, se ouço algum barulho estranho durante à noite, mesmo sabendo que a casa tem cerca elétrica e alarme.
O medo, é mesmo algo que faz com que a gente se dê conta, que nada somos, mas quando nos revestimos de coragem e vencemos o medo, podemos tudo e nos tornamos heróis de nós mesmos!
Curioso, como o contrário do medo, a coragem, nos fortalece, mas é ai, que vem a ironia, porque sem o medo, jamais conheceríamos a coragem e sem esta, ainda assim, o medo continua a existir, sólido, porque toda a humanidade conhece esse sentimento.
Medo, pra que te quero? Não quero!
Mas tenho escolha? Quem dera!!!
Boa noite e ótima semana!
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