domingo, 5 de agosto de 2012

Basta!

Há tempos venho lhe dizendo que é a última vez. 
Há tempos, venho lhe dando outra chance, mais uma e outra...
Um de nós, tem que ter atitude. Que seja eu, se você não é capaz!
Um homem que se diz ferido de guerra, certamente aprendeu a ter iniciativa, e, se você não tem competência para definir a nossa vida, então, está explicado porque se deixou ferir na guerra!
Não há nós dois. Houve algum dia?
Claro que não! 
Me permiti, todo esse tempo, ser enganada por você, que vai cozinhando em fogo brando, me mantendo cativa, na forma mais torpe, porque tem o meu consentimento.
Se não vamos mais ser nós, não vou ficar aqui, sofrendo por alguém que não me vale tanto. Aliás, não vale mesmo!
Bom caráter, determinação, disciplina, compromisso, respeito, são qualidades que passam à larga de você.
Estou ferida de guerra, mas de uma forma mais danosa, porque não se vê onde a bala de fuzil, que estava camuflado com flores, me atingiu mortalmente.
Parece uma brincadeira com as palavras, mas você deve estar entendendo perfeitamente do que eu falo, até porque, você nunca me deu flores!
Seus dias ao meu lado, lhe foram leves e minha presença coloria sua vida. 
Por certo! Você tinha em mim, a platéia e os aplausos que precisa para alimentar seu ego atormentado.
Meus dias ao seu lado, foram pesados, e deles, vou levar a certeza de ser a única responsável pela minha dor, pois a permiti.
Não me ligue mais. Não me procure. Basta!

Bom dia!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Compartilhando

O telefone tocou e ele me disse com a voz ainda embargada, que tinha chorado muito.
Quando perguntei porque chorou, se tinha acontecido alguma coisa, me contou que esteve conversando com a irmã mais velha e que recordaram momentos da infância, os quais ele já havia esquecido.
A história em si, é engraçada, porque quando era ainda muito pequeno, disse à mãe que estava com fome e, para lhe ensinar independência, a mãe lhe entregou algumas moedas e lhe disse que podia ir sozinho ao mercadinho perto de casa e comprar o que quisesse.
Feliz, ele saiu levando consigo, duas sacolas enormes e todo feliz, foi às compras. 
Contou que pensava, que se podia comprar o que quisesse, então, melhor seria levar logo duas bolsas das grandes!
Guloso, como toda criança, pegou presunto, queijo, pensou que desta vez, não ia comer margarina, mas manteiga, que na época, era muito caro! Também colocou nas bolsas, doces e outras delícias para ele, que estava se achando poderoso, com o tilintar das moedinhas nos bolsos...
Passou uma boa hora entre as gôndolas. Finalmente com as sacolas abarrotadas, se dirigiu ao caixa. 
Quando o dono do estabelecimento lhe disse o valor da compra, não tutibeou e estendeu-lhe a mãozinha pequena, contendo as moedinhas que a mãe lhe dera. Ele não conhecia o valor do dinheiro!
O homem, muito zangado, lhe disse que não era suficiente para pagar o que ele havia comprado e, como não tinha mais dinheiro, educadamente, e constrangido, aliás, muito sem graça, disse então ao homem, que lhe desse somente o que o dinheiro pudesse pagar.
O homem, não se fez de rogado e disse que primeiro, ele deveria devolver às prateleiras, tudo o que havia pegado.
Embaraçado e se sentindo humilhado, ele levou mais umas duas horas, para colocar tudo no lugar.
Preocupada, sua mãe foi com a irmã, ao mercadinho, procurar por ele. Quando chegaram e viram o menino reorganizando tudo, perguntaram porque ele estava fazendo aquele trabalho, ao que ele prontamente esclareceu o que havia sucedido.
A mãe lhe explicou então, que era para ele comprar o que quisesse, pensando que ia comprar um doce, ou algo do gênero e não todo o mercado!
Muito inteligente, ele se dirigiu ao dono da mercearia e perguntou o que dava para adquirir com as moedinhas, ao que o homem respondeu que dava para comprar certa quantidade de margarina.
O pequeno, imediatamente, perguntou quanto de manteiga daria para levar, ao que o homem lhe disse que só daria para comprar a metade do que levaria em margarina, ao que de pronto, com oito anos, ele retrucou, ainda que fosse pouco, preferiria a manteiga, pois de algum modo, teria que ver seu desejo satisfeito, mesmo que começando com menos! 
Isso é que é determinação! 
Mas estou contando isso, porque o mais importante, foi ele ligar para compartilhar comigo!
A margarina, pode até ser mais barata que a manteiga, mas ele ter dividido essa lembrança comigo, não tem preço!

Boa noite!

sábado, 14 de julho de 2012

Cicatrizes

Meu corpo tem muitas cicatrizes.
As marcas que o tempo me fez.
Umas, para salvar minha vida, outras, para perdê-la!
São sinais que marcaram meu corpo e minh' alma...
Algumas eu quis, outras, me foram impostas...
De umas, me orgulho, outras escondo...
Meu corpo tem marcas da minha história, que construiram a minha vida.
Algumas cicatrizes, são profundas, atingiram a minha alma, minha essência... já outras, são superficiais, mas também têm algo a dizer sobre mim.
Nem de longe, meu corpo é perfeito, mas nada na vida é.  A forma, a textura, falam por si, sobre o resultado.
As rugas, são cicatrizes do tempo, as marcas no meu corpo, são cicatrizes da vida.
Cada corte na carne, cortou meu amor próprio de uma forma única, sendo que alguns deles, me elevaram e outros, me modificaram, enquanto uns tantos, me mortificaram...
O tempo imprimiu em mim (e continua agindo), sua lingüagem própria, que me transformou por dentro e por fora.
A vida, imprimiu em mim (e tomara que não pare de fazê-lo), o significado de conquistas, de lutas vencidas, de males sanados, de amores correspondidos ou não, de frustrações, angústias, mas também de momentos únicos, felizes e memoráveis...
Meu corpo não é perfeito. Mas qual seria a vantegem disso, se eu não tivesse uma vida pra contar, uma história já vivida, uma estrada percorrida e tantas descobertas ainda...
Minh' alma, não é, nem pretendo que seja, a perfeição, mas também há beleza numa colcha de retalhos, não?
Tenho muitas cicatrizes, mas meu coração, intacto, ainda pode amar, sorrir, chorar por inteiro, porque continua intocado!

Boa noite!
 
 

domingo, 17 de junho de 2012

Diferente

Podia ter sido um sábado qualquer, mas ao agregarmos valores diferenciados, fizemos daquele dia, um marco, um momento mágico e especial.
Foi um almoço simples, só nós (dois casais), dos quais, um bastante jovem e o outro casal, já na terceira idade, mas não havia diferença na nossa harmonia.
Gestos como o amor que temperou o molho e a massa, ou a foto da mesa repleta de garrafas vazias de vinho, mas que não foram consumidas todas naquele dia, só para nos fazer rir... a faca de guerra, que o mais velho presenteou ao mais jovem, a capa da mãe da mais nova, presenteada a mim, que fiquei muito emocionada... até o conjunto de cachimbos, que foi dado de presente ao "cozinheiro"...
Enquanto saboreávamos o vinho, o nosso cozinheiro nos cortejava, com histórias de vida, que nos embevecia e divertia...
Tudo muito simples, mas com valores agregados, que jamais serão esquecidos por nós.
O licor de morango e o sorvete de chocolate, coroaram aquele almoço guarnecido por macarrão, molho de carne moída, polenta e salada de folhas verdes...
Podia ter sido um sábado qualquer, mas quando o envolvemos por nosso amor, por nosso carinho, o transformamos num sábado único, diferente.
Isso me remete à conclusão de que a vida é bela no simples, mas nós é que insistimos em buscar sofisticação, quando o singelo faz tanta beleza...
Pode ser que a gente nunca mais consiga outro sábado como o de ontem, mas a lembrança dele, jamais se apagará dos nossos corações!
Como foi lindo esse sábado diferente!!!

Boa noite!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Camaradagem

Certa vez, recebi uma mensagem, acho que dessas atribuidas a monges tibetanos, e lamas, que aconselhava namorarmos com alguém com quem a gente possa contar não para fazer amor, mas para conversar porque é o que mais faremos no final da vida.
Se o conselho é tibetano, chinês, turco, americano, brasileiro, não faz a menor diferença. O fato, é que o passar dos anos, modifica nossos valores e outros interesses passam a ser priorizados.
Realmente, hoje, dia dos namorados no Brasil, eu me pergunto o que eu desejava há dez, vinte anos atrás, e noto que meus desejos não são menores, melhores, ou piores. São diferentes. 
Naquele tempo, provavelmente eu estaria desejando um presente, um beijo na boca, uma noite ardente de sexo, com direito à luz de velas e música ao fundo. Hoje, eu quero simplesmente estar com o meu namorado, para conversarmos sobre nossos sonhos, nossa vida juntos.
Ah, mas vão perguntar e, por que não sexo? Claro que também vamos nos amar! Mas se não for hoje, pode ser amanhã, ou na semana que vem, porque agora, a prioridade, é estar junto e não dentro! Risos...
Os desejos, continuam, apesar de dizerem que se dissipam. O que muda, é o foco.
Antes, há algum tempo atrás, o foco era o prazer daquele momento; Aqui, o que conta é o que se perpetua dentre os sentimentos mais cristalinos, somente alcançado por quem amadurece e pode vislumbrar outros prazeres que não o da carne e do momento.
Com a idade avançando, a gente tem tantas outras premissas, que sexo passa a ser conseqüência e não causa! 
O que realmente importa, é a camaradagem, a cumplicidade.
Mas pela manhã, ao me acordar, quando ele me disse "feliz dia dos namorados, amor; eu te amo", ah... não tem preço! 

Bom dia!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sonhando

Sonhar os meus sonhos, seria exigir muito de si. Mas nossos sonhos, os seus e os meus, juntos, transformam-se numa realidade que dispensa explicações.
Sonhamos o entardecer do outono, entre as folhas que caíram pelos caminhos que trilhamos, mas ainda mantemos o calor da última primavera que vivemos.
Sabemos o que somos, porque a vantagem que temos, é o tempo que nos ensinou tanto para chegarmos até aqui.
E então, poderíamos nos perguntar, por que sonhar, quando a nossa vida não precisa mais de aventuras e sim de concretizações?
Ah... porque sem os sonhos, não edificamos!
Você precisa. Eu mereço!
Não servem apenas pensamentos... os sonhos são mais nobres, porque não racionalizam, apenas são.
Atitudes, ainda que necessárias, são reflexo de análise de risco, enquanto o sonho, meramente acontece. Ou não!
Assim, seguimos nossos próprios passos, buscando que se repitam quando são bons, mas voltamos sobre eles, se são ruins...
Como serão nossos sonhos amanhã, quando estivermos juntos? 
Não farão diferença, porque são sonhos, mas sem eles, seremos sem dúvida, diferentes do que somos hoje.
Sonhar é igual a amar: ou se ama, e se sonha, ou simplesmente se espera, porque sem o amor, não sabemos sonhar!

Boa noite!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Saudades

Hoje foi um dia muito especial, para muitas mulheres. O dia em que comemoramos a maternidade.
Minha mãe, não está mais aqui. Senti muito não poder ligar para lhe cumprimentar...
Este é o segundo ano que a sua ausência, nesta data, me faz sentir o peso da saudade que sinto dela.
Sua presença, mesmo que ela não acreditasse nisso, era marcante e pontuada. 
Minha mãe não tinha idéia da força que tinha!
Aliás, muitas vezes, brigamos, porque eu detestava, quando ela se fazia de vítima, porque sempre a vi como uma fortaleza, porque enxergava e sabia aquilatar o poder que ela insistia em negar.
Era capaz de congregar, ou desagregar, com uma agilidade, que me deixava sempre impressionada.
Ela era dona de uma sutileza nada sutil, ou leve... sabia pesar muito bem todas as possibilidades, quando tinha um objetivo.
No entanto, era a dona de uma ingenuidade, de uma pureza, que não passava desapercebido a ninguém.
Minha mãe era generosa com aqueles que julgava desprotegidos, e não media esforços para assumir para si, a responsabilidade de guardá-los.
Tinha uma simplicidade para lidar com as situações mais complexas, que a fazia única.
Hoje, eu ligaria para ela pela manhã, nós nos cumprimentaríamos, depois, meu filho levaria um presente para ela e almoçaria com ela, que mais tarde, me ligaria, para contar o que ganhou do neto. Aliás, todos os netos levavam presentes para ela, no dia das mães...
É, a minha mãe deixou muitas saudades...
Desejo que todas as mães sejam felizes com seus filhos!

Bom dia!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Contraponto

Procuro esvaziar meus pensamentos, na tentativa de me arrancar desse torpor... 
Estou sem estímulo. Sem coragem para seguir em frente. Por que você precisou ir agora?
Eu não fazia idéia do quanto seria difícil e que me faria tanta falta... não posso sofrer tanto em nome de um passado, uma história, que não vai se repetir.
Meus temores, se acumulam na incerteza dos passos que não posso dar, mas ao mesmo tempo, me impedem de seguir, ainda que para me aventurar.
São sonhos que jamais vão se realizar, porque sua persistência neles, me conduz a uma realidade que não consigo enxergar.
Em contraponto, a vida urge fora de mim e aqui dentro, por mais seguro que seja, não me acrescenta novos horizontes e o medo me estanca.
Sem forças, levantar e seguir, são atos impraticáveis, e fico eu aqui, como zumbi, vagando entre o real e o imaginário, perdida nas mesmices.
Quanto tenho a fazer... quanto consigo executar?
Medidas de uma dor que não passa. Não me deixa!
Nada me vislumbra oportunidade e sem você, o cinza se instalou. O frio penetra aos poucos, mas o vazio já é absoluto.
Olho em torno e não vejo nada ou ninguém capaz de substituir a sua forma, o seu tom...
Ouço o meu coração e me deparo com tanta dor, que melhor seria ser surda a ele.
Quem poderá me salvar, se você não me vê?
Quem virá me resgatar de mim mesma, se você já não se importa?
Quem vai amparar meus passos, tão débeis e frágeis, que não passam de arremedo de caminhar?
Ah, tudo o que eu queria agora, era poder esvaziar meu coração, pois meus pensamentos, até consigo por alguns instantes, mas ele não.
Nem posso pedir para voltar, porque você não virá. Não me ouve mais... está longe demais para poder fazê-lo.
Também não adianta gritar, porque calado o meu amor, desse jeito, não tenho ousadia para enfrentar esse silêncio.
Queria ir com você, para me sentir mais segura... e nem isso me é concedido...
Preciso respirar para viver, mas até isso está no limite da dor e ai, só consigo fazer o suficiente para não enlouquecer.
Vou ficando minguada em mim mesma, sem brilho ou cor que me valha a luz que pensava ser minha...
E você? Por que tinha que desistir agora?

Bom dia.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Busca

Ela sentia medo da solidão, se apavorava, com a idéia de viver só, sem um amor.
Seu corpo clamava por uma paixão, que confundia com sexo, de forma desordenada. Seu corpo lhe cobrava aquela sensação. Era como um vício...
Ela chorava, porque todas as buscas, sempre acabavam em gavetas desarrumadas, e o vazio era sempre maior...
Sonhava com o príncipe encantado, que até podia ser desencantado, mas precisava ficar. Era muito importante que viesse para ficar.
Isso não podia acontecer eternamente. Cada vez que conhecia um homem, pensava que fosse para sempre, mas outra vez, ele se ia, do mesmo modo que tinha vindo e a deixava cada vez mais sozinha, desamparada e se sentindo um lixo.
Nova busca, nova esperança, novo alento e novamente o eco do nada...
Quando ela conheceu-se a si mesma, descobriu o amor. A princípio, timidamente, avaliando se seria possível, com medo daquele sentimento que a consumia por inteiro, mas aos poucos, quando o amor próprio foi crescendo e lhe envolvendo, transmitindo-lhe segurança, começou a gostar da brincadeira.
Tornou-se forte, determinada e seletiva.
Buscando a si mesma, descobriu que se bastava e melhor, que podia dizer não. Podia desistir e não faria mais diferença, porque ela estava ali, única, compacta, pronta como a rocha, a receber o impacto da água, sem contudo demover-se.
E então, descobriu a felicidade que tanto almejou.

Boa noite!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Covardice

Ontem, percebi que você tem muito medo.
Tem medo de amar, envelhecer, viver...
Olha, não adianta eu dizer que estou aqui para sempre, se você não pode investir, porque tem medo que eu não esteja; Não tem como!
Você não consegue manifestar amor, porque ama demais! 
Tem tanto medo de perder seus entes queridos, que prefere negá-los. Ilusória essa sua capacidade de desdenhar, para não sentir a perda.
Você diz que não é ciumento, mas alfineta o tempo todo. Dá indiretas, comenta, sorri, mas enquanto isso, avalia se estou ou não, realmente me importando com o alvo das suas investidas; Claro que é ciúme!
Diz que nunca amou ninguém, mas é mentira! 
Ama seus filhos, mas os mantém afastados, porque se perdê-los, já estará acostumado à ausência deles.
Seu medo de perder é tão grande, que prefere afirmar que não ama, porque assim, se um dia não for mais possível, pensa que será mais fácil se refazer.
Afirma que não vai esperar a morte, se tiver que depender de alguém, porque tem medo da dependência, não por ela, mas porque se alguém te faltar, não se perdoará por ter se permitido.
Na verdade, o que você tem é covardice. 
Medo de me amar, porque não pode conviver com a incerteza do meu amor. Não saberia o que fazer, se me perdesse, então, mais seguro manter a distância.
Bobagem! Quanto mais você estiver comigo, menos estarei longe de você.
Alguém um dia, disse que viver é mergulhar de cabeça, em queda livre. Amar também!

Bom dia!