sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Finalidade

Ele subiu no muro, para ver quem era a dona daquele sotaque paulista de voz macia.
Ela olhou para cima e viu o par de olhos azuis, mais lindos que já tinha visto.
Esse foi o início de tudo!
Ele, tinha dezesseis anos; Ela quatorze.
Ele era mineiro, ela paulista.
Duas crianças, mas já com histórias de vida, ainda que diferentes, ambos conheciam pobreza, falta de oportunidades, sacrifícios, mas enfrentavam tudo com a leveza da ingenuidade, até porque, seus sonhos, nunca eram maiores que os passos que podiam dar.
O bolo de 15 anos dela, foi ele quem fez e lhe deu de presente, um anel de prata, com o "N" do seu nome gravado.
Quando foi embora, o pai dela proibiu o namoro, mas quatro anos mais tarde, se reencontraram.
Sonharam juntos, investiram juntos, acreditaram juntos.
Superaram juntos, todas as dificuldades e tiveram três filhos, na verdade, quatro, porque adotaram mais um.
Essa poderia ser uma boa história de amor, para ser contada como um conto de fadas, mas foi real; Real demais, para terminar com o final feliz... 
O sotaque paulista que tanto chamou a atenção dele e o encantou, lhe acompanhou por 64 anos...
Os olhos azuis mais lindos do mundo, velaram por ela, já lacrimejantes, até o último minuto...
Houve sofrimento em não raras situações, mas houve também muitas alegrias e momentos inesquecíveis...
O amor dela, por ele, era incondicional. O amor dele por ela, cuidava, assistia, provia, acolhia, compreendia, protegia...
Quando ela se foi, ele se sentiu abandonado, traído, porque ela era mais forte e poderia passar por isso. Ele não!
Mais tarde, ele também partiu, mas não soube se ela estaria esperando por ele...
Hoje, os filhos estão à deriva, porque era o amor deles que os guiava.
O amor que os manteve ligados por toda uma vida, também os manteve separados no fim da vida. Por pouco tempo, mas teve o peso da eternidade.

Bom dia!        

sábado, 13 de outubro de 2012

Mortalha

Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Tenho certeza!
Não basta amar, mas há que saber cultivar e manter vivo o amor.
A mortalha, me cai bem... até porque, o fim de tudo está encerrado nela.
Não vou desistir de mim, mas já desisti de nós. Simplesmente, por falta de irrigação, manutenção, cultivo.
Você, não merece minhas lágrimas, que há muito deixei de derramar.
Eu, não preciso me expor, o que também deixei de fazer a bom tempo.
De nós, o que restou? Nada, não é mesmo? Nem cinzas, para como a fênix, poder renascer...
Então, pra que insistir na manutenção de algo que não fez bem a ninguém?
Corrigindo: por que insistir em algo que só fez bem a você, sendo que fiquei no prejuízo do tempo perdido e do amor que lhe dediquei, sem a menor retribuição?
Ah, te amei muito! E como! Pra que?
Seu egoísmo, tornou meus dias mais densos, nebulosos...
Sua falta de zelo e dedicação, fizeram de mim, alguém sem motivação e sem foco, porque você era uma cortina de fumaça, que insistia em me mostrar a lua, quando na verdade, nem a ponta do dedo era real!
E, como sempre, sigo o meu funeral de sonhos... mais sonhos morridos, mais esperanças finadas...
Sou forte, bem plantada, então, quem vai chorar nesse enterro, será você, porque em mim, a mortalha cai bem.
A morte é o renascer das forças, das perspectivas, dos sonhos, o que a faz bem vinda neste momento.
Morra de vez em mim, para que eu siga em frente e, como você tem se mostrado especialista em matar o afeto das pessoas por você, não terá nenhuma dificuldade em terminar o que começou.
Vá em frente!
Mate este amor moribundo, para que eu renasça revigorada das mágoas e ressentimentos causados por todas as decepções que me deu.
A mim, uma vez findado este velório dos sentimentos verdadeiros que lhe dispensei, restará a sobriedade dos loucos capazes de amar incondiscionalmente, o que você não pode sequer imaginar a grandeza e maravilha que é ter essa capacidade, porque nem a si mesmo é capaz de amar!
E por que afirmo que não é capaz de amar a si mesmo? Olhe-se no espelho e responda com honestidade, se você ao menos cuida de si mesmo, da sua aparência, da sua saúde e verá, quanta falta de amor habita em você...
Pensando assim, acho até que a mortalha, fica melhor em você do que em mim! Risos...
Então, não se dê o trabalho de morrer por mim, porque nem por você eu morreria agora!

Boa tarde!

domingo, 23 de setembro de 2012

Refazendo

Reescrevendo caminhos já antes sopisados, reencontro vidas que então não tinha valorizado.
Refaço os bons e maus passos, mas agora, vejo a mesma paisagem com outros olhos, como se ela tivesse mudado a roupagem e não eu o ponto de vista.
Busco leveza nas pedras que emolduram o caminho, mas seu encanto consiste na sua força, no seu peso contra a natureza; A minha natureza.
A trilha agora escolhida, me parece mais íngrime, mais árida, mas ainda assim, resguarda o dourado de um sol antes desconhecido por mim. Ou seria esquecido?
Os sonhos já realizados, deixaram de ser sonhos. Não contam mais; não motivam.
Ontem, fui me buscar, me trouxe de volta!
Hoje, quero novas experiências, novos desafios. 
Eu quero: eu posso!
Descumpri todas as promessas, e não posso empenhar mais nada. Melhor assim, porque só posso contar comigo.
Desfiz todos os projetos: Começo de novo.
Novos rumos me atraem, até porque, preciso experimentar outros sabores e escolher o que melhor agrada meu paladar, que hoje é diferente. 
Sou agora, mais seletiva nas escolhas, ainda que por isso, eu pague mais caro. Estou na era da qualidade. Quantidade, não abastece minha busca.
Não devo temer os novos caminhos, afinal, são velhos conhecidos, com paisagens revistas, e eu vou refazendo as trilhas e reconstruindo a minha história, como deve ser e como sempre foi...

Boa tarde! 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Interessada

Seu jeito de me amar é único e muito estranho:
A sua ousadia, em dizer que jamais vai anunciar ao mundo, que é meu namorado e em seguida, dizer que me ama com exclusividade, é inusitado, até porque, realmente, nunca vi ninguém agir como você.
A importância que você dá, ao que não faz a menor diferença, é o que faz tudo se tornar especial e ao mesmo tempo, faz com que eu me retire da cena, com cara de criança boba, porque ninguém consegue não ser ingênuo ao seu lado!
Você se torna um gigante, quando quer convencer, e qual criança, não olharia para um gigante, com admiração e veneração?
Ora, o que me importa, se você nunca levou ninguém antes de mim, aquele restaurante? O que me importa, o que você fez na vida, antes de mim?
Sinceramente? Nada!
A mim, o que importa, é o que você faz hoje por mim e para mim. O que tem valor, é o que eu represento na sua vida, hoje! 
Dou mais importância ao fato de você admitir, enquanto a gente estava conversando (brigando, na verdade), e olhando para aquele mar calmo e lindo, ao pôr do sol, que precisa de mim, do que qualquer outra coisa neste mundo. Isso conta!
Se você é pobre e sonhador, me interessa!
Se você é feliz ao meu lado, se gosta da minha companhia, se me quer por perto, me interessa!
Se você se sente melhor dividindo uma única taça de vinho comigo, a tomar o vinho mais caro ao lado de um grande amigo, isso é o que me importa!
Enfim, você me acusa de possessiva, quando na verdade, sou meramente, convicta de valores que não são os seus. O que você vê em mim, mas também o que eu vejo em você, me interessa, sob todos os aspectos.
Portanto, não duvide, se você não toma atitude, tomo eu e, caso não tenha percebido, já estou tomando atitude!
Enquanto você se diz constrangido, quando eu pago a conta do restaurante, eu me sinto lisongeada por fazê-lo, pois bem sei, que jamais você, orgulhoso como é, permitiu isso a mulher nenhuma na sua vida, mas eu não peço permissão. Apenas vou até o caixa e pago a conta. 
E não se sinta ofendido, por eu dizer isso aqui, porque o que importa, é o prazer que eu sinto, por fazer isso, para te mostrar que definitivamente, sempre será surpreendido por mim, através de pequenos gestos, ou grandes atitudes.
Sempre estarei atenta para não permitir que sua vida seja entediante ao meu lado.
Admita, eu sou diferente, e é isso que faz com que você simplesmente não saiba mais viver sem mim!
Então, meu amor, se me quer de verdade, decida-se logo e faça com que as coisas aconteçam!
Não sou mulher de assistir passivamente ao desfile! Eu gosto é de suar a camisa na avenida. E você já devia saber disso.
Amei estar naquele terraço hoje, porque realmente, o lugar é belíssimo, mas acima de tudo, o que me deixou maravilhada, foi estar ao seu lado, ouvir você dizer que precisa de mim, e, para isto, não precisa que estejamos em lugares mágicos, mas tão somente, que você esteja feliz ao meu lado, como me sinto feliz (feito criança), ao seu lado.
Aponte para a lua, mas não sonhe cavalgar no dragão de São Jorge, porque enquanto isso, já estive lá, domei o dragão e voltei, com a espada cravada no seu coração, para que seja só e por inteiro meu, para o resto da eternidade!
De outro modo, se não for por inteiro, não me interessa!

Boa noite!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Silêncio

Pelo seu silêncio, constato o quanto era grande e verdadeiro o seu amor.
Vejo com tristeza, que realmente, investi num amor que só existiu em mim...
Durante todo esse tempo, me deixei iludir pela perspectiva de apontar a lua e não olhar para a ponta do dedo.
Nem todos os anos de experiência, puderam evitar a dor que sinto agora. O ato de entrega, pressupõe retomada, mas não pensei que ia doer tanto.
Sinto-me traída, roubada do meu tempo, do quanto acreditei, do quanto ilusoriamente me senti segura.
Ainda assim, persisto na determinação de não mais buscar você. É você quem tem o poder de decidir e dar o primeiro passo e, se não o fez até então, é porque preferiu se manter ai, na vida infeliz que você dizia ter. 
Será que era tão infeliz assim, ou só mais uma mentira que você sustentava?
Vejo que você não é quem diz ser. Então, se não é quem pensei que fosse, mais uma vez, não foi real. Foi uma fantasia - e só minha, o que vivemos.
Sigo, também em silêncio, porque minha decisão é preciosa para eu poder respirar sem o peso de esperar por você.
Vou caminhando, trôpega, é verdade, porque aprendi andar ao seu lado, mas ainda assim, sabendo que é o melhor que eu posso.
Mesmo preocupada com a sua saúde, prefiro pensar que não sou médica e você já tem quem cuide de si, não precisa, portanto, de mim. 
E, quando pela manhã, o telefone não toca (nunca mais tocou), eu abro os olhos e penso que cada eu te amo que você me dizia, era tão árido, quanto o deserto e dele não brotou nenhma flor para que eu pudesse cuidar, dispensando desse modo, a minha existência na sua vida. 

Bom dia!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Partida

E desta vez, não precisa olhar pra trás, porque não estarei na janela para lhe acenar.
Fiz questão de fechar bem a porta, para não cair em tentação e lhe dar outra chance!
Até hoje, lutei por nós. Que tola!
Agora, se tudo o que me disse é verdade, então é a sua vez de lutar.
Não quero que me venha dizer o que já disse.
Não espere que eu lhe compreenda, pois não tenho mais essa disponibilidade!
Siga em frente, colhendo seus fracassos interiores, porque a vida sempre lhe deu o que você buscou.
Se é determinado, então, poderá vencer mais uma vez. Contudo, nós dois sabemos que tudo o que lhe falta, é determinação!
Persista nos seus erros e termine seus dias vazios, espanando a poeira da solidão, que faz questão de alardear que lhe faz bem.
De minha parte, sigo o meu caminho, desta vez, como de outras, sem lamentar o que passou.
Se consegui antes, consigo agora!
Poderá ser mais difícil, porque o tempo determina a densidade da dor, mas não será impossível, como não foi de outras vezes.
Conheço o processo. Portanto, sei o que vou enfrentar.
Qualquer dor, é melhor que a incerteza, então, vou em frente.
Ontem, tomei a última taça de vinho sozinha (a dois), porque as próximas, tomarei sozinha, mas na melhor companhia, que é a minha própria!
Hoje, começo o meu caminho sem esperar nada. Melhor que isso, só a paz interior.
Me desfaço de laços que me mantinham atrelada a uma fantasia que não me permitia enxergar o amanhã.
Ah... o amanhã...
Como é bom saber que ele só dependerá de mim...
Vai! Continua a sonhar com o seu mundo etéreo, enquanto eu lhe dava o palpável que nunca lhe fez enxergar o quanto a realidade pode ser maravilhosa.
Adormece sem perspectiva, que seus dias serão breves.
Sonha com o possível, enquanto o real se dissipa da sua estrada.
Afaste-se do meu coração, pois ainda que lhe pertença, não mais terá como entrar nele.
Não foi por falta de aviso.
Esta será nossa útlima despedida, e, por maior que seja a dor da partida, a mim, ela indica um novo rumo, uma nova possibilidade para a felicidade, ainda que só...

Bom dia!

domingo, 5 de agosto de 2012

Basta!

Há tempos venho lhe dizendo que é a última vez. 
Há tempos, venho lhe dando outra chance, mais uma e outra...
Um de nós, tem que ter atitude. Que seja eu, se você não é capaz!
Um homem que se diz ferido de guerra, certamente aprendeu a ter iniciativa, e, se você não tem competência para definir a nossa vida, então, está explicado porque se deixou ferir na guerra!
Não há nós dois. Houve algum dia?
Claro que não! 
Me permiti, todo esse tempo, ser enganada por você, que vai cozinhando em fogo brando, me mantendo cativa, na forma mais torpe, porque tem o meu consentimento.
Se não vamos mais ser nós, não vou ficar aqui, sofrendo por alguém que não me vale tanto. Aliás, não vale mesmo!
Bom caráter, determinação, disciplina, compromisso, respeito, são qualidades que passam à larga de você.
Estou ferida de guerra, mas de uma forma mais danosa, porque não se vê onde a bala de fuzil, que estava camuflado com flores, me atingiu mortalmente.
Parece uma brincadeira com as palavras, mas você deve estar entendendo perfeitamente do que eu falo, até porque, você nunca me deu flores!
Seus dias ao meu lado, lhe foram leves e minha presença coloria sua vida. 
Por certo! Você tinha em mim, a platéia e os aplausos que precisa para alimentar seu ego atormentado.
Meus dias ao seu lado, foram pesados, e deles, vou levar a certeza de ser a única responsável pela minha dor, pois a permiti.
Não me ligue mais. Não me procure. Basta!

Bom dia!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Compartilhando

O telefone tocou e ele me disse com a voz ainda embargada, que tinha chorado muito.
Quando perguntei porque chorou, se tinha acontecido alguma coisa, me contou que esteve conversando com a irmã mais velha e que recordaram momentos da infância, os quais ele já havia esquecido.
A história em si, é engraçada, porque quando era ainda muito pequeno, disse à mãe que estava com fome e, para lhe ensinar independência, a mãe lhe entregou algumas moedas e lhe disse que podia ir sozinho ao mercadinho perto de casa e comprar o que quisesse.
Feliz, ele saiu levando consigo, duas sacolas enormes e todo feliz, foi às compras. 
Contou que pensava, que se podia comprar o que quisesse, então, melhor seria levar logo duas bolsas das grandes!
Guloso, como toda criança, pegou presunto, queijo, pensou que desta vez, não ia comer margarina, mas manteiga, que na época, era muito caro! Também colocou nas bolsas, doces e outras delícias para ele, que estava se achando poderoso, com o tilintar das moedinhas nos bolsos...
Passou uma boa hora entre as gôndolas. Finalmente com as sacolas abarrotadas, se dirigiu ao caixa. 
Quando o dono do estabelecimento lhe disse o valor da compra, não tutibeou e estendeu-lhe a mãozinha pequena, contendo as moedinhas que a mãe lhe dera. Ele não conhecia o valor do dinheiro!
O homem, muito zangado, lhe disse que não era suficiente para pagar o que ele havia comprado e, como não tinha mais dinheiro, educadamente, e constrangido, aliás, muito sem graça, disse então ao homem, que lhe desse somente o que o dinheiro pudesse pagar.
O homem, não se fez de rogado e disse que primeiro, ele deveria devolver às prateleiras, tudo o que havia pegado.
Embaraçado e se sentindo humilhado, ele levou mais umas duas horas, para colocar tudo no lugar.
Preocupada, sua mãe foi com a irmã, ao mercadinho, procurar por ele. Quando chegaram e viram o menino reorganizando tudo, perguntaram porque ele estava fazendo aquele trabalho, ao que ele prontamente esclareceu o que havia sucedido.
A mãe lhe explicou então, que era para ele comprar o que quisesse, pensando que ia comprar um doce, ou algo do gênero e não todo o mercado!
Muito inteligente, ele se dirigiu ao dono da mercearia e perguntou o que dava para adquirir com as moedinhas, ao que o homem respondeu que dava para comprar certa quantidade de margarina.
O pequeno, imediatamente, perguntou quanto de manteiga daria para levar, ao que o homem lhe disse que só daria para comprar a metade do que levaria em margarina, ao que de pronto, com oito anos, ele retrucou, ainda que fosse pouco, preferiria a manteiga, pois de algum modo, teria que ver seu desejo satisfeito, mesmo que começando com menos! 
Isso é que é determinação! 
Mas estou contando isso, porque o mais importante, foi ele ligar para compartilhar comigo!
A margarina, pode até ser mais barata que a manteiga, mas ele ter dividido essa lembrança comigo, não tem preço!

Boa noite!

sábado, 14 de julho de 2012

Cicatrizes

Meu corpo tem muitas cicatrizes.
As marcas que o tempo me fez.
Umas, para salvar minha vida, outras, para perdê-la!
São sinais que marcaram meu corpo e minh' alma...
Algumas eu quis, outras, me foram impostas...
De umas, me orgulho, outras escondo...
Meu corpo tem marcas da minha história, que construiram a minha vida.
Algumas cicatrizes, são profundas, atingiram a minha alma, minha essência... já outras, são superficiais, mas também têm algo a dizer sobre mim.
Nem de longe, meu corpo é perfeito, mas nada na vida é.  A forma, a textura, falam por si, sobre o resultado.
As rugas, são cicatrizes do tempo, as marcas no meu corpo, são cicatrizes da vida.
Cada corte na carne, cortou meu amor próprio de uma forma única, sendo que alguns deles, me elevaram e outros, me modificaram, enquanto uns tantos, me mortificaram...
O tempo imprimiu em mim (e continua agindo), sua lingüagem própria, que me transformou por dentro e por fora.
A vida, imprimiu em mim (e tomara que não pare de fazê-lo), o significado de conquistas, de lutas vencidas, de males sanados, de amores correspondidos ou não, de frustrações, angústias, mas também de momentos únicos, felizes e memoráveis...
Meu corpo não é perfeito. Mas qual seria a vantegem disso, se eu não tivesse uma vida pra contar, uma história já vivida, uma estrada percorrida e tantas descobertas ainda...
Minh' alma, não é, nem pretendo que seja, a perfeição, mas também há beleza numa colcha de retalhos, não?
Tenho muitas cicatrizes, mas meu coração, intacto, ainda pode amar, sorrir, chorar por inteiro, porque continua intocado!

Boa noite!
 
 

domingo, 17 de junho de 2012

Diferente

Podia ter sido um sábado qualquer, mas ao agregarmos valores diferenciados, fizemos daquele dia, um marco, um momento mágico e especial.
Foi um almoço simples, só nós (dois casais), dos quais, um bastante jovem e o outro casal, já na terceira idade, mas não havia diferença na nossa harmonia.
Gestos como o amor que temperou o molho e a massa, ou a foto da mesa repleta de garrafas vazias de vinho, mas que não foram consumidas todas naquele dia, só para nos fazer rir... a faca de guerra, que o mais velho presenteou ao mais jovem, a capa da mãe da mais nova, presenteada a mim, que fiquei muito emocionada... até o conjunto de cachimbos, que foi dado de presente ao "cozinheiro"...
Enquanto saboreávamos o vinho, o nosso cozinheiro nos cortejava, com histórias de vida, que nos embevecia e divertia...
Tudo muito simples, mas com valores agregados, que jamais serão esquecidos por nós.
O licor de morango e o sorvete de chocolate, coroaram aquele almoço guarnecido por macarrão, molho de carne moída, polenta e salada de folhas verdes...
Podia ter sido um sábado qualquer, mas quando o envolvemos por nosso amor, por nosso carinho, o transformamos num sábado único, diferente.
Isso me remete à conclusão de que a vida é bela no simples, mas nós é que insistimos em buscar sofisticação, quando o singelo faz tanta beleza...
Pode ser que a gente nunca mais consiga outro sábado como o de ontem, mas a lembrança dele, jamais se apagará dos nossos corações!
Como foi lindo esse sábado diferente!!!

Boa noite!