quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Cotidiano

Não sei o que fazer do meu dia. 
Não que não tenha o que fazer, mas estou desmotivada, sem algo que me impulsione para restaurar minhas forças e me devolver a confiança em mim mesma.
Acho que isso é envelhecer...
Estou conformada que a beleza física tenha ido embora, que o sorriso não seja mais o mesmo, que os cabelos não tenham mais o mesmo brilho...
Ou seria acomodada?
Não me importa mais, a falta de perspectiva, mas não que eu tenha desistido de mim... longe disso!
Apenas não está acontecendo nenhum fator externo que me motive e inspire. E não estou disposta a mudar isso no momento, ainda que esteja atenta a tudo a minha volta.
Pensei em fazer um curso de pintura em tela, mas não me vejo manejando telas, tintas e pincéis...
Também tenho pensado em voltar a trabalhar, mas ainda tenho tanta coisa para organizar na minha casa, onde preciso que esteja tudo em ordem para poder me encontrar e situar...
Claro que é passageiro, mas até quando? Preciso me mexer!
Precisar, preciso, mas cadê coragem? Risos...
Não é preguiça, que não sou afeita a isso... 
É anestesia mental, mesmo... estou improdutiva mentalmente... nada que eu faça, me tira desse torpor...
Todas as vezes que eu sofri um baque, logo me reergui e segui em frente, mas desta vez, está demorando mais... está mais difícil... acho que é a idade, ou a mudança não me fez bem!
Mudar de Florianópolis, mexeu muito comigo, mas a bem da verdade, lá também eu já me encontrava assim, sem ver a luz no fim do túnel.
O momento político (que é um assunto que me fascina), também tem me deixado apreensiva, mas nem isso me conecta com o mundo real... estou sem conexão com a vida...
Mais um dia, mais um desafio e, como tem que ser, vou buscando caminhos alternativos para me reencontrar. 
Vou conseguir, porque sempre consegui e agora não vai ser diferente, porque sou positivista e sei que é questão de tempo para retomar meu ritmo.


Bom dia!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Existência

Enfim, o ano começa e descubro que tudo está exatamente como deve ser.
Fiquei sabendo que ele estava com outra pessoa, mas que ela não aguentou a sua infantilidade, apesar dos seus 80 anos e o deixou.
Pensou que fosse fácil? Acreditou mesmo que qualquer uma teria a paciência que eu tive, por todo o tempo que passamos juntos?
Tenho certeza que era feliz ao meu lado, mas não sabia... ou, se sabia, não valorizou...
Agora, sigo com meu coração em paz, refeita das angústias que ele me impunha, com suas mentiras e sua falta de caráter.
Não tenho planos e gosto que seja assim, prefiro que a vida me surpreenda...
Sonhos e projetos me motivam, mas nada que valha o esforço de tentar conduzir o destino. Tudo acontece na hora certa.
Vou seguindo, porque a vida continua e é bom saber que hoje vou fazer sorvete de chocolate para o meu neto.
Meus "filhotes", Anastácia, Belizária e Claudionor, estão estirados na sombra do quintal, para tentar minimizar o calor, que aqui é infernal, e o silêncio da casa me deixa preguiçosa, mas sem ansiedade, a vida se torna mais leve.
Me supero a cada dia e reinvento a vontade de viver, mesmo sem muitas aventuras, afinal, a vida por si só, já é uma caixinha de surpresas...
O que será que este ano me reserva? Não penso muito nisso e vou seguindo em frente, porque isso é bom. Viver é bom!

Boa tarde!


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Poema

Carinhos (escrito em Florianópolis, em 27 de agosto de 2002).

São carinhos,
caminhos e flores,
cores, cheiros e amores.
São carinhos,
o colo e o abraço
o beijo e o aconchego...

Carinhos são sorrisos,
olhares comprometidos,
confidências...

Cúmplices, são os carinhos.
Ouvidos, cantados, encantados,
mágicos sons.

E o rochedo recebe o mar,
num afã de carícias únicas,
onde são testemunhas,
sol, terra, estrelas e lua.

Carinhos são o céu,
coalhado de flores, 
o solo cravejado de estrelas
e os homens, colhendo amores...


Boa noite!

Ciúme

Ele os apresentou. Então, ela ficou ali, conversando e dando atenção exclusiva ao amigo, porque vinha da parte dele.
Por sua vez, ele tinha mesmo muitos convidados para atender e nem passava pela cabeça dela, que ele lhe desse atenção, a menor que fosse.
Como são sedutores os homens inteligentes!
Em poucos minutos, o amigo fez com que se sentisse à vontade, mesmo com a barreira dos seus idiomas.
Seu vocabulário italiano era muito limitado, e ele não falava uma única palavra em português, então, lhes sobraram as mãos, o sorriso, o olhar...
Quanta cumplicidade pode existir entre dois desconhecidos que não falam a mesma lingüa!
O assunto, apesar de tudo, era ameno, agradável e discutiam a justiça no Brasil, sem maiores pretensões.
Ele, por sua vez, estava atento, mas distante e ocupado com os demais convidados, sofria impossibilitado de vir participar da conversa alegre.
Pediu a ele, que servisse vinho ao amigo, mas se fez de desentendido e não serviu. O amigo, por iniciativa própria buscou as taças e os serviu do vinho gelado, que, abundante, trazia descontração ao ambiente.
Uma amiga contou, que ele não descuidava e, quando o amigo lhe entregou o cartão de visita, ele ficou angustiado, mas ainda assim, não podia do nada, interceder, enquanto aumentava o seu desconforto.
Num rompante, ele informou aos convidados que a reunião tinha acabado e que todos poderiam se retirar! 
Ela não tinha como transmitir a ideia, do clima constrangedor, quando o anfitrião, sempre tão polido e simpático, colocou as pessoas porta à fora, sem maiores justificativas...
Enquanto o amigo ainda tentava estabelecer vínculos, ele praticamente o tomava pelo braço e indicava a saída.
Ela buscou pela amiga, para se retirarem, mas enquanto ele recolhia as taças, ela se aproximou e tocou seu braço, sussurrando que tinha a intenção de ficar ainda um pouco com ele, quando num passe de mágica, ele quedou doce outra vez e disse que ela podia ficar.
Ele estava mortificado pelo ciúme!
Ela nunca mais soube do amigo...

Bom dia!

Avaliação

Esse texto foi escrito no final de janeiro de 2013, mas na época, fiquei na dúvida se publicava ou não, para evitar minha exposição ou possível conclusão por parte do protagonista, razão pela qual, só agora eu publico.

Louca, eu? 
Incrível, como quando a gente pensa, faz escolhas, assume riscos e se atira na vida, de cabeça, as pessoas desconversam, não é com elas!
Tive um relacionamento de dois anos e pouco, com um homem bem mais velho, que era mentiroso contumaz e habitual, porque ele precisa mentir, para sobreviver, com tantas mulheres que ele envolve, enreda e engana.
Na minha terra, isso tem o nome de 'mau caráter', mas enfim, para ele, é um modo de vida!
O que o leva a uma vida de mentiras, são diversos fatores, mas a mim, não chegavam a incomodar, porque na verdade, eram tão infantis e imaturas, as suas mentiras, que eu acabava descobrindo a grande maioria delas, e isso, só contribuía para que eu fosse me desencantando a cada nova mentira.
Durante todo o tempo do relacionamento, em que ele me jurava amor exclusivo (como fazia com as outras), eu ia surpreendendo suas mentiras, suas desculpas esfarrapadas e, por algum motivo, ia perdoando, ia passando por cima... ficava na bronca básica, e mostrava que ele não tinha me enganado, e tocava o barco, mas sempre avisando a ele, que se me desrespeitasse, eu não reagiria com tanta benevolência.
Ele me desrespeitou a primeira vez, fazendo pouco da minha pessoa, num almoço, repleto de amigos dele, com jornalistas de todo lugar do mundo, e então, eu analisei o contexto, levei tudo na brincadeira e, chegando em casa, avisei que não deveria repetir o que tinha feito, porque corria o risco de eu revidar e teríamos um espetáculo, que hoje entendo, para sua cara de pau, não faria a menor diferença!
Me desrespeitou a segunda vez, na ceia de Natal, na presença de amigos meus, quando passou a noite, a desfiar meus defeitos e me criticar, em coisas que não tinham a menor importância, mas ainda assim, tentava me diminuir, aos olhos dos meus amigos e na minha casa!
Quando nos encontramos, alguns dias depois, porque entre o Natal e o Ano Novo, ele teve tantas reuniões (mentirosas), tantos compromissos com amigos (mulheres outras que ele enganava igualmente), que só nos vimos no dia 9 de janeiro, quando eu disse que não haveria a terceira vez e, quarenta minutos depois da nossa conversa, lá estava ele, fazendo a mesma coisa, na casa de amigos meus, como se eu não tivesse a menor importância, no seu conceito - e, claro que eu não tinha, senão, ele teria mudado sua postura e conduta.
Brigamos e ele saiu sozinho, o que me levou a pensar se eu precisava disso... quando cheguei em casa, mandei uma mensagem para ele e o deletei de todos os meus contatos virtuais e pessoais, pois dei o caso por encerrado e resolvido.
Para minha surpresa, dei de cara acidentalmente, com uma troca de correspondência entre ele e uma amiga minha, onde ele, que não é psiquiatra, nem psicólogo, portanto não tem competência para me avaliar, afirmava que eu era louca, mentirosa e que não me encontrava bem emocionalmente!
O que mais me deixou irritada, não foi a sua opinião sobre mim, porque não dou importância ao que não tem importância, mas ao fato da minha amiga, concordar com ele (segundo ela, para não esticar o assunto), quando tanto quanto eu, ela sabe que eu não minto e o mentiroso é ele e, que de louca, eu não tenho nada, exceto o fato de ter dado a esse homem, dois anos da minha vida, investindo num relacionamento que ele não fez a menor questão de cultivar e respeitar.
Se olho agora para o fato, é que isso tem me incomodado, de algum modo, porque realmente, eu fui louca! Louca por me doar tanto! Louca, por ter tido tanta paciência! Louca, por ter investido em alguém que não me merece!
Quanto a ser mentirosa, isso chega a ser hilário, vindo de um mentiroso patológico, porque ele mente por tudo e para todos, e, tentando mais uma vez me desacreditar, porque é disso que vivem os mentirosos, fazer com que as pessoas a sua volta percam a credibilidade, aos olhos de sua platéia, com o fito de se sobrepor e fazer com que seus ouvintes acreditem no mentiroso e não em quem fala a verdade, que não chegou sequer a me deixar com raiva, porque ele e eu sabemos, que o mentiroso é ele!
Na condição de não estar bem emocionalmente, devo admitir, ele estava certo, pois o meu convívio com ele, me adoeceu, tanto que me entorpeceu, a ponto de eu permitir que chegasse tão longe!
Então, agora, estou curada de todos os males! Terminei esse relacionamento mentiroso, com esse homem doente, que me deixava louca... 

Bom dia!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Trajetória

E dormindo eu sonhei.
Sonhei que caminhava pela praia, enquanto o sol me perseguia. Sob os meus pés, a areia úmida e eu não plantava nada, mas ainda assim, colhia o que encontrava pelo caminho.
Não sabia exatamente porque estava fazendo aquilo, mas não podia parar.
Colhia folhas secas trazidas pelo vento, conchas, pedrinhas e até tampinhas de garrafas. Nada era bastante bom, mas era o que eu tinha para colher.
Quando acordei, senti que tinha perdido muito de mim mesma por aquele caminho. 
Envelheci.
O tempo não foi muito generoso, porque me senti judiada, mal tratada... ingrato o tempo!
Não posso me sentir plena, quando o vazio é maior que eu. Não posso perseverar na caminhada árida, quando o solo me rejeita e quando me vejo nessas cercanias, sei que fiz o meu melhor, mas de nada valeu, pois não colhi os frutos que pensava serem bons.
Reflito sobre o sonho e sei que não foi bom, porque faltaram elementos que talvez estivessem lá, mas não podiam ser vistos por mim e só pude colher o que a natureza me permitia, isto é, só pedrinhas, folhas secas, tampinhas de garrafas e algumas conchinhas quebradas...
Esse é o meu legado.  
Não tenho do que reclamar, porque pelo menos eu fiz a caminhada, mesmo que a trajetória não fosse a melhor. 
Assim, prefiro seguir no meu silêncio para não confundir aqueles que por ventura tenham sonhos melhores que os meus.

Boa tarde!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sexo

Eu gosto de sexo.
Mas não sexo, pelo sexo. 
Gosto do ato de amar, com a cumplicidade que nasce da intimidade, da confiança, onde o corpo responde aos cheiros, à textura da pele, ao calor dos corpos que se transformam ao se unirem...
Gosto dos beijos molhados, do toque experiente de quem conhece meu corpo, exatamente porque conhece minha alma.
Para mim, sexo, tem que ser intenso e sem dimensões, o que só consigo, se estiver envolvida, me sentir segura e tranqüila, nos braços de quem me possui, não o corpo, mas a mente, o meu ser, como um todo.
Tive relacionamentos maravilhosos, com homens que me envolveram e se entregaram, como eu a eles, mas também, me entreguei a homens que não faziam a menor diferença, entre estar ou não na minha cama... tudo foi aprendizado.
Hoje, madura, constatei que não vale à pena, a menos que seja com envolvimento verdadeiro. Tem sim, que existir cumplicidade; tem que ter respeito por mim; Temos que construir confiança mútua; Tem que haver um sentimento maior entre eu e ele.
Verdadeiramente, não me interessam homens que estão preocupados com o que eu como, se vou engordar ou ficar magra, se vou ter bum-bum e peitos de virgem, porque o tempo, não perdoa! A gravidade, derruba tudo o que vê pela frente e com meus peitos e minha bunda, não é diferente! Estão descendo morro abaixo!
O mais interessante, é que também os homens envelhecem, ficam murchos, carecas, flácidos, ou barrigudos, mas não admitem, que o tempo lhes causem esses danos, porque seus espelhos, nunca lhes refletem a realidade; Continuam se enxergando como garotões malhadinhos, musculosos e com tudo em cima.
Não vou me condenar a passar a vida, com uma folha de alface e um copo d'água, quando me falta tão pouco tempo de saúde, que me permita, comer chocolate, tomar um bom vinho, apreciar um bom prato de massa...
Me recuso a viver escravizada pelo conceito equivocado das pessoas, em geral, que não se dão conta, que existe coisa muito pior que barriga, rugas e pelancas (no caso das magras), que é o câncer, a aids, o pânico, a pressão alta, a falta de amor próprio, o preconceito, o racismo, a falta de respeito, a violência doméstica...
A tudo isso, somando a aposentadoria (na maioria das vezes mingüada) e as doenças provenientes da idade, que chega para todos, eu gosto de sexo, mas já tive o suficiente nesta vida, para me conformar, se a terceira idade chegar, e eu não tiver ao meu lado, um companheiro que queira viver a vida intensamente, para fazermos sexo sim, com muito amor, não pelo meu corpo, que a terra há de comer (se bem, que devo ser cremada, depois de doar tudo o que ainda servir), mas amor, pelo meu ser, como um todo. 
Esse amor deve transcender!
Quero um amor, para fazer sexo, por amor, pelo resto das nossas vidas, mas só se for com alguém capaz de me amar por inteiro, com minhas qualidades e meus defeitos e não que me ame só pelo corpinho de vinte anos, que há trinta e seis, não tenho mais! 
Não quero me sentir tiranizada, pelo temor de não ser mais amada, quando olhar no espelho e vir que surgiu mais um fio de cabelo branco, ou que meu rosto ganhou mais uma ruga, e menos ainda, ao vestir o vestido que ele me deu só há dois meses, e deixou de servir...
Quero um amor essencial, que me complete e a quem devo completar, mas não pelas formas dos nossos corpos, que a idade há de implicar em decadência, mas pelos conteúdos dos nossos corações, nossas almas, refletidas uma na outra, pela parceria, pela decência, pela doação que haveremos de ser capazes, um para o outro.
Eu gosto sexo, mas gosto mais de mim!!!

Boa tarde!       
   

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Finalidade

Ele subiu no muro, para ver quem era a dona daquele sotaque paulista de voz macia.
Ela olhou para cima e viu o par de olhos azuis, mais lindos que já tinha visto.
Esse foi o início de tudo!
Ele, tinha dezesseis anos; Ela quatorze.
Ele era mineiro, ela paulista.
Duas crianças, mas já com histórias de vida, ainda que diferentes, ambos conheciam pobreza, falta de oportunidades, sacrifícios, mas enfrentavam tudo com a leveza da ingenuidade, até porque, seus sonhos, nunca eram maiores que os passos que podiam dar.
O bolo de 15 anos dela, foi ele quem fez e lhe deu de presente, um anel de prata, com o "N" do seu nome gravado.
Quando foi embora, o pai dela proibiu o namoro, mas quatro anos mais tarde, se reencontraram.
Sonharam juntos, investiram juntos, acreditaram juntos.
Superaram juntos, todas as dificuldades e tiveram três filhos, na verdade, quatro, porque adotaram mais um.
Essa poderia ser uma boa história de amor, para ser contada como um conto de fadas, mas foi real; Real demais, para terminar com o final feliz... 
O sotaque paulista que tanto chamou a atenção dele e o encantou, lhe acompanhou por 64 anos...
Os olhos azuis mais lindos do mundo, velaram por ela, já lacrimejantes, até o último minuto...
Houve sofrimento em não raras situações, mas houve também muitas alegrias e momentos inesquecíveis...
O amor dela, por ele, era incondicional. O amor dele por ela, cuidava, assistia, provia, acolhia, compreendia, protegia...
Quando ela se foi, ele se sentiu abandonado, traído, porque ela era mais forte e poderia passar por isso. Ele não!
Mais tarde, ele também partiu, mas não soube se ela estaria esperando por ele...
Hoje, os filhos estão à deriva, porque era o amor deles que os guiava.
O amor que os manteve ligados por toda uma vida, também os manteve separados no fim da vida. Por pouco tempo, mas teve o peso da eternidade.

Bom dia!        

sábado, 13 de outubro de 2012

Mortalha

Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Tenho certeza!
Não basta amar, mas há que saber cultivar e manter vivo o amor.
A mortalha, me cai bem... até porque, o fim de tudo está encerrado nela.
Não vou desistir de mim, mas já desisti de nós. Simplesmente, por falta de irrigação, manutenção, cultivo.
Você, não merece minhas lágrimas, que há muito deixei de derramar.
Eu, não preciso me expor, o que também deixei de fazer a bom tempo.
De nós, o que restou? Nada, não é mesmo? Nem cinzas, para como a fênix, poder renascer...
Então, pra que insistir na manutenção de algo que não fez bem a ninguém?
Corrigindo: por que insistir em algo que só fez bem a você, sendo que fiquei no prejuízo do tempo perdido e do amor que lhe dediquei, sem a menor retribuição?
Ah, te amei muito! E como! Pra que?
Seu egoísmo, tornou meus dias mais densos, nebulosos...
Sua falta de zelo e dedicação, fizeram de mim, alguém sem motivação e sem foco, porque você era uma cortina de fumaça, que insistia em me mostrar a lua, quando na verdade, nem a ponta do dedo era real!
E, como sempre, sigo o meu funeral de sonhos... mais sonhos morridos, mais esperanças finadas...
Sou forte, bem plantada, então, quem vai chorar nesse enterro, será você, porque em mim, a mortalha cai bem.
A morte é o renascer das forças, das perspectivas, dos sonhos, o que a faz bem vinda neste momento.
Morra de vez em mim, para que eu siga em frente e, como você tem se mostrado especialista em matar o afeto das pessoas por você, não terá nenhuma dificuldade em terminar o que começou.
Vá em frente!
Mate este amor moribundo, para que eu renasça revigorada das mágoas e ressentimentos causados por todas as decepções que me deu.
A mim, uma vez findado este velório dos sentimentos verdadeiros que lhe dispensei, restará a sobriedade dos loucos capazes de amar incondiscionalmente, o que você não pode sequer imaginar a grandeza e maravilha que é ter essa capacidade, porque nem a si mesmo é capaz de amar!
E por que afirmo que não é capaz de amar a si mesmo? Olhe-se no espelho e responda com honestidade, se você ao menos cuida de si mesmo, da sua aparência, da sua saúde e verá, quanta falta de amor habita em você...
Pensando assim, acho até que a mortalha, fica melhor em você do que em mim! Risos...
Então, não se dê o trabalho de morrer por mim, porque nem por você eu morreria agora!

Boa tarde!

domingo, 23 de setembro de 2012

Refazendo

Reescrevendo caminhos já antes sopisados, reencontro vidas que então não tinha valorizado.
Refaço os bons e maus passos, mas agora, vejo a mesma paisagem com outros olhos, como se ela tivesse mudado a roupagem e não eu o ponto de vista.
Busco leveza nas pedras que emolduram o caminho, mas seu encanto consiste na sua força, no seu peso contra a natureza; A minha natureza.
A trilha agora escolhida, me parece mais íngrime, mais árida, mas ainda assim, resguarda o dourado de um sol antes desconhecido por mim. Ou seria esquecido?
Os sonhos já realizados, deixaram de ser sonhos. Não contam mais; não motivam.
Ontem, fui me buscar, me trouxe de volta!
Hoje, quero novas experiências, novos desafios. 
Eu quero: eu posso!
Descumpri todas as promessas, e não posso empenhar mais nada. Melhor assim, porque só posso contar comigo.
Desfiz todos os projetos: Começo de novo.
Novos rumos me atraem, até porque, preciso experimentar outros sabores e escolher o que melhor agrada meu paladar, que hoje é diferente. 
Sou agora, mais seletiva nas escolhas, ainda que por isso, eu pague mais caro. Estou na era da qualidade. Quantidade, não abastece minha busca.
Não devo temer os novos caminhos, afinal, são velhos conhecidos, com paisagens revistas, e eu vou refazendo as trilhas e reconstruindo a minha história, como deve ser e como sempre foi...

Boa tarde!