sábado, 10 de outubro de 2015

Antonio

Eu queria falar do dia das crianças, mas me veio à mente, o meu neto Antonio.
Ele vive a plenitude da infância, no auge dos seus 5 anos de idade, de onde descobre o mundo com alegria no coração e um brilho no olhar que só não é mais intenso que o seu sorriso e nem mais vibrante que a sua gargalhada.
Quando ele chega, todo o espaço é ocupado por sua grandeza. Quando ele vai embora, o silêncio adquire a profundeza do abismo.
Quando brinca, todas as fantasias são reais e toda realidade se transporta para um mundo distante.
A cada descoberta, uma experiência única se soma às já adquiridas e vai formatando a sua existência que há de ser plena. Sua inteligência, nos deixa a todos precavidos, porque ele é o símbolo do que será o futuro.
Ele aprende enquanto ensina e transforma tudo a sua volta. Toda criança é uma escola para adultos. Já pensou nisso?
O frio na barriga que a gente sente, quando o vê em perigo nas suas aventuras, deve ser igual para todo pai, toda mãe e todos os avós que amam, porque pra mim, é como se o estômago fosse parar na nuca.
Quando se fere, a sua dor pode ser sentida em mim, mas acredito, que dói mais no meu ser do que no dele. Quando com um beijinho passa, é um alívio indescritível.
Ser Antonio, é mais que ser criança. Ser Antonio (e todas as crianças são Antonios, Marias, Joãos, Anas...), é ser futuro, é ser incerteza, é ser desbravador, é ser coração cheio de esperança.
Penso que todas as famílias devem preservar ao máximo a infância de seus pequenos, porque eles não se dão conta, mas passa rápido demais.
Desejamos sempre que estejam guardados, protegidos, amparados, mas ao Antonio, desejo também que ninguém jamais lhe diga que não pode vencer!
Antonio trouxe brilho a minha vida e cores incríveis a cada dia da minha existência. Ele é o sol, a chuva e a lua prateada e mágica. Antonio é sinônimo de amor.
Que toda a sua infância seja leve, linda e que lhe traga marcas distintas a sua vida que há de ser vivida de tal modo que traga benefícios à humanidade que dependerá do que cada criança de hoje puder desenvolver durante sua trajetória.
Meu amor é incondicional. A vovó te ama, Antonio!

Boa tarde e feliz dia das crianças!

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Valores

Pensa em alguém para se admirar. Essa moça, nasceu na favela, morou em barracos de lona onde chovia mais dentro do que fora do abrigo.
Cresceu no meio do tráfico, aprendeu como se rouba, mas jamais tirou um alfinete de ninguém!
O assassino do avô, cruzou com ela que brincava no caminho e perguntou onde poderia encontrá-lo. Em breve espaço de tempo ela ouviu o estampido da arma que o matou!
Quando criança, os outros avós e algumas tias a espancavam sistematicamente, a ponto de acordá-la no meio da noite, para a dose diária de murros e açoites com varas. A mãe vivia drogada ou doente internada... o pai biológico, não sabia o paradeiro e o padrasto, a quem chamava de pai, foi assassinado na sua frente e ela não tinha nem seis anos.
Quais as chances dela se tornar uma pessoa de bem, nesse ambiente?
Mas ela venceu tudo isso!
Muito inteligente, olhou para tudo a sua volta e entendeu que nada disso era bom. Não podia ser bom!
Saiu da cidade, estudou um pouco e foi trabalhar ainda muito menina. Depois dizem que trabalho infantil não é admissível! Tenho cá minhas dúvidas! No caso dela, pelo menos, foi o que a salvou!
Como babá, conviveu com pessoas que não faziam parte do contexto da sua infância e foi aprendendo que o bem surtia melhores efeitos que o mal.
Não tinha nem vinte anos, quando conheceu o pai do seu filho. Se apaixonaram!
Curiosamente, ele vinha de uma família conturbada também (talvez essa tenha sido a razão da identificação deles), porque mesmo os irmãos dele envolvidos com o tráfico, ele preferiu estudar e não se aventurar no mundo do crime. Constituíram uma família linda!
Ontem, ela me contou que se separaram. Fiquei triste com a notícia, porque formavam um lindo casal!
Ele a estava traindo há muito tempo.
Enquanto ela me contava, eu via a dor e o sofrimento em seus olhinhos que se negavam a derramar uma única lágrima. 
Essa menina forte, corajosa, determinada, estava visivelmente ferida. O companheiro a tinha ferido em seus princípios rígidos, onde o amor ao filho e a dedicação à família, tinham sido sua maior razão de vida!
Seus valores, ela cultivou um a um sozinha e, quando pensou que ajudando o companheiro a superar suas dificuldades e estudar com afinco para vencer na vida seria o bastante para manter a unidade familiar, se depara com essa traição.
Ele não a traiu simplesmente! Traiu sua dedicação por anos! Traiu seus cuidados ainda grávida, quando ele sofreu um acidente e foi lançado por meses numa cama, enquanto ela fazia sua jornada de trabalho para colocar comida em casa e à noite, tratava dos ferimentos dele e o banhava e alimentava com muito amor.
Traiu a juventude dela, que abdicou das baladas com as amigas, pela vida em família e sua entrega incondicional a ele.
Ele traiu seus valores!
Enquanto as pessoas não tiverem respeito umas pelas outras e por si mesmas, vamos encontrar histórias assim, mas com algumas diferenças:
Nessa história, ela seguirá o caminho do bem. Está voltando para sua cidade, com seu lindo filho nos braços e a certeza de que fez o seu melhor.
Ele... bem, já não se pode ter a certeza de que continuará no bom caminho. Seus valores não são os mesmos que os dela. 
Como seria bom se a vida pudesse contar um final feliz pra todos...
Espero que ela encontre um final feliz!

Boa tarde!

domingo, 6 de setembro de 2015

Domingando

Aos domingos, fico mais preguiçosa, menos urgente, e me permito o sabor de ficar na cama "morgando", sem pensar nada, sem querer nada.
Por alguns segundos isso é fascinante, até que algum trinido de pássaro sobrevoando ao longe, instiga meus cachorros que latem eufóricos com a visita da ave e me tiram do torpor.
Então, penso na xícara de café quentinho, mas desisto em seguida... vontade é algo bom porque dá e passa.
Ai, lembro do almoço em família e vem aquele gostinho de nostalgia, a saudade do Kokão, da mamãe... do meu irmão que mora longe, e prefiro afastar esses sentimentos, porque machucam e em dia de domingo, a gente não precisa se machucar.
Lembro de uma música. Qual era mesmo? Já esqueci. Mas domingo, a gente pode esquecer.
E me pego pensando no bolo que eu quero fazer para o meu filho e o meu neto que deverão passar aqui mais à tardinha, hum... acho melhor levantar.
Coloco o café na cafeteira e penso em voltar para a cama, mas me sinto inspirada pelo cheirinho do café e venho aqui para me expressar, contar esses devaneios simples, mas que têm um sabor muito especial, porque têm gosto e cheiro de domingo.
Sorvo os goles do café quentinho enquanto escrevo pensando se vão gostar, ou se vão se encontrar comigo nestas linhas. É bom saber que tem gente que aprecia o que escrevo. Isso me estimula.
Então, olho a hora e vejo que quase metade do dia já se foi e é hora de voltar às engrenagens da vida.
Domingo é feito pra gente não ter pressa, mas o relógio é meu senhor e a vida lá fora, clama pelo bolo que vou fazer, pelos meus cachorros que esperam o meu bom dia com um pouquinho de brincadeiras e com o cotidiano da segunda-feira que está chegando mais depressa do que eu pretendia.
Lá vou eu!
Junto a coragem e sigo para os afazeres de hoje, voltando à pressa de todo dia, para dar cabo de tudo o que pretendo fazer.
É, domingo é assim, igual a todo dia, só que a gente pode ficar mais um pouquinho na cama, domingando, sem fazer nada, sem pensar em nada, nem que seja por mínimos segundos, mas é muito bom... pena que nem todo dia é domingo.

Bom dia!



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mulher

Eu gosto de ser mulher.
Gosto da feminilidade, da força, do poder de persuasão que temos.
A maternidade, uma peculiaridade só nossa, das fêmeas, destinadas à perpetuação da raça humana, e, com exceção de alguns exemplares do mundo animal, também das outras espécies entre os seres vivos.
Mas acredito que não estamos sozinhos... 
Me pego a cismar, se em outros planetas habitados, se o papel da mulher (fêmea), é tão, mais ou menos importante, observado, enaltecido e como aqui também, desrespeitado, humilhado, constrangido, escravizado, negligenciado...
Como será?
Pois estamos em pleno terceiro milênio e a mulher ainda é vista como um ser inferior, destinada a procriar e trabalhar até não poder mais, sem que o salário seja equiparado ao do homem e com exceção do dia das mães, dia do aniversário, e festas de final de ano, quem é que se lembra de agradecer?
Nossa família se senta à mesa, come a boa comida que a mãe faz, ou a empregada (via de regra uma mulher), se farta, mas a menos que lhe seja perguntado, ninguém elogia, ou agradece!
Nenhum marido (com raras exceções), se lembra de perguntar como foi o seu dia...
Nem marido, nem filhos, se lembram de agradecer o menor gesto de carinho (e são tantos pequenos gestos carinhosos).
No noticiário, vemos mulheres ultrajadas, violentadas, humilhadas, desrespeitadas, mas não vemos nenhum movimento masculino exigindo que isso mude, por respeito a quem lhe deu a vida!
E por falar na vida, ah, como somos parideiras! Não importa se mãe de um, ou de sete, somos generosas com a vida. Nosso instinto maternal é forte e tanto entre os seres humanos, quanto no reino animal.
Mas apesar de tudo, se houver outra vida, quero ser mulher, porque eu gosto, gosto mesmo de ser mulher!


Boa noite.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Espreitando

Dentre tantas pessoas que estavam ali, não imaginava que poderia encontrá-lo. Fiquei gelada. Ele estava rindo daquele jeito quase infantil, com seus olhos pequenos e aquela alegria que só ele tem.
Como de costume, estava rodeado de amigos. Pensei em me aproximar, mas desisti. Ele não estava desacompanhado...
Ela muito mais jovem, parecia à vontade no lugar que tinha sido meu. Até os amigos que também eram meus, se rendiam à simpatia que ela emanava. Traidores!
Do outro lado, sem que ele pudesse notar a minha presença, eu espreitava seus traços tão conhecidos meus, enquanto pensava em tudo o que tínhamos dividido. 
Ele pediu mais vinho e eu fiquei imaginando se eles conversavam como nós, por horas, com o vinho nos acompanhando. Talvez.
E de repente, ele olhou na minha direção, mas eu não sustentei o olhar, procurando me esquivar, de modo que ele não me visse, pois não saberia esconder meus sentimentos e o medo foi grande, mas se ele me viu, não demonstrou.
Fui tomada por uma onda que misturava ansiedade, saudade e indignação, enquanto as lembranças me invadiam e eu senti a mesma raiva que sentia quando o flagrava mentindo, dissimulando, dando desculpas difíceis de me convencer.
Pensei que devia sair dali. Não queria correr o risco de ser vista, mas sabia que o menor gesto meu, chamaria a sua atenção.
Continuei paralisada, observando seus movimentos, enquanto via o tempo passar e tentava agir com naturalidade na companhia dos amigos que estavam comigo.
Finalmente, todos daquela mesa se levantaram e foram saindo aos pares, levando o casal com eles...
Quando já tinham saído, eu pude relaxar e dei uma boa risada, que chamou a atenção do grupo em que me incluía.
Perguntada, respondi que tinha tido uma inspiração para outro conto, porque apesar de todo o sofrimento que ele me causou, isso não posso lhe negar: a fase de maior inspiração e produtividade, foi o tempo em que vivemos juntos. Ele tinha o dom de me motivar como ninguém. Foi um período muito fértil para a minha imaginação e por essa razão, pude rir, com essas linhas já desenhadas na minha mente.
Ele se foi, e eu pude aproveitar a noite. 

Bom dia!

domingo, 17 de maio de 2015

Escolha

Ela era jovem ainda. Seus cabelos negros e lisos, mesmo mal cuidados, tinham um brilho natural que apesar de não ser muito bonita, chamava atenção.
Pensou muito. Sentiu culpa. Teve vontade de desistir, mas sabia que não teria outra chance.
Naquela noite tomou sua decisão.
No dia seguinte, olhou para as quatro crianças no meio da sala, depois do simples café da manhã e até pensou em levar a menina, mas sabia que isso seria ainda mais cruel.
Colocou uma troca de roupas numa sacola, arrumou as camas, organizou a casa como pode e sempre olhando no relógio, porque não poderia deixar os filhos sozinhos por muito tempo, pois eram ainda muito pequenos, mas não poderia esperar o marido chegar para avisar que ia partir.
Pensou em deixar uma carta, mas achou que de qualquer forma, ele não entenderia. Nunca entendeu.
Quando faltava dez minutos para o marido chegar para o almoço, chamou o maiorzinho de sete anos e lhe disse para cuidar de seus irmãos até que o pai chegasse, que ela teria que dar uma saída. 
Colocou-os todos sentados no pequeno sofá puído e pediu que se comportassem. Pensou em lhes dar um último beijo, mas desistiu, para não tornar sua escolha ainda mais difícil.
Colocou a sacola no ombro, parou ainda na soleira da porta, mas não olhou para trás e nem para os filhos. Precisava ser forte.
Quando fechou a porta atrás de si, sabia que não teria mais volta e apressou o passo. Pensou ter ouvido uma das crianças chorando, mas logo se convenceu de que era impressão e andou ainda mais rápido, indo na direção contrária a que seu marido viria para não arriscar-se a encontrá-lo.
Já tinha andado por algum tempo, quando parou e ligou para ele, dizendo que o aguardava. Passados alguns minutos, ele estacionou o carro do outro lado da rua, foi ao seu encontro conduzindo-a até o carro para a sua nova vida.
Durante o trajeto, não fez perguntas. E ela, mesmo sem derramar uma única lágrima, tinha o coração destroçado por deixar os filhos, mas por outro lado, estava aliviada e se sentia, ainda que em conflito, confiante que teria uma vida melhor.
Não soube-se mais nem das crianças, nem da moça que as deixou naquela manhã, mas certamente, a vida se encarregou de cuidar para que todos vivessem aquilo que estava escrito para cada um.

Boa tarde!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sutileza

Assistindo a um filme, fiquei surpresa com o que vi. Na cena, a babá ia saindo, quando o patrão a chamou e, tirando o seu suéter, entregou à moça e lhe disse para vesti-lo, pois estava muito frio.
Ele a ajudou a vestir o agasalho e ela que estava apaixonada pelo patrão, ficou ali, olhando para ele enquanto ele a vestia.
A cena foi de uma sensualidade surpreendente, de onde conclui que às vezes, o ato de vestir, pode ser tão sensual quanto o de despir, ou até mais, porque requer a delicadeza quase paternal/ maternal, mas ao mesmo tempo, cogita a cumplicidade que só pode existir entre pessoas apaixonadas e que cuidam uma da outra.
Enquanto o despir desarma o corpo, o vestir desnuda a alma!
O vestir faz com que a gente se entregue ao outro, pelo olhar, pela cumplicidade, pela entrega e confiança mútua.
Não raro, vejo o casal competindo entre si, quando deveria somar esforços. Enfrentar a vida, as dificuldades e adversidades juntos, cuidando um do outro, zelando, de modo que o vestir tenha a mesma qualidade que o despir, sendo contudo, que o vestir pode se repetir muitas e muitas vezes ao dia, sem importar a hora e o lugar, mas ao acontecer, será sempre mágico entre o par.
Vestir, pode ser tão sensual quanto despir, ou até mais, então, usando esse parâmetro, faça ai uma experiência com o seu companheiro/ companheira, cuide do outro, exerça o carinho ao outro, de tal modo que ele (ou ela) se sinta protegido, acolhido.
A sutileza no olhar, ou até o servir uma xícara de café, pode mudar o resultado do seu dia. Acredite!
Não sufoque! Apenas cuide com carinho.

Bom dia!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Natureza

Sem perceber, assim como a chuva, vou caindo de mim, escorrendo pela vida, que escoa minhas ambições e meus projetos.
Claro que posso mudar o curso do meu rio, mas nem sempre o tempo favorece uma decisão como essa.
Requer projeto e estratégia de grande impacto ambiental nas minhas estruturas.
Quem não pensou em represar os amores vividos de tal modo que eles ali permanecessem avolumados por diques que jamais precisariam que as comportas fossem abertas e toda a energia acumulada, só tivesse o propósito de iluminar o coração e a alma de cada um?
Alguns relacionamentos têm o poder de evaporar o sangue da gente... e ai, nos secam e a erosão corrói em forma de mágoa e ressentimento. Outros contudo, nos florescem a vida como a mata ribeirinha, deixando a leveza por onde caminha, sem que seja necessário que façamos nada, a não ser permitir que floresça e espalhe as sementes do amor.
Ah, se chovesse assim, todos os dias na minha vida, minha natureza seria mais generosa, mais abundante e certamente, meus amores mais ricos e profícuos, como aliás, acredito que seja inerente a todo ser humano.
O mar, na sua imensidão, é fonte de vida e de morte também, mas acolhe todo aquele que o enfrenta, seja para uma ou outra.
Curioso, é que depois de toda tempestade, vem a bonança, mas algumas são mais intensas e demoram mais deixando sua ira sobre a terra...


Boa tarde!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Cotidiano

Não sei o que fazer do meu dia. 
Não que não tenha o que fazer, mas estou desmotivada, sem algo que me impulsione para restaurar minhas forças e me devolver a confiança em mim mesma.
Acho que isso é envelhecer...
Estou conformada que a beleza física tenha ido embora, que o sorriso não seja mais o mesmo, que os cabelos não tenham mais o mesmo brilho...
Ou seria acomodada?
Não me importa mais, a falta de perspectiva, mas não que eu tenha desistido de mim... longe disso!
Apenas não está acontecendo nenhum fator externo que me motive e inspire. E não estou disposta a mudar isso no momento, ainda que esteja atenta a tudo a minha volta.
Pensei em fazer um curso de pintura em tela, mas não me vejo manejando telas, tintas e pincéis...
Também tenho pensado em voltar a trabalhar, mas ainda tenho tanta coisa para organizar na minha casa, onde preciso que esteja tudo em ordem para poder me encontrar e situar...
Claro que é passageiro, mas até quando? Preciso me mexer!
Precisar, preciso, mas cadê coragem? Risos...
Não é preguiça, que não sou afeita a isso... 
É anestesia mental, mesmo... estou improdutiva mentalmente... nada que eu faça, me tira desse torpor...
Todas as vezes que eu sofri um baque, logo me reergui e segui em frente, mas desta vez, está demorando mais... está mais difícil... acho que é a idade, ou a mudança não me fez bem!
Mudar de Florianópolis, mexeu muito comigo, mas a bem da verdade, lá também eu já me encontrava assim, sem ver a luz no fim do túnel.
O momento político (que é um assunto que me fascina), também tem me deixado apreensiva, mas nem isso me conecta com o mundo real... estou sem conexão com a vida...
Mais um dia, mais um desafio e, como tem que ser, vou buscando caminhos alternativos para me reencontrar. 
Vou conseguir, porque sempre consegui e agora não vai ser diferente, porque sou positivista e sei que é questão de tempo para retomar meu ritmo.


Bom dia!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Existência

Enfim, o ano começa e descubro que tudo está exatamente como deve ser.
Fiquei sabendo que ele estava com outra pessoa, mas que ela não aguentou a sua infantilidade, apesar dos seus 80 anos e o deixou.
Pensou que fosse fácil? Acreditou mesmo que qualquer uma teria a paciência que eu tive, por todo o tempo que passamos juntos?
Tenho certeza que era feliz ao meu lado, mas não sabia... ou, se sabia, não valorizou...
Agora, sigo com meu coração em paz, refeita das angústias que ele me impunha, com suas mentiras e sua falta de caráter.
Não tenho planos e gosto que seja assim, prefiro que a vida me surpreenda...
Sonhos e projetos me motivam, mas nada que valha o esforço de tentar conduzir o destino. Tudo acontece na hora certa.
Vou seguindo, porque a vida continua e é bom saber que hoje vou fazer sorvete de chocolate para o meu neto.
Meus "filhotes", Anastácia, Belizária e Claudionor, estão estirados na sombra do quintal, para tentar minimizar o calor, que aqui é infernal, e o silêncio da casa me deixa preguiçosa, mas sem ansiedade, a vida se torna mais leve.
Me supero a cada dia e reinvento a vontade de viver, mesmo sem muitas aventuras, afinal, a vida por si só, já é uma caixinha de surpresas...
O que será que este ano me reserva? Não penso muito nisso e vou seguindo em frente, porque isso é bom. Viver é bom!

Boa tarde!