sábado, 13 de fevereiro de 2016

Inveja

E ela abriu a página daquela rede social famosa e deu de cara com o sorriso escancarado de felicidade da outra.
Aquele sorriso era para ser o dela!
Investigou pelas fotos dele e a outra estava lá, em todos os momentos. Tomando o vinho abraçada com ele, como ela estaria tomando e como ela deveria estar abraçando.
Sentiu raiva!
Tanto tempo desperdiçado, se destruindo para que ele pudesse ser valorizado, se descuidando, para que ele pudesse ser cuidado, se tornando feia, para que ele se sentisse mais confiante e agora isso?
A outra é a terceira ou quarta depois que se separaram. Ah, esse gostinho ela sente! Foi a única que aturou suas canalhices...
Certo. Mas se ele não prestava, por que ainda a tirava do eixo? O término da relação não foi bem resolvido? Então, por que ainda se importava?
Sentiu inveja, porque aquela era a felicidade que ela queria pra si. Foi o sonho que ela sonhou e que estava sendo realizado pela outra.
Pensou que talvez a outra ainda não sinta os efeitos dele sobre ela. Certamente, quando descobrir o quão insano é viver ao lado dele, também ela se vá, como as outras se foram...
Mas e se ele a chamasse de volta?
Não. Melhor seguir em frente, porque o que já desandou, não toma prumo mais adiante.
Saiu da página e foi brincar com seus cachorros, porque desse amor, ela sabia que poderia esperar fidelidade e lealdade. Não precisava mais pensar nele, nem na outra.
Porque a vida segue o curso que tem que seguir e se foi assim, é porque teria que ser.

Boa tarde!


sábado, 16 de janeiro de 2016

Chovendo em mim

Acordei com o tamborilar da chuva contra a vidraça. O som era intermitente, e através dele eu sabia que era aquela chuva calma, boa, mas que vai deixando tudo molhado, telhados, paredes, muros, pisos, varandas, os ossos da gente...
Encostei na janela enquanto aquelas lágrimas (as da chuva), batiam contra o meu rosto. Fiquei um tempo assim, em silêncio, sem pensar em nada que não fosse a chuva chovendo em mim.
Aos poucos, fui caminhando nela. 
Voltei no tempo e encontrei o seu sorriso único, o seu olhar...
Senti saudades de mim. É, não foi dele que eu senti saudades, mas de mim. 
Refiz alguns dos passos que dei e lamentei que tenha me perdido tanto pelos caminhos...
Ou apenas teria parado de me procurar?
Desisti, porque só consigo pensar depois de algumas canecas de café e enquanto isso, a chuva também foi desistindo...
Eu fui mais determinada e desisti mesmo, já a chuva, enfraquecia e voltava, como numa dança de acasalamento com o vento.
O café aqueceu o meu corpo mas o meu coração continuou lá fora, apanhando da chuva fria.
E como a chuva lavou os caminhos por onde passei, apagou minhas pegadas, levou de enxurrada meus sentimentos mais intensos, hoje posso chover aqui, ou lá fora, que nada mais sou do que essa nuvem passageira que se deixa levar pelo vento.
Não sei se essas lembranças são boas, ou se deviam ter ficado onde estavam antes da chuva, então vou voltar a dormir, para quem sabe, se o sol voltar, seja ele a me acordar.

Bom dia!

Chovendo em mim

Acordei com o tamborilar da chuva contra a vidraça. O som era intermitente, e através dele eu sabia que era aquela chuva calma, boa, mas que vai deixando tudo molhado, telhados, paredes, muros, pisos, varandas, os ossos da gente...
Encostei na janela enquanto aquelas lágrimas (as da chuva), batiam contra o meu rosto. Fiquei um tempo assim, em silêncio, sem pensar em nada que não fosse a chuva chovendo em mim.
Aos poucos, fui caminhando nela. 
Voltei no tempo e encontrei o seu sorriso único, o seu olhar...
Senti saudades de mim. É, não foi dele que eu senti saudades, mas de mim. 
Refiz alguns dos passos que dei e lamentei que tenha me perdido tanto pelos caminhos...
Ou apenas teria parado de me procurar?
Desisti, porque só consigo pensar depois de algumas canecas de café e enquanto isso, a chuva também foi desistindo...
Eu fui mais determinada e desisti mesmo, já a chuva, enfraquecia e voltava, como numa dança de acasalamento com o vento.
O café aqueceu o meu corpo mas o meu coração continuou lá fora, apanhando da chuva fria.
E como a chuva lavou os caminhos por onde passei, apagou minhas pegadas, levou de enxurrada meus sentimentos mais intensos, hoje posso chover aqui, ou lá fora, que nada mais sou do que essa nuvem passageira que se deixa levar pelo vento.
Não sei se essas lembranças são boas, ou se deviam ter ficado onde estavam antes da chuva, então vou voltar a dormir, para quem sabe, se o sol voltar, seja ele a me acordar.

Bom dia!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal e Saudade

Já uns dias antes, começavam os preparativos. Eles se divertiam.
O pai, montava a árvore para a mãe decorar, mas ele participava de tudo. Preparava a casa para receber os filhos e netos com esmero, enquanto ela fazia a lista de compras para preparar a ceia.
Tinham as frutas, as bebidas, as novidades que ele encontrava no supermercado e trazia pra experimentarem... se aprovada a novidade, vinha para a mesa do natal.
Os presentinhos, ela vinha comprando desde outubro e guardando nas gavetas das cômodas, ou dentro do guarda-roupas. 
Cada telefonema da mãe com os filhos, pra desespero dele (detestava que se demorassem ao telefone), tudo era meticulosamente planejado novamente, com trocas de sugestões e um ou outro palpite que a faziam ou não, mudar de ideia quanto ao arranjo da mesa, ou até mesmo quanto à sobremesa, porque o cardápio principal era via de regra, mantido.
Quando chegava o grande dia, na medida em que os filhos chegavam, a alegria dele aflorava (ah, como gostava de casa cheia!), porque a cada um dos filhos ele dispensava uma atenção de pai, mas também de anfitrião!
Aos poucos, as vozes e alegria iam contagiando o ambiente e a música garantia que todos se mantivessem em movimento.
A mãe, esperava ansiosa pelos elogios, afinal, tudo tinha sido pensado e feito para ser perfeito - e não me recordo, o quanto mais simples pudessem ser esses momentos, que não tenham sido perfeitos.
E ao sinal da meia noite, quando os sinos badalavam ao longe e os fogos de artifícios espocavam, ele, o pai, os reunia a todos em círculo, fazia uma oração e todos se abraçavam! Era lindo!
Então, os presentes!
Sempre surpreendiam os filhos, com algo especial, não necessariamente caro, mas que causavam realmente olhares arregalados porque não era esperado.
O prazer deles era visível.
E sentavam-se todos em torno da mesa, para apreciar as iguarias que tinham sido preparadas com tanto esmero.
É, o natal lá em casa era um acontecimento... mas hoje, eles não estão mais aqui... 
Só nos deixaram as lembranças, as saudades e a certeza de que nos ensinaram a importância da confraternização e da união da família.
Natal, hoje pra mim, é mera recordação e saudade, mas momentos que levarei comigo pela eternidade, porque eram preciosos e eles fazem muita falta, mas fico feliz por terem me proporcionado tantas noites especiais ao longo de suas vidas.

Feliz natal!


sábado, 12 de dezembro de 2015

Adaptação

E a vida toma rumos que a gente não tem como mudar o curso.
Pensamos que temos este condão, porque temos a sensação de que as escolhas são nossas. Na verdade, quando não escolhemos, estamos permitindo que escolham por nós, mas ainda assim, o curso segue.
Como o rio que singra a terra e crava seu leito durante seu trajeto, vamos sedimentando nossa estrada com nossa esperança e nossa vontade de perseguir os sonhos.
São esses sonhos que nos motivam a seguir em frente sempre. Não importa quantos tombos a gente leve, ainda assim, somos compelidos a seguir em frente.
Projetos são deixados de lado durante o caminho, porque são inviáveis, impraticáveis, ou porque outros surgem com maiores possibilidades e mais atrativos.
O fato é que vamos nos adaptando. Essa capacidade que temos de nos moldar às situações mais adversas, é que nos move a continuar criando nossa história.
Percebemos que laços que deveriam ser eternos, não têm a força que se espera e ao se desfazerem, nos deixam impotentes, mas todo laço tem duas pontas. Se uma delas não se sustenta, não é possível.
Cogitamos nessas tentativas, prosperar no intento primeiro, mas nem nos damos conta que os desvios foram estabelecidos bem antes, como a rocha que obriga o rio desviar seu curso.
A vida plena, pode representar a diferença entre vencer ou perder. Seja qual for o resultado, ainda assim, fomos nós que tracejamos o caminho.
A cada desafio, novos elementos e a cada etapa vencida, fazemos a contabilidade que nem sempre nos preenche, mas ainda assim foi o que conseguimos conquistar.
Seja como for, nossa vida segue independente das escolhas que fazemos enquanto ao mesmo tempo, pelo resultado dessas escolhas.
Tudo muito ambíguo, mas necessário como a luz que só existe por permissão do breu. À ausência da luz se faz a sombra, que por sua vez, só pode deixar de ser quando o sol resplandece imponente na sua plenitude.
E, como somos humanos, seguimos firmes nos nossos desígnios, sem tempo para voltar e refazer nossas páginas. Não nos é permitido fazer um rascunho para passar a limpo depois.
Viver é sem dúvida um ato de bravura e coragem, independente dos feitos que somos capazes de realizar.

Bom dia!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Inesquecível

Dizem que o primeiro sutiã, a gente nunca esquece. Deve ser verdade... o meu era horroroso, porque minha mãe seguiu todas as recomendações médicas! Risos...
Mas não foi para falar do primeiro sutiã que eu vim hoje. Foi pra falar do primeiro namorado.
O primeiro namorado, realmente é marcante para o resto da vida, mas não porque seja alguém especial, diferente nem nada. Apenas porque é ele quem define o marco onde termina definitivamente a infância e começa a adolescência. É por ele, o primeiro namorado, que a gente perde a leveza do coração puro e abandona definitivamente as bonecas, os bichinhos de pelúcia...
Como eu tenho uma irmã mais nova, brinquei de boneca até meus quatorze anos aproximadamente, mas desde os doze anos, elas já não me fascinavam tanto. Lembro que nessa época, me apaixonei pelo irmão de uma colega de escola.
Eu suspirava por ele... quando passava pelos corredores do colégio, enchia meu dia de encantamentos... mas nunca passou disso. Ele não estava nem ai pra mim!!! 
E na época, acho que ele não estava ainda nem ai para garotas... meninos amadurecem mais tarde.
Mas quando eu já tinha completado quinze anos, morando ainda em São Paulo, meu pai, pela primeira vez permitiu que eu viajasse para Uberaba (sem ele ou minha mãe), com uma prima dele, cujas filhas tinham as mesmas idades que eu e meus irmãos. Lá fomos nós, de ônibus para Uberaba. Então, eram dez horas de viagem (estrada ruim e ônibus pior ainda), para percorrer quatrocentos e oitenta quilômetros.
Já tínhamos nos acomodado nos assentos, minha prima ao lado da sua filha mais velha e eu em outro banco, na frente delas, quando entraram dois rapazes bem alegres e vieram na nossa direção e pela primeira vez, senti um frio percorrer a minha espinha, porque ambos olharam pra mim de um jeito diferente. Notei que estava sendo "paquerada".
Assim que o ônibus se pôs em movimento, ele sorriu e comentou alguma coisa, para iniciar uma conversa, mas tratei de desconversar, porque temia que meu pai me tirasse do ônibus se desconfiasse que algum menino estava tentando se aproximar, mesmo o veículo já tendo deixado a rodoviária, afinal, pais sempre descobrem essas coisas!
Não tardou para que a minha prima dormisse pesadamente e ele sem a menor cerimônia, buscou trocar de lugar com a pessoa que estava sentada ao meu lado. 
Ele era muito charmoso, tinha cabelos castanhos e fartos e um sorriso encantador. Me ofereceu um Drops, uma bala que a gente consumia muito naquele tempo. Aceitei.
Durante algum tempo, a gente conversou e ele que já tinha dezoito anos, foi conduzindo a conversa com maestria, enquanto eu por timidez, não ousava a responder com frases inteiras, usando apenas meias palavras.
Em dado momento, ele me beijou. 
Eu quase morri de vergonha e de medo! E, claro, ele percebeu que eu não sabia como fazer, mas foi delicado e voltou a conversar normalmente, até que me perguntou se eu tinha namorado.
Percebi que a pergunta era para ter certeza que eu nunca tinha beijado antes e desejei morrer naquele momento. Quase gritei para a minha prima me tirar dali, mas ela continuava dormindo...
E ele me beijou a segunda vez, mas agora, com calma, foi me orientando entre um sorriso e um toque dos lábios nos meus e quando eu consegui engrenar, ele sorriu satisfeito e lembro que comentou que estava diante de uma mosca branca. 
Era um elogio! Estava dizendo que eu era rara, única e que ele estava se sentindo privilegiado por ter me dado o meu primeiro beijo.
Namoramos por alguns meses porque ele morava também em São Paulo, até que um dia, meu pai o surpreendeu me beijando na sala, o pegou pela orelha (literalmente) e o colocou do outro lado da calçada da rua, advertindo-o que ninguém tocava na filha dele.
Os anos se passaram e nos reencontramos já adultos e sempre nos lembrávamos desses momentos tão lindos e delicados nas nossas vidas, com o carinho que essas recordações merecem.
Um dia, ele parou de responder as  minhas mensagens (ele morava em Santos, cidade do litoral paulista e eu morava em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina). Tentei outros meios, sem sucesso, até que infelizmente, há um ano e pouco, soube que ele havia partido para sempre. Infarto.
Fiquei muito triste, porque meu primeiro namorado partiu sem se despedir de mim e eu não pude dizer a ele que é inesquecível.

Bom dia!

domingo, 22 de novembro de 2015

Conexão

Ela abriu os olhos e sentou-se na cama tentando "puxar" o ar que não conseguia lhe encher os pulmões. O coração estava enorme e pesado.
O pressentimento de que ele havia se casado era tão denso, que ela não queria confirmar.
Na verdade, apesar da forte ligação que sempre houve entre eles, já fazia muitos anos que eles se separaram, mas ela continuava tendo esses lampejos de avisos sobre algo que estava acontecendo com ele, como quando ele conheceu a primeira mulher, ao lhe fazer uma visita, ela lhe disse do nada, para cuidar bem da pessoa com quem ele estava saindo, que seria a esposa dele; Ele lhe olhou intrigado e respondeu que não estava namorando ninguém e que tinha conhecido uma moça na noite anterior. Ela sabia que seria a esposa dele.
Ou quando seu pai morreu, também sem a menor lógica, ao abrir uma gaveta onde jamais seria provável, deparou-se com uma foto dele (dessas 3 x 4), sobre as toalhas. Quando ligou pra ele, ele estava muito mal e disse que sabia que ela ligaria.
Ela se arrastou da cama para o chuveiro e foi trabalhar, carregando um peso enorme e pensando nele o tempo todo. Tentava se convencer que sabia que isso ia acontecer um dia, mas ainda assim, doía mais do que imaginou que doeria.
Trabalhava com o noivo, um chef italiano, no restaurante dele, porque a vida continuou para ela e para o grande amor da sua vida, apesar de não ficarem juntos. 
No final do expediente do almoço, ela não se conteve e ligou para a mãe do outro, para saber se estava tudo bem. Entusiasmada, a mãe lhe respondeu com uma pergunta: - Ah, o meu filho te contou que o casamento era hoje cedo?
As lágrimas foram descendo pelo rosto dela diante da confirmação e mesmo desejando do fundo do coração que ele fosse feliz, ela transmitiu os cumprimentos e procurou abreviar a conversa, porque já estava quase soluçando de dor, ante a constatação do que seu coração já sabia desde sempre.
Ao vê-la chorando em silêncio, o noivo lhe perguntou o que estava acontecendo e como a relação deles era de amizade, e não de amor, ela não lhe escondeu o que estava vivendo. Contou o que estava lhe ferindo de morte.
Num gesto de delicadeza, o noivo foi até o bar do restaurante, escolheu criteriosamente um licor de limão siciliano e serviu dois cálices.
Ofereceu a ela dizendo: "Quando a vida nos dá um limão, podemos fazer uma limonada, ou um delicioso licor. Beba em homenagem a esse amor tão grande, que eu jamais poderei merecer".
Nunca ela tinha sentido tanta gratidão pelo gesto de alguém, como sentiu naquele instante.
Entendeu o significado do gesto do noivo e bebeu à saúde e felicidade de ambos - o grande amor da sua vida e aquele amigo que estava para ser seu marido e certamente seria capaz de gestos delicados e senhor de uma generosidade que a encantaram.
Pode então, retomar sua vida com o coração mais leve e a esperança de que um dia, aquele amor interrompido por decisão de ambos, nem que fosse em outras existências, seria retomado e ela só conseguiu seguir adiante, porque acreditava profundamente nisso.

Boa tarde!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Conto

O Avesso
(escrito em Uberaba, no dia 13 de outubro de 1988, aos 49 minutos)

Era como se eu virasse mais uma página daquele romance bem água com açúcar.
É, daqueles que a gente sabe que no final, o mocinho fica com a mocinha, sem importar o quanto ele tenha sido o bandido ou ela a 'megera indomável'. 
O famoso "happy end".
No fundo, sabia que o bandido estava mesmo fazendo o papel de mocinho, enquanto a pobre mocinha frágil passava pela bruxa má.
Mas virei a página assim mesmo. Quase desinteressada. 
Quando me dei conta, o enredo fora modificado - a estória agora era outra - senti como se o verão estivesse chegando e o calor no coração gelasse todo o meu corpo.
Ali, tudo era brincadeira, num imenso carrossel de verdade.
Bonitos eram os monstros pregados nas paredes da imaginação, enquanto o certo era tropeçar no amor, depois recomeçar nas esquinas do mundo, irreverente, como se fosse apenas passageira humana numa espaçonave de androides.
Passei os olhos pelas linhas daquela página e descobri que por mais que duvidasse, aquela paixão era o fim de tudo que estava começando.
Era como olhar por uma fresta, de fora para dentro, onde nada se via, já que a luz estava aqui.
Onde o real era meu reflexo no espelho e o sentimento, uma fantasia de carnaval.
Entrei naquele conto, como quem tira o pijama para dormir e, quando terminou, tive apenas que virar a página, reler as notícias do dia seguinte, que eram sempre iguais as do dia anterior, no jornal de hoje, enquanto saboreava o café quentinho da manhã que acabara de tirar da geladeira.
Então, conclui que mesmo estando na página seguinte daquele romance, que mudara a história, o avesso da vida era o meu cotidiano.
A vida em si era a autora daquela aventura, onde o direito não tinha rótulo, mas as personagens só conheciam aquilo que já tinha se apagado, enquanto dali de cima, eu olhava o rio correndo com o tempo e, a cada página virada, trocava também o sentimento de prateleira, colocando-o ora no lugar da amizade, ora no lugar do sexo, por vezes, na repartição do medo, mas sempre era o mesmo, de um lado ou de outro, sempre o amor, capaz de odiar intensamente cada lágrima derramada e sorrir mais tarde, pela lembrança daquela noite onde nem o bandido, nem a megera, puderam estar presentes.
O mocinho então, tomou a mocinha nos braços, afogando-se com ela no Lago dos Amantes, vivendo assim, como em todo conto de fadas, mortos e esquecidos para sempre. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Se achando!

Fomos apresentados e na outra semana, fui convidada para tomar um vinho.
Até ai, nada demais. 
Na hora combinada fui recebida na residência do novo amigo, com muita alegria e devo confessar, um grande anfitrião. Me deixou à vontade e foi gentil o tempo todo.
Ai, conversa vai, conversa vem, o cidadão, se achando, me diz que foi casado por muitos anos e que nunca foi fiel. Que ao mesmo tempo, tinha uma namorada, uma amante e ainda saía com outras mulheres.
Contou até mesmo que os mentores religiosos afirmaram que ele não estava cometendo nenhum "pecado" (o ranço machista da igreja).
Fiquei boquiaberta com sua desfaçatez, porque sentia que me contava aquilo com orgulho de macho poderoso.
Tentei argumentar sobre a fidelidade e lealdade, mas ele nem quis ouvir.
Aplaudi, quando entendi que ele estava convicto de que suas atitudes eram nobres. Não tem como a gente argumentar com o dono da verdade, tem?
Sai pensando no quão infeliz era aquele homem, aos sessenta e tantos anos, solitário e vivendo de recordações de um tempo onde ser "garanhão", era motivo de orgulho.
Ontem, porém, ele me ligou e me disse que queria me ver novamente. Claro que eu não lhe contei da decepção, mas tão cristalino também, que homem que não me dedica exclusividade, tem passagem livre pela minha vida.
Não sei se terei oportunidade de lhe dizer isto frente à frente, porque não sei se ele estará interessado em me ouvir, mas o fato é que me valorizo acima de tudo e, sob o meu ponto de vista, homem "galinha", não é e nunca foi tudo de bom!
Eu gosto do que é confiável e me acolhe para me propor segurança e viver, a essa altura do campeonato, uma relação onde a fidelidade, a lealdade e a exclusividade não são premissas na vida da outra pessoa, realmente não me interessa.
Já vivi o suficiente para saber que essa pessoa nunca vai mudar o seu comportamento, até porque está convicto de que é assim que tem que ser.
Poderemos ser amigos, sem dúvida, é uma pessoa alegre, divertida, mas não mais que isto.
Como dizem, "tô fora"!

Bom dia!

sábado, 10 de outubro de 2015

Antonio

Eu queria falar do dia das crianças, mas me veio à mente, o meu neto Antonio.
Ele vive a plenitude da infância, no auge dos seus 5 anos de idade, de onde descobre o mundo com alegria no coração e um brilho no olhar que só não é mais intenso que o seu sorriso e nem mais vibrante que a sua gargalhada.
Quando ele chega, todo o espaço é ocupado por sua grandeza. Quando ele vai embora, o silêncio adquire a profundeza do abismo.
Quando brinca, todas as fantasias são reais e toda realidade se transporta para um mundo distante.
A cada descoberta, uma experiência única se soma às já adquiridas e vai formatando a sua existência que há de ser plena. Sua inteligência, nos deixa a todos precavidos, porque ele é o símbolo do que será o futuro.
Ele aprende enquanto ensina e transforma tudo a sua volta. Toda criança é uma escola para adultos. Já pensou nisso?
O frio na barriga que a gente sente, quando o vê em perigo nas suas aventuras, deve ser igual para todo pai, toda mãe e todos os avós que amam, porque pra mim, é como se o estômago fosse parar na nuca.
Quando se fere, a sua dor pode ser sentida em mim, mas acredito, que dói mais no meu ser do que no dele. Quando com um beijinho passa, é um alívio indescritível.
Ser Antonio, é mais que ser criança. Ser Antonio (e todas as crianças são Antonios, Marias, Joãos, Anas...), é ser futuro, é ser incerteza, é ser desbravador, é ser coração cheio de esperança.
Penso que todas as famílias devem preservar ao máximo a infância de seus pequenos, porque eles não se dão conta, mas passa rápido demais.
Desejamos sempre que estejam guardados, protegidos, amparados, mas ao Antonio, desejo também que ninguém jamais lhe diga que não pode vencer!
Antonio trouxe brilho a minha vida e cores incríveis a cada dia da minha existência. Ele é o sol, a chuva e a lua prateada e mágica. Antonio é sinônimo de amor.
Que toda a sua infância seja leve, linda e que lhe traga marcas distintas a sua vida que há de ser vivida de tal modo que traga benefícios à humanidade que dependerá do que cada criança de hoje puder desenvolver durante sua trajetória.
Meu amor é incondicional. A vovó te ama, Antonio!

Boa tarde e feliz dia das crianças!