terça-feira, 19 de julho de 2016

HOJE EU ME LEMBREI...

Infelizmente, o nome do autor deste primor não é conhecido. Como eu queria ter esse talento... se alguém puder identificar o autor, por favor, colabore!

HOJE EU ME LEMBREI...

Hoje eu me lembrei...
Que não sou branco, negro, amarelo ou vermelho.
Eu sou um cidadão do universo, no momento, estagiando como ser humano na escola terrestre.

Hoje eu me lembrei...
Que não sou homem ou mulher, nem alto ou baixo.
Eu sou uma consciência oriunda do plano extrafísico, uma centelha vital do Todo que está em tudo!

Hoje eu me lembrei...
Que tenho a cor da Luz, pois vim lá das estrelas.
E eu sei que o meu tempo aqui na Terra é valioso para minha evolução.

Hoje eu me lembrei...
Que não há nenhuma religião acima da verdade.
E que o Divino pode se manifestar em miríades de formas diferentes.

Hoje eu me lembrei...
Que só se escuta a música das esferas com o coração.
E que nada pode me separar do “Amor Maior Que Governa a Existência”.

Hoje eu me lembrei...
Que espiritualidade não é um lugar, ou grupo ou doutrina.
Na verdade, é um estado de consciência do Ser.

Hoje eu me lembrei...
Que ninguém compra Discernimento ou Amor.
E que não há progresso consciencial verdadeiro se não houver esforço na jornada de cada um.

Hoje eu me lembrei...
Que o dia em que nasci não foi feriado na Terra.
E no dia em que eu partir, também não será!

Hoje eu me lembrei...
Que tudo aquilo que eu penso e sinto se reflete na minha aura.
E que minhas energias me revelam por inteiro (logo, preciso crescer muito, para melhorar a Luz em mim).

Hoje eu me lembrei...
Que não vim de férias para o mundo.
Na verdade, vim para aprender e trabalhar (e também para vencer a mim mesmo nas lides da vida).

Hoje eu me lembrei...
Que não sou o centro do universo e que, sem a Luz, eu não sou nada!
Sem Amor, o meu coração fica seco... e sem a espiritualidade, o meu viver perde o sentido.

Hoje eu me lembrei...
Que os guias espirituais não são minhas babás extrafísicas.
Eles são meus amigos de fé e trabalho... e, sem eles, eu estaria frito!

Hoje eu me lembrei...
Que ninguém sabe tudo e que conhecimento não é sabedoria.
Todos nós somos professores e alunos uns dos outros (e, acima de tudo, o Mestre de todos, o Grande Arquiteto Do Universo).

Hoje eu me lembrei...
Que não nasço nem morro, só entro e saio dos corpos perecíveis ao longo da evolução.
Não posso ser enterrado ou cremado, pois sou um espírito (ah, eu sou sim!).

Hoje eu me lembrei...
Que viver não é só para comer, beber, dormir, copular e morrer sem sentido algum.
Viver é muito mais: é também pensar, sentir e viajar de estrela em estrela, sempre aprendendo.

Hoje eu me lembrei...
Que de nada vale a uma pessoa ganhar o mundo se ela perder sua alma.
E que o mal que me faz mal, não é o mal que me fazem, mas, sim, o mal que eu acalento em meu coração.

Hoje eu me lembrei...
Que eu sou mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
E que eu, o apresentador desse programa, e vocês, os ouvintes dessa viagem espiritual, somos todos um!

Hoje eu me lembrei...
Que, sem Amor, ninguém segue.
E que o meu mantra se resume
numa só palavra: Gratidão!


Autor desconhecido

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Estupro

Ela só tem 16 anos. Por ser uma menina vulgar, que mora no morro, vai a bailes funk, que posta em suas redes sociais que gosta de fazer sexo, algumas pessoas a julgam. Por se vestir de forma absolutamente despojada e até muito provocante, as pessoas acham que ela mereceu. E por esses motivos, ela sofreu um estupro coletivo.
Pois bem. Vamos esclarecer algumas coisas aqui. Ainda que ela andasse nua, que fosse prostituta, que cometesse crimes, enfim, ainda que ela não correspondesse em nada ao perfil das boas meninas, nem assim, eles teriam o direito de estuprá-la.
Não é o baile funk que estimula os garotos a fazerem isto, porque se fosse, os garotos que vão a bailes sertanejos não estuprariam, não é mesmo? E os universitários ou os já profissionais então? 
Vocês têm noção de quantos maridos estupram suas esposas diariamente? Ai me perguntam: "como o marido pode estuprar a esposa"?
O que caracteriza o estupro, é a mulher dizer NÃO e o homem entender como talvez ou como SIM.
Simples assim!
O que caracteriza o estupro é o homem drogar a mulher de tal modo que ela não possa manifestar sua vontade e aproveitando-se disso ele mantém relação carnal com ela, sem o seu consentimento.
O estupro é cruel, porque ele fere a alma, mais até do que fere o corpo. Acontece mediante subjugo da mulher.
Não importa quem é, como se comporta como se veste a mulher, ou a idade que ela tenha! O estupro é uma violência, porque não visa nada além da impotência da vítima e do poder de seu algoz.
Esse caso do estupro coletivo chamou a atenção, porque foram trinta homens (ou mais), fazendo repetida e sistematicamente o mesmo crime e nenhum dos presentes se dignou a rechaçar essa prática.
Isto é, os trinta e poucos homens no mesmo lugar, ninguém se dispôs a não compactuar dessa prática cruel de violência. Todos assistiram, participaram, se divertiram com o sofrimento da vítima, sem medir consequências e sem minimamente se preocupar com a dor da jovem. Mas podia ser uma senhora, que o crime teria sido o mesmo.
Se deleitaram divulgando, e comentando, como se não se tratasse de um crime, mas de um evento!
O estupro é cruel porque não respeita e não valoriza a mulher. Ao contrário, a marca pra sempre e faz isso como se fosse um ferro em brasa.
Estamos no terceiro milênio e as pessoas ainda olham para o estupro como se fosse culpa da vítima!
Alguns - e até mulheres - entendem que as roupas e o comportamento são responsáveis pelo crime, não entendendo que a responsabilidade do crime é do homem, que tem o poder de não praticá-lo, mas em vez de decidir pelo não, decide pelo sim. Se fosse pelas roupas, no oriente, as mulheres que usam burca, não seriam estupradas. Mas quem julga, não pensa e tão pouco observa esse detalhe.
A meu ver, o estupro é cultural! É falta de educação, de aconselhamento, de ética entre os homens. 
Homem de bem, não estupra porque pensa nos ensinamentos da família, porque pensa na mãe, na irmã, na filha, na esposa como seres que merecem o seu respeito, independente da classe social, ou do lugar onde mora e menos ainda do tipo de música que gosta de ouvir.
Vamos entender de uma vez por todas que quando uma mulher não consente o sexo, quando ela diz NÃO, o homem tem o dever de se afastar e seguir seu caminho deixando-a em paz. Qualquer coisa além disto é estupro.

Bom dia!

sábado, 16 de abril de 2016

Recordações

Eu não tenho muitas fotos, mas tenho fragmentos de lembranças.
Não guardo álbuns, mas lembro da cor do piso da sala e até da textura das pedras do muro do jardim da casa onde morei na primeira infância.
As fotos do meu filho quando bebê, são poucas, mas ainda posso escutar os sons que ele emitia com a chupeta na boca.
A fotógrafa da família, sempre foi a minha irmã, então, acho que me acostumei que ela estaria ali para registrar e o momento passava e mesmo que ela não estivesse, eu não o resgatava.
Contudo, no coração, na alma, as recordações estão lá, vívidas, como o som da risada do meu pai, o barulho do meu filho e meus sobrinhos se atirando na piscina da chácara, o som das músicas favoritas da mamãe, as piadas contadas pelo meu irmão...
Lembro das brincadeiras na casa dos meus avós, na casa da tia em Uberaba, ou no quintal dos vizinhos japoneses e as brincadeiras na rua, durante as noites de verão, ou no sítio em Indaiatuba, durante as férias.
Também estão comigo, os sons de São Paulo, minha cidade natal, como estão os sons de Florianópolis, onde vivi por treze anos e fui muito feliz apesar de todos os desafios.
As emoções da formatura do meu filho.
O que as fotografias não registram, são as sensações, como na primeira vez que eu dirigi, com o meu pai no banco do carona a me transmitir confiança.
Na memória, as cores dos vestidos que mais gostei, os calçados, como a sandália vinho, de solado de madeira envernizada e o meu sapato roxo, as bijuterias, as bolsas...
Me surpreendi com as lembranças que vieram juntas, que são tantas e tão nítidas que não ficaram a dever nada para as fotografias que eu não cheguei a tirar.
Recordações são a coletânea que o cérebro armazena e guarda no coração. Isso ninguém tira da gente.

Bom dia!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Presente de Aniversário

Hoje acordei com alegria no coração.
É o aniversário do meu neto. Seis anos.
Desde que eu soube que ele ia nascer, fui invadida por uma onda quente de emoção e alegria, que toda vez que penso nele, se repete.
Sempre se mostrou irreverente, determinado e de personalidade forte.
Desde os dois anos, ele já elegia o melhor amigo, o primo Victor Hugo, que é filho do meu irmão e quatro anos mais velho que ele.
Faz amigos com facilidade.
Apesar de tímido num primeiro contato, logo interage com as pessoas a sua volta e brilha no centro das atenções. É envolvente!
Então, hoje, que é seu aniversário, sinto-me presenteada, agraciada!
Sou avó do Antonio e nada me gratificou mais, depois do nascimento do pai dele.
Te amo pra sempre, meu neto!

Parabéns!

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Inveja

E ela abriu a página daquela rede social famosa e deu de cara com o sorriso escancarado de felicidade da outra.
Aquele sorriso era para ser o dela!
Investigou pelas fotos dele e a outra estava lá, em todos os momentos. Tomando o vinho abraçada com ele, como ela estaria tomando e como ela deveria estar abraçando.
Sentiu raiva!
Tanto tempo desperdiçado, se destruindo para que ele pudesse ser valorizado, se descuidando, para que ele pudesse ser cuidado, se tornando feia, para que ele se sentisse mais confiante e agora isso?
A outra é a terceira ou quarta depois que se separaram. Ah, esse gostinho ela sente! Foi a única que aturou suas canalhices...
Certo. Mas se ele não prestava, por que ainda a tirava do eixo? O término da relação não foi bem resolvido? Então, por que ainda se importava?
Sentiu inveja, porque aquela era a felicidade que ela queria pra si. Foi o sonho que ela sonhou e que estava sendo realizado pela outra.
Pensou que talvez a outra ainda não sinta os efeitos dele sobre ela. Certamente, quando descobrir o quão insano é viver ao lado dele, também ela se vá, como as outras se foram...
Mas e se ele a chamasse de volta?
Não. Melhor seguir em frente, porque o que já desandou, não toma prumo mais adiante.
Saiu da página e foi brincar com seus cachorros, porque desse amor, ela sabia que poderia esperar fidelidade e lealdade. Não precisava mais pensar nele, nem na outra.
Porque a vida segue o curso que tem que seguir e se foi assim, é porque teria que ser.

Boa tarde!


sábado, 16 de janeiro de 2016

Chovendo em mim

Acordei com o tamborilar da chuva contra a vidraça. O som era intermitente, e através dele eu sabia que era aquela chuva calma, boa, mas que vai deixando tudo molhado, telhados, paredes, muros, pisos, varandas, os ossos da gente...
Encostei na janela enquanto aquelas lágrimas (as da chuva), batiam contra o meu rosto. Fiquei um tempo assim, em silêncio, sem pensar em nada que não fosse a chuva chovendo em mim.
Aos poucos, fui caminhando nela. 
Voltei no tempo e encontrei o seu sorriso único, o seu olhar...
Senti saudades de mim. É, não foi dele que eu senti saudades, mas de mim. 
Refiz alguns dos passos que dei e lamentei que tenha me perdido tanto pelos caminhos...
Ou apenas teria parado de me procurar?
Desisti, porque só consigo pensar depois de algumas canecas de café e enquanto isso, a chuva também foi desistindo...
Eu fui mais determinada e desisti mesmo, já a chuva, enfraquecia e voltava, como numa dança de acasalamento com o vento.
O café aqueceu o meu corpo mas o meu coração continuou lá fora, apanhando da chuva fria.
E como a chuva lavou os caminhos por onde passei, apagou minhas pegadas, levou de enxurrada meus sentimentos mais intensos, hoje posso chover aqui, ou lá fora, que nada mais sou do que essa nuvem passageira que se deixa levar pelo vento.
Não sei se essas lembranças são boas, ou se deviam ter ficado onde estavam antes da chuva, então vou voltar a dormir, para quem sabe, se o sol voltar, seja ele a me acordar.

Bom dia!

Chovendo em mim

Acordei com o tamborilar da chuva contra a vidraça. O som era intermitente, e através dele eu sabia que era aquela chuva calma, boa, mas que vai deixando tudo molhado, telhados, paredes, muros, pisos, varandas, os ossos da gente...
Encostei na janela enquanto aquelas lágrimas (as da chuva), batiam contra o meu rosto. Fiquei um tempo assim, em silêncio, sem pensar em nada que não fosse a chuva chovendo em mim.
Aos poucos, fui caminhando nela. 
Voltei no tempo e encontrei o seu sorriso único, o seu olhar...
Senti saudades de mim. É, não foi dele que eu senti saudades, mas de mim. 
Refiz alguns dos passos que dei e lamentei que tenha me perdido tanto pelos caminhos...
Ou apenas teria parado de me procurar?
Desisti, porque só consigo pensar depois de algumas canecas de café e enquanto isso, a chuva também foi desistindo...
Eu fui mais determinada e desisti mesmo, já a chuva, enfraquecia e voltava, como numa dança de acasalamento com o vento.
O café aqueceu o meu corpo mas o meu coração continuou lá fora, apanhando da chuva fria.
E como a chuva lavou os caminhos por onde passei, apagou minhas pegadas, levou de enxurrada meus sentimentos mais intensos, hoje posso chover aqui, ou lá fora, que nada mais sou do que essa nuvem passageira que se deixa levar pelo vento.
Não sei se essas lembranças são boas, ou se deviam ter ficado onde estavam antes da chuva, então vou voltar a dormir, para quem sabe, se o sol voltar, seja ele a me acordar.

Bom dia!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal e Saudade

Já uns dias antes, começavam os preparativos. Eles se divertiam.
O pai, montava a árvore para a mãe decorar, mas ele participava de tudo. Preparava a casa para receber os filhos e netos com esmero, enquanto ela fazia a lista de compras para preparar a ceia.
Tinham as frutas, as bebidas, as novidades que ele encontrava no supermercado e trazia pra experimentarem... se aprovada a novidade, vinha para a mesa do natal.
Os presentinhos, ela vinha comprando desde outubro e guardando nas gavetas das cômodas, ou dentro do guarda-roupas. 
Cada telefonema da mãe com os filhos, pra desespero dele (detestava que se demorassem ao telefone), tudo era meticulosamente planejado novamente, com trocas de sugestões e um ou outro palpite que a faziam ou não, mudar de ideia quanto ao arranjo da mesa, ou até mesmo quanto à sobremesa, porque o cardápio principal era via de regra, mantido.
Quando chegava o grande dia, na medida em que os filhos chegavam, a alegria dele aflorava (ah, como gostava de casa cheia!), porque a cada um dos filhos ele dispensava uma atenção de pai, mas também de anfitrião!
Aos poucos, as vozes e alegria iam contagiando o ambiente e a música garantia que todos se mantivessem em movimento.
A mãe, esperava ansiosa pelos elogios, afinal, tudo tinha sido pensado e feito para ser perfeito - e não me recordo, o quanto mais simples pudessem ser esses momentos, que não tenham sido perfeitos.
E ao sinal da meia noite, quando os sinos badalavam ao longe e os fogos de artifícios espocavam, ele, o pai, os reunia a todos em círculo, fazia uma oração e todos se abraçavam! Era lindo!
Então, os presentes!
Sempre surpreendiam os filhos, com algo especial, não necessariamente caro, mas que causavam realmente olhares arregalados porque não era esperado.
O prazer deles era visível.
E sentavam-se todos em torno da mesa, para apreciar as iguarias que tinham sido preparadas com tanto esmero.
É, o natal lá em casa era um acontecimento... mas hoje, eles não estão mais aqui... 
Só nos deixaram as lembranças, as saudades e a certeza de que nos ensinaram a importância da confraternização e da união da família.
Natal, hoje pra mim, é mera recordação e saudade, mas momentos que levarei comigo pela eternidade, porque eram preciosos e eles fazem muita falta, mas fico feliz por terem me proporcionado tantas noites especiais ao longo de suas vidas.

Feliz natal!


sábado, 12 de dezembro de 2015

Adaptação

E a vida toma rumos que a gente não tem como mudar o curso.
Pensamos que temos este condão, porque temos a sensação de que as escolhas são nossas. Na verdade, quando não escolhemos, estamos permitindo que escolham por nós, mas ainda assim, o curso segue.
Como o rio que singra a terra e crava seu leito durante seu trajeto, vamos sedimentando nossa estrada com nossa esperança e nossa vontade de perseguir os sonhos.
São esses sonhos que nos motivam a seguir em frente sempre. Não importa quantos tombos a gente leve, ainda assim, somos compelidos a seguir em frente.
Projetos são deixados de lado durante o caminho, porque são inviáveis, impraticáveis, ou porque outros surgem com maiores possibilidades e mais atrativos.
O fato é que vamos nos adaptando. Essa capacidade que temos de nos moldar às situações mais adversas, é que nos move a continuar criando nossa história.
Percebemos que laços que deveriam ser eternos, não têm a força que se espera e ao se desfazerem, nos deixam impotentes, mas todo laço tem duas pontas. Se uma delas não se sustenta, não é possível.
Cogitamos nessas tentativas, prosperar no intento primeiro, mas nem nos damos conta que os desvios foram estabelecidos bem antes, como a rocha que obriga o rio desviar seu curso.
A vida plena, pode representar a diferença entre vencer ou perder. Seja qual for o resultado, ainda assim, fomos nós que tracejamos o caminho.
A cada desafio, novos elementos e a cada etapa vencida, fazemos a contabilidade que nem sempre nos preenche, mas ainda assim foi o que conseguimos conquistar.
Seja como for, nossa vida segue independente das escolhas que fazemos enquanto ao mesmo tempo, pelo resultado dessas escolhas.
Tudo muito ambíguo, mas necessário como a luz que só existe por permissão do breu. À ausência da luz se faz a sombra, que por sua vez, só pode deixar de ser quando o sol resplandece imponente na sua plenitude.
E, como somos humanos, seguimos firmes nos nossos desígnios, sem tempo para voltar e refazer nossas páginas. Não nos é permitido fazer um rascunho para passar a limpo depois.
Viver é sem dúvida um ato de bravura e coragem, independente dos feitos que somos capazes de realizar.

Bom dia!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Inesquecível

Dizem que o primeiro sutiã, a gente nunca esquece. Deve ser verdade... o meu era horroroso, porque minha mãe seguiu todas as recomendações médicas! Risos...
Mas não foi para falar do primeiro sutiã que eu vim hoje. Foi pra falar do primeiro namorado.
O primeiro namorado, realmente é marcante para o resto da vida, mas não porque seja alguém especial, diferente nem nada. Apenas porque é ele quem define o marco onde termina definitivamente a infância e começa a adolescência. É por ele, o primeiro namorado, que a gente perde a leveza do coração puro e abandona definitivamente as bonecas, os bichinhos de pelúcia...
Como eu tenho uma irmã mais nova, brinquei de boneca até meus quatorze anos aproximadamente, mas desde os doze anos, elas já não me fascinavam tanto. Lembro que nessa época, me apaixonei pelo irmão de uma colega de escola.
Eu suspirava por ele... quando passava pelos corredores do colégio, enchia meu dia de encantamentos... mas nunca passou disso. Ele não estava nem ai pra mim!!! 
E na época, acho que ele não estava ainda nem ai para garotas... meninos amadurecem mais tarde.
Mas quando eu já tinha completado quinze anos, morando ainda em São Paulo, meu pai, pela primeira vez permitiu que eu viajasse para Uberaba (sem ele ou minha mãe), com uma prima dele, cujas filhas tinham as mesmas idades que eu e meus irmãos. Lá fomos nós, de ônibus para Uberaba. Então, eram dez horas de viagem (estrada ruim e ônibus pior ainda), para percorrer quatrocentos e oitenta quilômetros.
Já tínhamos nos acomodado nos assentos, minha prima ao lado da sua filha mais velha e eu em outro banco, na frente delas, quando entraram dois rapazes bem alegres e vieram na nossa direção e pela primeira vez, senti um frio percorrer a minha espinha, porque ambos olharam pra mim de um jeito diferente. Notei que estava sendo "paquerada".
Assim que o ônibus se pôs em movimento, ele sorriu e comentou alguma coisa, para iniciar uma conversa, mas tratei de desconversar, porque temia que meu pai me tirasse do ônibus se desconfiasse que algum menino estava tentando se aproximar, mesmo o veículo já tendo deixado a rodoviária, afinal, pais sempre descobrem essas coisas!
Não tardou para que a minha prima dormisse pesadamente e ele sem a menor cerimônia, buscou trocar de lugar com a pessoa que estava sentada ao meu lado. 
Ele era muito charmoso, tinha cabelos castanhos e fartos e um sorriso encantador. Me ofereceu um Drops, uma bala que a gente consumia muito naquele tempo. Aceitei.
Durante algum tempo, a gente conversou e ele que já tinha dezoito anos, foi conduzindo a conversa com maestria, enquanto eu por timidez, não ousava a responder com frases inteiras, usando apenas meias palavras.
Em dado momento, ele me beijou. 
Eu quase morri de vergonha e de medo! E, claro, ele percebeu que eu não sabia como fazer, mas foi delicado e voltou a conversar normalmente, até que me perguntou se eu tinha namorado.
Percebi que a pergunta era para ter certeza que eu nunca tinha beijado antes e desejei morrer naquele momento. Quase gritei para a minha prima me tirar dali, mas ela continuava dormindo...
E ele me beijou a segunda vez, mas agora, com calma, foi me orientando entre um sorriso e um toque dos lábios nos meus e quando eu consegui engrenar, ele sorriu satisfeito e lembro que comentou que estava diante de uma mosca branca. 
Era um elogio! Estava dizendo que eu era rara, única e que ele estava se sentindo privilegiado por ter me dado o meu primeiro beijo.
Namoramos por alguns meses porque ele morava também em São Paulo, até que um dia, meu pai o surpreendeu me beijando na sala, o pegou pela orelha (literalmente) e o colocou do outro lado da calçada da rua, advertindo-o que ninguém tocava na filha dele.
Os anos se passaram e nos reencontramos já adultos e sempre nos lembrávamos desses momentos tão lindos e delicados nas nossas vidas, com o carinho que essas recordações merecem.
Um dia, ele parou de responder as  minhas mensagens (ele morava em Santos, cidade do litoral paulista e eu morava em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina). Tentei outros meios, sem sucesso, até que infelizmente, há um ano e pouco, soube que ele havia partido para sempre. Infarto.
Fiquei muito triste, porque meu primeiro namorado partiu sem se despedir de mim e eu não pude dizer a ele que é inesquecível.

Bom dia!